Garanhuns, 08 de novembro de 2003
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Sociedade defende museu no prédio do Cine Jardim

Uma proposta do vereador José Carlos Santos, conhecido como Cacau, teve boa acolhida de amplos setores da sociedade local. O parlamentar propôs, na Câmara Municipal, que o Museu de Cultura Latino Americana, que funciona precariamente, no Shopping Center Brasil seja instalado no prédio do antigo Cine Jardim, que abrigava até pouco tempo atrás o Centro Administrativo da prefeitura.

O prédio da Praça Jardim, no momento, está desativado, daí a lembrança do vereador, que considera o local ideal para a instalação do museu. O próprio diretor do estabelecimento cultural, professor Josevaldo Araújo, gostou muito da idéia, apesar de considerar muito difícil que ela seja concretizada. "Seria o ideal, mas considero esse projeto uma utopia, devido ao alto custo do aluguel do imóvel", disse Josevaldo.

O editor do Jornal Marano e do Correio Sete Colinas, Roberto Almeida, defendeu na rádio que se fizesse uma mobilização na cidade para que fosse viabilizada a proposta do vereador. Ele lembrou que o Governo do Estado, através da Fundarpe, tem investido em várias cidades do interior recuperando prédios que são considerados patrimônios históricos ou culturais. "Um exemplo é o investimento feito no Cine Teatro Guarany, na cidade de Triunfo", citou.

Na opinião do jornalista, se houvesse uma movimentação que envolvesse a Câmara dos Vereadores, o prefeito do município, o representante de Garanhuns na Assembléia Legislativa do Estado e deputados federais, a "utopia" proposta por Cacau poderia ser transformada em realidade.

"O Governo Jarbas, que tem várias obras importantes no Estado, ainda deve uma ação mais significativa e visível em Garanhuns. A instalação do museu de cultura latino americana, de um pequeno cinema e de uma galeria de artes no prédio do Cine Jardim seria importante para a cidade, que assim teria mais condições de atrair turistas em outras épocas do ano que não fosse o Festival de Inverno", ressaltou Roberto Almeida, enfocando ainda que "com essa obra o povo perdoaria um pouco a instalação do presídio feminino na chamada Suíça Pernambucana.

O professor e poeta Paulo Gervais, ex-diretor de Cultura do município, também concorda com o projeto do vereador José Carlos Santos e com os argumentos usados pelo editor do Jornal Marano. "Acho mesmo que devia haver uma mobilização para a concretização dessa idéia", completou Paulo.

O empresário Fernando Luna, ex-secretário de Turismo do município, disse que deveria se fazer uma parceria entre a Prefeitura e o Governo do Estado para garantir a instalação do museu no prédio da Praça Jardim. "Seria realmente um grande empreendimento para a cidade", enfatizou Fernando.

Muitos outros integrantes da sociedade local, como o professor Pedro Falcão, vice-diretor da FFPG, o radialista Gerson Lima, o poeta Carlos Janduy e o presidente da Academia de Letras de Garanhuns, João Marques são defensores do museu e concordam que o mesmo seja instalado num local mais adequado. "O prédio do shopping nem ao menos abre nos finais de semana", costuma reclamar o próprio Josevaldo.

O cinema Jardim funcionou durante muitos anos no casarão da Praça que tem o mesmo nome. Foi desativado no início da década de 80, quando no imóvel foi instalado um supermercado e depois um atacado de cereais. No início da primeira gestão de Silvino, o prédio foi transformado no Centro Administrativo Municipal, o que deu nova vida ao local. Recentemente, com a transferência das secretarias para a antiga Ceagepe, a casa ficou desocupada.

Já o Museu de Cultura Latina Americana, que existe por iniciativa do professor Josevaldo Araújo, da FFPG, funcionou inicialmente num salão modesto da Rua Dom José. Depois, foi istalado no terceiro andar do Shopping Center Brasil, na Avenida Santo Antônio, passando depois, devido ao seu crescimento, a ocupar também o quarto andar.

O museu tem um dos maiores acervos de estabelecimentos do gênero, no interior do Nordeste, com mais de duas mil peça da cultura latino americana. Estão representados praticamente todos os países do continente e os 26 estados do Brasil. Há ainda setores dedicados exclusivamente ao Agreste Meridional e a Garanhuns, com artesanato, artes plásticas, literatura, cordel e instrumentos musicais. Nos últimos festivais de inverno, em julho, o estabelecimento está entre os mais visitados da cidade pelos turistas. Mesmo nos demais meses do ano, a entidade cultural tem recebido a visita de estudantes, professores e profissionais liberais de Caruaru, Arcoverde, Palmeiras do Índios, Palmares, União dos Palmares, Canhotinho, São João e diversas cidades da região.

A instituição cultural sobrevive por conta dos esforços do professor e da colaboração de um pequeno grupo de abnegados, incluindo profissionais liberais e pequenos comerciantes. A prefeitura da cidade contribui com R$ 300,00 por mês, que é usado no pagamento do aluguel das salas do Shopping Brasil.