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NOTAS DE BRASÍLIA
Alexandre Marinho
Quem leu a matéria de capa da revista Veja da semana passada,
sobre a questão do loteamento dos cargos federais por integrantes
do PT, pode ter certeza que as coisas aqui em Brasília estão
daquele jeito mesmo.
Tirando o ranço elitista com que a imprensa do sul tem abordado
o Governo Lula que ainda não admite o fato de um pobre nordestino
ter chegado à Presidência da República o PT
tem, realmente, cometido alguns excessos perigosos e desnecessários.
Sob o comando do todo poderoso Zé Dirceu, estão substituindo
todos os servidores que ocuparam qualquer cargo de confiança
ou comissionado em governos anteriores e, muitas vezes, com critérios
injustos principalmente para quem se propõe a mudar o Brasil.
Com isso estão simplesmente subestimando a capacidade daqueles
velhos servidores que existem em toda repartição pública
que fazem a coisa acontecer. Aqueles que conhecem a máquina
estatal de cabo a rabo e sabem fazê-la andar ou desandar.
Geralmente, técnicos, que apenas cumprem ordens. Muitos,
com décadas de experiências, estudos e viagens custeadas
com recursos do povo brasileiro.
E o pior é que uma boa parcela deles são integrantes
dos terceiro e quarto escalões, sempre simpáticos
ao PT. Pessoas facilmente "enquadráveis" às
novas regras do jogo.
Resultado: os ministérios estão praticamente parados,
esperando que seus novos ocupantes aprendam a trabalhar. Reuniões
e mais reuniões e, enquanto isso, o Brasil aguardando a geração
dos 10 milhões de empregos prometidos em campanha.
E nós, em especial, que somos "conterrâneos do
homem" devemos, evidentemente, continuar torcendo para que
o governo dê certo, mas não podemos perder a nossa
capacidade crítica em relação ao que está
acontecendo de errado. Eu, particularmente, acho que o Governo está
errando na dosagem.
Chegou em boa hora um Presidente de esquerda no Brasil, até
porque a partir de agora teremos, finalmente, a oportunidade de
saber, de fato, o que é uma administração de
direita, de centro ou de esquerda, a fim de podermos nas próximas
eleições decidirmos o que é melhor para o nosso
destino.
Inconcebível é assistirmos a perseguições
políticas, num governo do PT, igualzinho como a direita costumava
fazer.
CONHECIMENTO - Outro dia assisti
a uma palestra interessante no Senado Federal sobre o tema "Da
Gestão da Informação à Gestão
do conhecimento". Falou-se muito dessa questão de vivermos
atualmente entupidos de informações (jornais, revistas,
internet, televisão, etc.) sem sabermos gerenciar ou diferenciar
aquilo que é lixo (ou não importante) daquilo que
realmente é importante para o bom desempenho de nossas atividades
no dia-a-dia.
Foi dito que a informação por si só é
estática, e não gera mudança; e ela só
gera conhecimento quando provoca uma ação ou mudanças
no estado mental das pessoas. A verdade é que só nos
últimos anos surgiu a consciência de sua importância
estratégica para os indivíduos e organizações.
Filosofias à parte, é hora de refletirmos um pouco
sobre como estamos gerenciando as informações que
nos chegam diariamente, transformando-as em conhecimento e colocando-as
a favor de nosso aprimoramento e crescimento profissionais.
DESENVOLVIMENTO - Os leitores deste
jornal devem lembrar-se de carta publicada na última quinzena,
pela prezada leitora Virginia Spinassé, sobre a questão
da falta de um projeto de desenvolvimento para Garanhuns.
Se por um lado, as observações da capixaba nos alegra,
por refletir sua preocupação com tema tão importante
para os nossos destinos, por outro, nos deixam ainda mais aflitos
em razão dos dados que ela passou: uma cidade como Pouso
Alegre (MG), menor do que a nossa, possui em torno de 700 indústrias.
Ou seja, de certa forma este dado demonstra o quanto estamos sendo
incompetentes na condução do desenvolvimento de nosso
município. Enquanto lá - em Minas - um município
pequeno apresenta suas 700 indústrias, aqui, em Garanhuns,
estamos nós observando o fechamento da meia-dúzia
que ainda nos restam. E, enquanto isso, estão os nossos gestores
enchendo a cidade de praças, jardins e desemprego.
É por isso que as próximas eleições
municipais são de uma importância enorme para o futuro
da cidade. Será a próxima oportunidade que teremos
de escolher um prefeito realmente identificado e comprometido, publicamente,
com o nosso crescimento econômico e social.
O que aí está, por exemplo, fez todo seu discurso
de campanha em cima da geração de emprego e renda
e, infelizmente, durante o mandato esqueceu completamente as suas
promessas.
E é bom lembrar que digo isto com a autoridade de quem montou
o discurso da última campanha vitoriosa. Motivo pelo qual,
reconheço também a minha culpa e torço, a partir
de agora, para que com o próximo prefeito não soframos
a mesma decepção.
DEU NOS JORNAIS - Ainda falando
do assunto, apenas pra se ter uma idéia, de domingo pra cá,
algumas rápidas matérias veiculadas nos jornais de
Pernambuco e que tive a oportunidade de ler, diziam o seguinte:
1) Petrolina e Santa Maria da Boa Vista estão recebendo
mais de um milhão em investimentos para o desenvolvimento
do enoturismo, ou seja, o turismo baseado nas indústrias
vinícolas da região. Aquele turismo, que inclusive
já tive a oportunidade de conhecer de perto, nos municípios
de Canela, Gramado, Bento Gonçalves e outros da Serra Gaúcha.
O turista vai até às fábricas, conhece o processo
de fabricação do vinho e, depois, é levado
para efetuar suas compras e deixar um bom dinheiro na cidade;
2) O grupo Carrefour está investindo 3 milhões de
reais no município sertanejo de Lagoa Grande, num projeto
de irrigação para o plantio de uvas que abastecerão
não apenas os supermercados brasileiros, mas também
para exportação e abastecimento dos supermercados
do grupo situados na Europa;
3) Numa experiência inovadora, um grupo de grã-finas
do Recife adotou um grupo de 12 mulheres rendeiras de Passira com
o objetivo de aperfeiçoar o artesanato por elas produzido
e buscar novos mercados, como forma de dinamizar a economia do município.
Resultado: as rendeiras e bordadeiras estão com seus produtos
expostos à venda num shopping center especializado de São
Paulo, freqüentado pela classe A.
4) Só pra finalizar: quase todos assistiram domingo no fantástico
uma reportagem especial com Santa Cuz do Capibaribe, falando da
indústria de confecções e mostrando que foi
lá que os produtores do filme "A Lisbela e o Prisioneiro",
do competente Guel Arraes, resolveram comprar todo o vestuário
utilizado pelos atores e atrizes. Inclusive, foi dito que Sta. Cruz
é um dos municípios de maior distribuição
de renda do interior do Nordeste.
Ora, caros leitores, porque Garanhuns não aparece nos noticiários
desta forma?
Tirando o Festival de Inverno, que é coisa antiga, o que
sobra? São perguntas que eu deixo no ar.
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