Garanhuns, 11 de outubro de 2003
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OPINIÃO
 

As viagens do presidente

Rafel Brasil


Claro, não pretendo ser um daqueles imbecis que criticavam Fernando Henrique por viajar muito ao exterior. Viajar é bom, sobretudo quando existem boas oportunidades, não só de fazer política, que, tal qual a economia, cada vez mais se internacionaliza. Mesmo aos trancos e barrancos, e a direitona mandando nos Estados Unidos. Mas, em que pese os holofotes da nossa mídia provinciana, o Brasil ainda continua com um papel extremamente periférico na política internacional. E não podia ser diferente. Não somos nem uma potência econômica, nem militar. Nossa participação no comércio internacional, nem chega a um por cento. E quem pensar que nossa política externa sempre foi submissa aos Estados Unidos está enganado. Mesmo no regime militar nossa política externa, foi, digamos assim, meio terceiro-mundista, muitas vezes entrando em choque com os Estados Unidos. Por isso, não é novidade nossas reclamações e atrevimentos em relação aos países ricos. Mas, há décadas que nossos gritos não são ouvidos, afinal, ninguém liga mesmo para pobre. A mídia dos países ricos ignorou as pirotecnias marketeiras de Lula e sua equipe. Depois ele foi ao México, e em Cuba.

Em Cuba a viagem foi sentimental. Dizem que José Dirceu chorou bastante. Está provado que stalinista também chora, mas, claro, devem ser lágrimas de crocodilo. Zé Dirceu foi em Cuba aprender guerrilha, mas pelo que se sabe, nunca participou de uma ação concreta. Ou participou? Mas ninguém deu uma só palavra a favor dos presos políticos lá em Cuba, afinal, para esse pessoal, a democracia é mesmo relativa, como pensava o finado presidente militar Ernesto Geisel. Fidel está um bode velho, e todo mundo espera sorrateiramente pela sua morte. Só assim os cubanos se livrarão dele. Mas seu irmão, o temido chefe da repressão Raúl Castro, está na linha sucessória. Haja complicação para a transição daquele pobre país. País onde uma pessoa é julgada sem direito a defesa num dia, e é condenado no outro a a penas que variam de quinze a vinte anos de prisão. Sem apelação. Foi isso que aconteceu, grosso modo com cerca de setenta e cinco oposicionistas de lá. Em Cuba seria impossível o aparecimento de um Lula, por exemplo. Primeiro lá a indústria é muito pequena. Segundo, os sindicatos são proibidos. Uma coisa horrível essa história de ditaduras. Mas os membros do nosso governo, nada viram, nada ouviram. Antes pelo contrário, os afagos recíprocos e sinceros. Ou as lágrimas foram mesmo de crocodilo?

Para terminar esta inócua visita, vem o ridículo dessa história toda. Vi na televisão Lula dizer aos estudantes brasileiros em Cuba, que eles estavam tendo a oportunidade de ter aulas práticas de ética e cidadania naquele país. Como ter demostrações de ética e cidadania numa ditadura? Que coisa! Enquanto dizia estas besteiras, a confusão reinava em seu governo, com a questão do vice-presidente e os transgênicos. Mas disso trataremos depois. Inté a próxima.