Garanhuns, 08 de novembro de 2003
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OPINIÃO
 

José Josy Duarte
(Josi, como eu o chamava)

Ademilza


Traído pela doença que o arrebatou, do nosso convívio, sua morte se transforma numa nódoa de dor e saudade. Prefiro recordá-lo como se encontra em minhas lembranças: chefe de família prudente, preocupado em organizar um patrimônio que protegesse os seus das ciladas que o "viver em sociedade" oferece.

De uma memória extraordinária, possuía o "diploma da vida", onde a formatura se traduzia pela clarividência de seu raciocínio. Era uma homem de visão, de sabedoria, sensatez e a prudência em pessoa, sem ser culto, tinha uma inteligência penetrante, incansável.

Nós perdemos o braço e o coração forte; e esta região perdeu com o seu desaparecimento qualquer coisa de vital que a mutila e diminue. A consternação com que foi recebida a notícia de sua morte, é o atestado maior de que Josy era capaz de qualquer sacrifício por um amigo ou por qualquer causa que abraçasse. Acreditava ser a lealdade e a coragem, qualidades básicas do caráter humano, defendendo até o último instante o seu ponto de vista. Foi corajoso, foi fiel a si mesmo, rápido em tudo, singularmente dinâmico, explosivo, inquieto que nào perdia tempo, ao ponto de que "quando a luta não se oferecia a Josy, ele se oferecia à luta".

Tinha olhos de águia, coragem de matuto, "aresta de mandacaru", persistência de juazeiro.

Como político, foi um homem dedicado, de boa vontade; seus ideais não resultavam em aspirações de renome ou vaidade, estavam sempre sob o imperativo de um dever, que ele assumia com talento superior e coerência constante. Nunca sacrificou o bem coletivo às sua paixões, às comodidades ou aos interesses pessoais. Era de fato, um homem popular. Não só porque se aproximava do povo, mas porque sempre soube defender o povo e compreendê-lo, trazendo em si um forte poder de simpatia, tornando-o acatado por todos.


Fiel a sua palavra, não enganava a quem o procurava, só prometia o que podia cumprir. A fraqueza era o seu distintivo, dizia o que pensava, sem papas na língua e sem destemor; criou em torno de sua pessoa, uma auréola de valentia e coragem. Tinha horário e decisões rápidas. Suas argumentações eram firmes, contundentes e severas; grande madrugador, era de uma resistência física surpreendente, sendo capaz de trabalhar sem repouso de manhã à noite, durante toda semana.

Por possuir índole reservada era procurado por muitos, falava pouco, mas dizia o necessário; sua fisionomia era fechada de tal modo, que a ninguém, mesmo aos amigos, eram concedidas intimidades. Todavia, quando sorria, animava a todos; e quando zangado, seus olhos se iluminavam, parecendo que tinha fogo nas pupilas. Nesse momento a palavra, que lhe era escassa, vinha-lhe à boca aos borbotões e com uma força rude e irônica que abatia e esmagava o interlocutor.

Sua lembrança ficará para quem o conheceu, como um exemplo. E para mim, sua memória, será a minha vida; e o meu universo, o seu sepulcro.