Garanhuns, 08 de novembro de 2003
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OPINIÃO
 

A vez das esquerdas?

Rafael Brasil


A esquerda ganhou? A esquerda perdeu? Quem, agora, afinal é de direita ou de esquerda? As esquerdas messiânicas, estas estão de dar pena. Votaram num candidato, que agora, diz que nunca se sentiu bem ao ser rotulado de esquerda. É. Na verdade, Lula nunca foi comunista, mas, convenhamos, sempre esteve à esquerda dos comunistas do velho partidão, tal a moderação dos mesmos. O comunismo "flor de laranjeira", como uma vez definiu o sempre firme e simpático Gregório Bezerra.

Ser de esquerda, antes, significava ser revolucionário. Desejar uma mudança, se não completa, mas substancial da sociedade. E, claro, a mudança, quanto mais rápida, melhor. O partido seria o principal agente da revolução, e durante o período revolucionário propriamente dito, os outros partidos seriam suprimidos. O partido, vanguarda da classe operária, síntesee da mesma, operaria mudanças, sobretudo as essenciais: a expropriação da burguesia pelo estado dos meios de produção. Ou seja, se não tudo, quase tudo ao estado. Tudo, ou quase tudo, não muito diferente a arruinada ex União Soviética. O pior de tudo, é que, essencialmente, esse pessoal continuou pensando quase do mesmo jeito, mesmo muito tempo depois da derrocada do ex império soviético. Certo Lula, que, programático, ou mesmo por ignorância memso, talvez nunca tenhna levado a sério essa turma. Ao assumir o poder, foi rapidamente aderindo as forças do capitalismo e da globalização. Já pensaram o que seria de nós, se ele fosse seguir esta turma? Aí sim, é que estaríamos lascados.

Interessante é que, do núcleo do governo, os mais fortes, são ex trotskistas, Palocci e Luís Dulcee. Estão ganhando para o ex (ex?) Stalinista José Dirceu. Menos mal. Palocci e Dulce, foram da antiga e folclórica tendencia esquerdista Liberdade e Lula, mas conhecida em pindorama por LIBELU. Eles eram tão radicais, que eram contra quase tudo no mundo. O capitalismo, claro, a ex União Soviética, a China e o escambau. Afinal, ser trotskista, significava ser crítico ao horroroso socialismo dito real da ex União Soviética e satélites, sem trair a fé socialista. Essa turma, talvez de tanto criticar o então socialismo real, tenham enjoado tanto do troço, aliás bastante indigesto mesmo, que, quando não se tornarem ardorosos defensores do capitalismo, tornaream-se esquerdistas moderados, ou seja, social-democratas. Ainda bem quee isso tenhna acontecido, e os trotskistas estejam salvando o cambaleante capitalismo brasileiro. Viram como a história prega peças?

Mas, o que vem mesmo a ser de esquerda? Se ser de esquerda, é como diria Noberto Bobbio, se a favor de uma sociedade mais igualitária, ou pelo menos com menores desigualdades. Então sejamos todos esquerdistas, pois, como sabemos, o Brasil é um dos países mais desiguais do mundo. Mas, para que haja classe trabalhadora, ou coisa que o valha, precisamos de capitalismo, não? Afinal, sem fábricas não há operários, que ademais, estão mesmo sumindo do mapa com o processo de automoção. Acho que Lula, e seus saudáveis ex trotskistas, estão redescobrindo um dogma do chamado marxismo clássico, de antes da revolução Russa, e propugnado pelo próprio Marx no século XIX, de que para chegar ao socialismo, seria interessante passar pelo capitalismo. Elementar. Mas, para as burras stalinistas, não. Afinal, alguém já não ndisse que a burrice e a ignorância, aqui em Pindorama, sempre tiveram um passado glorioso, e terão certamente um futuro promissor? É isso aí. A esquerda está no poder, mas suas idéias, parece, estão na lata de lixo da história. Mas tem muita gente que ainda não acredita. coitadinhos...