Garanhuns, 08 de novembro de 2003
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OPINIÃO
 

A multissecular prostituição

Odete Melo de Souza


"Quem de vós estiver sem pecado seja o primeiro a lhe atirar uma pedra".

Eis as palavras de perdão do Divino Mestre àquela mulher adúltera, considerada pecadora pública e desprezada pelos escribas e fariseus.

Em outra oportunidade quando Jesus fazia uma refeição em casa de uma amigo, uma mulher tida também como pecadora pelo julgamento humano, entrou naquele recinto onde ELE estava, derramou-lhe sobre a cabeça um precioso perfume, lavou-lhe os pés com suas lágrima e enxugou-os com seus cabelos.

Alguns dos presentes, indignados, discordaram daquele gesto feminino e ainda duvidaram da condição de profeta atribuída a Jesus. Pois, se realmente o fosse, saberia com certeza, que tipo de mulher era aquela que o tocava, pensavam eles.

Estas atitudes de Jesus concretizando sua pedagogia de compreensão, amor e perdão, exortam-nos a aceitar a fraqueza humana, ajudando os irmãos a abandonarem suas faltas e pecados, estimulando-os a não cair mais em fracassos perniciosos.

E assim, a exemplo do Mestre Salvador quando disse à mulher pecadora: "Vai e não tornes a pecar", devemos acolher todos os pecadores, criminosos e culpados. E aqui, desejamos dar um realce especial às prostitutas.

Se Jesus com sua pureza, santidade e divindade não as discriminou, nem as desprezou e nem as amaldiçoou, qual deve ser então o tratamento de toda a sociedade e o nosso particularmente, que dispensaremos às mesmas?

Convém salientar entretanto, que Jesus as acolheu e perdoou, mas não as estimulou a prosseguirem naquele ritmo errado de vida e sim, as convidou ou melhor, ordenou-lhes a conversão.

A prostituição é uma realidade multissecular que vem sendo contrangidamente tolerada e ampliada no correr dos tempos, como conenquência de distorção e descontrole sexual, má orientação social e educacional e sobretudo pela primazia dos sentidos sobre o espírito.

Que fazer diante deste sombrio quadro humano de tão funestas consequências? Que soluções apontar?

Acreditamos que estimular e oferecer adequadamente àquelas tristes, pobres sofredoras e miseráveis militantes do "tráfico do sexo", oportunidade, atividades e trabalho digno.

A legalização da prostituição, conforme projeto de Lei tramitando no Congresso e protagonizado pelo deputado Fernando Gabeira é prova de desconhecimento e ignorância jurídica.

A legalização de uma profissão exige como pré-requisito indispensável a natureza lícita da mesma, o que não existe no caso em questão.

Certa vez, fui procurada por um grupo de prostitutas que veio até a minha residência para eu interceder por elas junto ao juiz da cidade, que era meu esposo, de não as retirar do local onde atuavam.

Conversamos demoradamente, trocando idéias e planos e todas afirmaram que jamais desejariam para suas filhas aquela situação em que se encontravam, afastando-as quanto possível do seu vício.

Se realmente a prostituição fosse algo lícito, desejável, digno e louvável mereceria ser legalizada, porém, em face de sua negativa realidade, urge esquecer e repudiar tal idéia.

Portanto, esperamos que os Legisladores de nosso país, pensem, sintam e amem com o coração e a razão, legislando com acerto e justiça e assim, acolham, amem e ajudem as prostitutas, encaminhando-as porém, para a honestidade, trabalho e certeza da realidade da paz e da felicidade completa aqui na terra e lá no céu.