Garanhuns, 11 de outubro de 2003
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OPINIÃO
 

"Até quando seremos massa"

Alcindo B. Menezes


No meu entendimento nós seremos massa até a conquista por parte de cada indivíduo que compõe a nossa comunidade da sua cidadania plena.

Jamais deixaremos esta condição enquanto um ser humano próximo a nós não comer todo dia, não habitar com dignidade, não tiver direito a lazer, não tiver discernimento suficiente para votar e ser votado com liberdade e principalmente enquanto não tiver acesso livre a uma educação plena e capacitadora e não apenas criadora de "analfabetos funcionais".

A propósito da questão da educação faço um adendo para dizer que enquanto insistirmos apenas nessa educação formal de ensinar o "beabá" sem dar ênfase à formação e capacitação do indivíduo estaremos alimentando o ciclo "vicioso" do despreparo e da falta de desenvolvimento da tecnologia própria que nos condena sempre a sermos um país de terceiro mundo, pois somente um país com cidadãos capacitados a criar novas tecnologias poderá adentrar ao primeiro mundo.

A questão do nível educacional e cultural da população é preponderante na construção de uma nação e na transformação da massa populacional em povo.

No Brasil de hoje, e como tal na nossa Garanhuns, a falta da conquista plena da nossa população a sua cidadania tem nos condenado a sermos eternamente "massa".

Eu não sei até onde isso interessa às elites políticas atrasadas da nossa cidade, pois é muito mais fácil controlar a vontade de uma "massa", ao contrário de uma comunidade que tenha conquistado sua cidadania, com conhecimento e capacidade de escolha através de critérios de relevância para o bem comum e não apenas pensando em si e no resultado imediato.

Quando se tem "povo", se tem uma escolha de qualidade, com visão de futuro, planejada, que beneficia a todos universalmente e não apenas a alguns, ou ainda a um único indivíduo.

Mas para termos "povo" , temos que permitir que a massa conquiste sua cidadania.

Jamais quem passa fome, não tem onde morar, está a margem da sociedade poderá ter uma decisão senão baseada na sua necessidade momentânea, é uma questão até de sobrevivência e está totalmente comprovada cientificamente na "Pirâmide de Maslow".

O que cabe a elite social e política é dar condições destas pessoas conquistarem a sua cidadania sob pena de criarmos uma "massa disforme" que a qualquer momento pode sufocar a toda uma sociedade, sim, pois não se enganem, a "massa" quando quer, sabe ocupar seu espaço, o problema desse movimento é que normalmente ocorre de forma intensa, explosiva, haja vista a revolução francesa pela igualdade, liberdade e fraternidade que nada mas foi que a busca das massas pelo seu direito de ser povo.

Será que a nossa sociedade vai compreender isto antes da guilhotina?