Garanhuns, 13 de setembro de 2003
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COLUNAS
 

NOTAS DE BRASÍLIA

Alexandre Marinho


Quem leu a matéria de capa da revista Veja da semana passada, sobre a questão do loteamento dos cargos federais por integrantes do PT, pode ter certeza que as coisas aqui em Brasília estão daquele jeito mesmo.

Tirando o ranço elitista com que a imprensa do sul tem abordado o Governo Lula que ainda não admite o fato de um pobre nordestino ter chegado à Presidência da República o PT tem, realmente, cometido alguns excessos perigosos e desnecessários.

Sob o comando do todo poderoso Zé Dirceu, estão substituindo todos os servidores que ocuparam qualquer cargo de confiança ou comissionado em governos anteriores e, muitas vezes, com critérios injustos principalmente para quem se propõe a mudar o Brasil. Com isso estão simplesmente subestimando a capacidade daqueles velhos servidores que existem em toda repartição pública que fazem a coisa acontecer. Aqueles que conhecem a máquina estatal de cabo a rabo e sabem fazê-la andar ou desandar. Geralmente, técnicos, que apenas cumprem ordens. Muitos, com décadas de experiências, estudos e viagens custeadas com recursos do povo brasileiro.

E o pior é que uma boa parcela deles são integrantes dos terceiro e quarto escalões, sempre simpáticos ao PT. Pessoas facilmente "enquadráveis" às novas regras do jogo.
Resultado: os ministérios estão praticamente parados, esperando que seus novos ocupantes aprendam a trabalhar. Reuniões e mais reuniões e, enquanto isso, o Brasil aguardando a geração dos 10 milhões de empregos prometidos em campanha.

E nós, em especial, que somos "conterrâneos do homem" devemos, evidentemente, continuar torcendo para que o governo dê certo, mas não podemos perder a nossa capacidade crítica em relação ao que está acontecendo de errado. Eu, particularmente, acho que o Governo está errando na dosagem.

Chegou em boa hora um Presidente de esquerda no Brasil, até porque a partir de agora teremos, finalmente, a oportunidade de saber, de fato, o que é uma administração de direita, de centro ou de esquerda, a fim de podermos nas próximas eleições decidirmos o que é melhor para o nosso destino.

Inconcebível é assistirmos a perseguições políticas, num governo do PT, igualzinho como a direita costumava fazer.


CONHECIMENTO - Outro dia assisti a uma palestra interessante no Senado Federal sobre o tema "Da Gestão da Informação à Gestão do conhecimento". Falou-se muito dessa questão de vivermos atualmente entupidos de informações (jornais, revistas, internet, televisão, etc.) sem sabermos gerenciar ou diferenciar aquilo que é lixo (ou não importante) daquilo que realmente é importante para o bom desempenho de nossas atividades no dia-a-dia.

Foi dito que a informação por si só é estática, e não gera mudança; e ela só gera conhecimento quando provoca uma ação ou mudanças no estado mental das pessoas. A verdade é que só nos últimos anos surgiu a consciência de sua importância estratégica para os indivíduos e organizações.

Filosofias à parte, é hora de refletirmos um pouco sobre como estamos gerenciando as informações que nos chegam diariamente, transformando-as em conhecimento e colocando-as a favor de nosso aprimoramento e crescimento profissionais.


DESENVOLVIMENTO - Os leitores deste jornal devem lembrar-se de carta publicada na última quinzena, pela prezada leitora Virginia Spinassé, sobre a questão da falta de um projeto de desenvolvimento para Garanhuns.

Se por um lado, as observações da capixaba nos alegra, por refletir sua preocupação com tema tão importante para os nossos destinos, por outro, nos deixam ainda mais aflitos em razão dos dados que ela passou: uma cidade como Pouso Alegre (MG), menor do que a nossa, possui em torno de 700 indústrias. Ou seja, de certa forma este dado demonstra o quanto estamos sendo incompetentes na condução do desenvolvimento de nosso município. Enquanto lá - em Minas - um município pequeno apresenta suas 700 indústrias, aqui, em Garanhuns, estamos nós observando o fechamento da meia-dúzia que ainda nos restam. E, enquanto isso, estão os nossos gestores enchendo a cidade de praças, jardins e desemprego.

É por isso que as próximas eleições municipais são de uma importância enorme para o futuro da cidade. Será a próxima oportunidade que teremos de escolher um prefeito realmente identificado e comprometido, publicamente, com o nosso crescimento econômico e social.

O que aí está, por exemplo, fez todo seu discurso de campanha em cima da geração de emprego e renda e, infelizmente, durante o mandato esqueceu completamente as suas promessas.

E é bom lembrar que digo isto com a autoridade de quem montou o discurso da última campanha vitoriosa. Motivo pelo qual, reconheço também a minha culpa e torço, a partir de agora, para que com o próximo prefeito não soframos a mesma decepção.


DEU NOS JORNAIS - Ainda falando do assunto, apenas pra se ter uma idéia, de domingo pra cá, algumas rápidas matérias veiculadas nos jornais de Pernambuco e que tive a oportunidade de ler, diziam o seguinte:

1) Petrolina e Santa Maria da Boa Vista estão recebendo mais de um milhão em investimentos para o desenvolvimento do enoturismo, ou seja, o turismo baseado nas indústrias vinícolas da região. Aquele turismo, que inclusive já tive a oportunidade de conhecer de perto, nos municípios de Canela, Gramado, Bento Gonçalves e outros da Serra Gaúcha. O turista vai até às fábricas, conhece o processo de fabricação do vinho e, depois, é levado para efetuar suas compras e deixar um bom dinheiro na cidade;

2) O grupo Carrefour está investindo 3 milhões de reais no município sertanejo de Lagoa Grande, num projeto de irrigação para o plantio de uvas que abastecerão não apenas os supermercados brasileiros, mas também para exportação e abastecimento dos supermercados do grupo situados na Europa;

3) Numa experiência inovadora, um grupo de grã-finas do Recife adotou um grupo de 12 mulheres rendeiras de Passira com o objetivo de aperfeiçoar o artesanato por elas produzido e buscar novos mercados, como forma de dinamizar a economia do município. Resultado: as rendeiras e bordadeiras estão com seus produtos expostos à venda num shopping center especializado de São Paulo, freqüentado pela classe A.

4) Só pra finalizar: quase todos assistiram domingo no fantástico uma reportagem especial com Santa Cuz do Capibaribe, falando da indústria de confecções e mostrando que foi lá que os produtores do filme "A Lisbela e o Prisioneiro", do competente Guel Arraes, resolveram comprar todo o vestuário utilizado pelos atores e atrizes. Inclusive, foi dito que Sta. Cruz é um dos municípios de maior distribuição de renda do interior do Nordeste.


Ora, caros leitores, porque Garanhuns não aparece nos noticiários desta forma?

Tirando o Festival de Inverno, que é coisa antiga, o que sobra? São perguntas que eu deixo no ar.