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NOTAS DE BRASÍLIA
Alexandre Marinho
Prezados Leitores,
Na coluna desta semana, resolvemos fazer uma adaptação
de parte do texto do Prof. Augusto de Franco, que foi Secretário
Executivo do Programa Comunidade Solidária, com o qual, vez
por outra, temos tido o prazer de receber algumas aulas sobre desenvolvimento
local, tema este que, para os que tem acompanhado nossa coluna,
sabe que é um dos nossos assuntos prediletos.
Na verdade, dentro de mais alguns dias ou semanas, estaremos implantando
em Garanhuns, mais uma ONG, que, juntamente com a Casa Pro-Cidania,
(da qual fazemos parte e que está sendo tão bem coordenada
pela Dra. Ielma Lucena), desenvolverá um interessante trabalho
de desenvolvimento em benefício não somente do nosso
município, mas de todo Agreste Meridional pernambucano.
Trata-se de assunto que, por enfocar o combate à pobreza
e a geração de emprego e renda, certamente será
de interesse para todos nós.
Experimente pensar o seguinte. Se em cada município do Brasil
onde está ocorrendo um processo de Desenvolvimento Local,
os governos e os líderes da sociedade local estivessem realmente
capacitados para exercer uma gestão empreendedora dos assuntos
públicos e dos negócios privados. E se nessas localidades
mencionadas acima, existisse um grupo de pessoas capaz de tomar
iniciativas, assumir responsabilidades e alavancar recursos da própria
sociedade para, em parceria com o Estado, realizar projetos inovadores
de desenvolvimento social.
Pensou? Agora pense se todas essas pessoas estivessem compondo
uma grande rede, participativa e colaborativa, constituindo comunidades
conectadas entre si (em breve pela Internet, verdadeiras telecomunidades
da nova era da informação e do conhecimento) formando
uma grande Sociedade do Desenvolvimento com capilaridade em todo
o território nacional.
É bom que saibamos o seguinte: já existe hoje, no
Brasil, um contingente de centenas de organizações,
capacitadas, dispostas e preparadas para se deslocar para os mais
distantes rincões, para apoiar e incentivar às populações
locais a realizar um diagnóstico de sua situação,
fazer um levantamento de suas potencialidades e vocações
e implementar um plano de desenvolvimento integrado e sustentável.
Uma vez descobertas as nossa potencialidades e vocações,
seria a hora de implementarmos a nossa agenda de prioridades. Parte
dessa agenda é negociada com o Governo Federal, com o Governo
Estadual, com a Prefeitura e com outros parceiros não-governamentais.
Uma outra parte da agenda é composta por ações
que devem ser realizadas pela própria comunidade local. Esta
parte da agenda tem sido apelidada de "agenda local do local".
A chamada "agenda local do local" é a comunidade
que faz.
Se a comunidade não conseguir realizar as ações
prioritárias que constam da "agenda local do local",
não poderá haver desenvolvimento local. Pois não
pode haver desenvolvimento local sem protagonismo local. A "energia"
desencadeada pela mobilização das pessoas da comunidade
para realizar colaborativamente ações conjuntas é
o combustível do desenvolvimento local. Se não tivermos
uma quantidade suficiente dessa "energia", nada ou quase
nada pode ser feito. Essa "energia" é que faz a
diferença! Ela explica porque algumas localidades conseguem
dar um salto no seu processo de desenvolvimento e, outras, não.
Uma outra maneira de dizer a mesma coisa é a seguinte. O
"capital" gerado pela livre organização
das pessoas da comunidade em torno de valores compartilhados e objetivos
comuns constitui o recurso fundamental para o desenvolvimento. Esse
"capital" é chamado de capital social. Se uma comunidade
gera e acumula uma dose suficiente de capital social então
ela está pronta para se desenvolver.
Ocorre que na maior parte dos casos, a comunidade acha que não
está preparada para realizar, por si mesma, as ações
dessa "agenda local". Na maioria das localidades as pessoas
dizem que não tem recursos para realizar as ações,
reclamam da falta de apoio, da desunião do povo e até
da falta dos conhecimentos técnicos necessários para
efetivar as ações propostas.
Pois bem. É aí que entra o programa que, durante
o Governo Fernando Henrique era chamado de "Comunidade Que
Faz", e que por não ter tido continuidade neste atual
Governo caberá a nós, que acreditamos nesta forma
de desenvolvimento, elaborarmos um programa local, adequado às
características de nossa cidade e região e que pode,
muito bem ser levado à frente, dependendo da rede de contatos
e de apoios que sejamos capaz de formar.
Será nosso papel formar os chamados agentes de desenvolvimento,
pessoas que serão capazes de facilitar o processo pelo qual
a comunidade local pode aprender a fazer as coisas que ela tem que
fazer. Mas ele não vai fazer isso dando um curso tradicional,
em sala de aula. Ele vai usar a pedagogia do aprender-fazendo.
Ele vai ensinar a comunidade local a fazer certas coisas ao mesmo
tempo em que vai aprender com a comunidade local as diversas maneiras
criativas como as mesmas coisas podem ser feitas de modos diferentes.
Porque cada comunidade tem o seu próprio modo de fazer as
coisas, e não adianta vir com uma receita pronta. O que deu
certo em um lugar não dará certo, necessariamente,
em outro lugar. Cada processo de desenvolvimento é diferente,
é único. E o que chamamos de desenvolvimento é
exatamente isso: cada lugar fazendo as suas coisas do seu jeito
e ao seu modo, afirmando então uma nova identidade no mundo.
Então esse agente de desenvolvimento, que juntamente com
o SEBRAE e outras entidades, estaremos formando, vai ensinar-aprendendo
e aprender-ensinando. E a comunidade local também será
responsável pela sua formação na medida que
aprenderá-fazendo junto com ele.
É muito simples esse processo e a gente não deve
complicá-lo com nossas idéias preconcebidas de que
somente metodologias muito sofisticadas podem dar resultados.
Toda comunidade, quando quer, sabe fazer direitinho as coisas que
realmente precisa fazer. Toda comunidade sabe organizar suas festas,
suas quermesses, seus torneios esportivos, suas campanhas. É
necessário apenas que haja uma vontade coletiva de fazer.
Então o papel do IDAM, que logo vocês saberão
do que se trata, e da Casa Pro-Cidadania será o de despertar
essa vontade coletiva no pessoal da localidade.
Tais experiências certamente não serão pioneiras,
já que em inúmeras localidades do Brasil elas já
foram implantadas. Aliás, em cidades vizinhas à nossa,
o próprio SEBRAE/Garanhuns já coordenou alguns programas
nesse sentido, fato positivo e que nos permitirá trabalharmos
em parceria.
Traremos de novo apenas o seguinte: Primeiramente, a perenidade
que daremos às iniciativas de desenvolvimento para a região;
segundo, não partiremos do zero. Já iniciaremos com
uma rede de apoios governamental e extra-governamental que nos permitirá
atenuar a parte mais chata que são aquelas infindáveis
reuniões e promessas, que geralmente antecedem à implantação
dos programas voltados para o cooperativismo, a parceria, etc.
Enfim, logo estaremos trazendo novas e boas novidades para os amigos
e amigas da querida terrinha natal.
Até a próxima.
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