Garanhuns, 08 de novembro de 2003
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COLUNAS
 

CORREIO CULTURAL

Carlos Janduy


I Encontro do Forró Pé-de-Serra

Dia 26 de outubro, aconteceu no Polo Heliópolis, das 14 às 22 horas, o I Encontro do Forró Pé-de-Serra de Garanhuns. Nomes como Messias Santiago, Zezinho de Garanhuns, João Rufino (Cego do Piado), Forró Pesado, Trio Asa Branca, Forró Cheiro de Nós, Harmonia do Forró, Chalegre, Trio Rouxinol, Os Três do Forró, Gonzaga de Garanhuns e os próprios idealizadores e organizadores Rivaldo Belarmino e Ailton Cardoso foram atrações do evento, que contou com o apoio da Prefeitura de Garanhuns, do Sr. Antônio Batista, responsável pela sonorização, e várias outras pessoas que acreditaram na idéia.

Em conversa com este colunista, Rivaldo demonstrou estar bastante satisfeito com o resultado do Encontro e espera que no próximo possa continuar contando com todos aqueles que contribuiram este ano e, se possível, conquistar mais apoios, para edificar de vez o evento.


Lançamentos à venda

O CD "O Porto", de Karla Cybele e o livro "Fantasmas Paradoxais No Sol Nascente", de Aderbal Alexsandro Pincho Monteiro, lançados no mês passado, estão à venda na Banca de Revista Avenida, no centro de Garanhuns.


O Brasil dá adeus a Rachel de Queiroz

Faleceu na madrugada da última terça-feira a escritora Rachel de Queiroz, que completaria 93 anos no próximo dia 17. Segundo a família, ela havia sofrido recentemente um acidente vascular cerebral e morreu enquanto dormia em casa, no Leblon, zona sul do Rio de Janeiro. A escritora sofria de diabetes, mas a doença estava controlada há anos.

O corpo da escritora foi velado na sede da Academia Brasileira de Letras, no centro do Rio de Janeiro, e sepultado na quarta-feira, dia 5, no cemitério São João Batista, em Botafogo, ao lado do marido e não no mausoléu da ABL, como era da sua vontade.
Com a morte de Raquel de Queiroz, ficaram vagas quatro cadeiras na ABL: a 5, que foi ocupada pela escritora; a 6, ocupada por Raymundo Faoro, morto em maio; a 19, de Marcos Almir Madeira, morto em outubro; e a 39, ocupada por Roberto Marinho, que faleceu em agosto.

A escritora de obras consagradas nasceu em Fortaleza, Ceará, em 17 de novembro de 1910.Viveu parte de sua infância na capital do estado e parte, no interior, na fazenda dos pais.

Rachel chegou ao Rio de Janeiro em 1917, fugindo da terrível seca de 1915, que mais tarde serviria como tema do seu livro de estréia. A família ficou pouco tempo no Rio e logo seguiu para Belém do Pará, onde residiu por dois anos.

De volta ao Ceará, em 1921, retomou os estudos regulares, como interna do Colégio Imaculada Conceição, formando-se professora em 1925. Ingressou no jornalismo como cronista, em 1927. Em 1930, lançou seu primeiro romance O Quinze que recebeu o primeiro prêmio, concedido pela Fundação Graça Aranha. Em 1931, foi para o Rio de Janeiro, para recebê-lo, onde travou contato com o Partido Comunista Brasileiro. Nos anos seguintes, participou da ação política de esquerda, pela qual foi presa em 1937. Sem abandonar a ficção, continuou colaborando regularmente com jornais e revistas, dedicando-se à crônica jornalística, ao teatro e à tradução. Foi, durante muito tempo, cronista exclusiva da revista O Cruzeiro. Em 1977, foi a primeira escritora a ingressar na Academia Brasileira de Letras, um grupo que, até então, tinha sido exclusivamente masculino. Embora morasse no Rio de Janeiro, retornava, com freqüência, às suas raízes - a fazenda no interior do Ceará.

Inserida no Modernismo, a prosa regionalista de Rachel de Queiroz retrata, numa linguagem enxuta e viva, o nordeste; mais precisamente o Ceará. Além do interesse social, o flagelo da seca e o coronelismo, seus dois primeiros romances - O Quinze e João Miguel - demonstram sua preocupação com os traços psicológicos do homem daquela região que, pressionado por forças atávicas, aceita fatalisticamente seu destino. Essa harmonização entre o social e o psicológico demonstra uma nova tomada de posição na temática do romance nordestino. A mesma abordagem se aplica aos dois romances seguintes: Caminho de Pedras e As Três Marias. O primeiro é conscientemente político-social e as características psicológicas estão aí valorizadas. No entanto, em As Três Marias elas atingem o seu máximo.

PRINCIPAIS OBRAS: Romance: O Quinze (1930); João Miguel (1932); Caminho de Pedras (1937); As Três Marias (1939); O Galo de Ouro (1985); Memorial de Maria Moura (1992). Crônicas: A Donzela e a Moura Torta (1948); Cem Crônicas Escolhidas (1958); O Brasileiro Perplexo (1963); O Caçador de Tatu e Outras Crônicas (1967); As Menininhas e Outras Crônicas (1976); O Jogador de Sinuca e mais Historinhas (1980). Teatro: Lampião (1953); A Beata Maria do Egito (1958); A Sereia Voadora (inédito). Literatura Infantil: O Menino Mágico (1969); Cafuti e Pena de Prata, (1986).