Garanhuns, 30 de agosto de 2003
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POLÍTICA
 

Promotor público pode disputar prefeitura pelo PT

Depois de passar 30 dias em retiro, na Itália, o padre Carlos André fez uma profunda reflexão e chegou a conclusão de que não deve ser candidato à prefeitura de Garanhuns. A decisão, embora não definitiva, foi comunicada ao bispo da Diocese local, dom Irineu Roque Scherer. Este não perdeu tempo e assim que chegou à cidade, procedente da Europa, comunicou ao clero, durante uma reunião realizada no seminário, a mudança de posição do ex-paróco da Boa Vista. Depois o recuo de Pe. Carlos foi noticiado no Jornal Marano e ganhou às ruas, levando os partidos ligados à possível candidatura do religioso a um reexame da situação.

Mesmo sem uma confirmação da desistência do padre, os dirigentes do PT e PV começaram a avaliar outros nomes que poderão levar à frente o projeto de mudança em Garanhuns. O vice-prefeito, Márcio Quirino, chegou a ser cogitado, mas esbarrou na resistência dos setores mais à esquerda, que não aceitam apoiar alguém que fez toda sua vida profissional e política vinculado à direita. Surgiu, então, com força, a possibilidade do promotor público Alexandre Bezerra, da área de cidadania, que tem feito um bom trabalho na cidade, assumir a candidatura pelo Partido dos Trabalhadores, em aliança com o Partido Verde, o PL e outras legendas progressistas.

Procurado pelos coordenadores da campanha de padre Carlos, Alexandre Bezerra admitiu conversar, mas ponderou que está mais preocupado em exercer o seu trabalho no Ministério Público, para o qual se preparou a vida toda. Ele teve um diálogo, por telefone, com o representante da igreja, quando deixou claras suas preocupações. Caso aceitasse o desafio, o promotor conseguiria manter unidos o PT, o PV e o PHS, atraindo ainda o Partido Liberal, PL, que tem hoje gente respeitável em suas fileiras, como a advogada Ielma Lucena e o médico Alcindo Bezerra, presidente da Unimed.

Embora não tenha hoje a mesma densidade eleitoral de Carlos André, que aparece no segundo lugar nas pesquisas realizadas na cidade, Dr. Alexandre tem um trabalho respeitado no município, é jovem como o religioso e defende com bastante ênfase a organização da população e os setores excluídos da sociedade. Teria, em relação ao líder da Igreja, a vantagem de não chocar setores católicos conservadores, que desde o começo têm se manifestado contra o ingresso de representantes do clero na política.

Padre Carlos André chega ao Brasil, vindo de Roma, no final deste mês, ficando uns dias em Minas Gerais. No dia 20 de setembro, um sábado à tarde, retorna a Garanhuns depois de mais de dois anos de ausência, sendo recebido pelos fiéis, admiradores e correligionários políticos. Uma missa será celebrada em sua homenagem, na catedral de Santo Antônio, pelo bispo Dom Irineu.

Nas conversas com os integrantes do seu grupo político, dentre eles a professora Maria Almeida, Pe. Carlos confirmou a sua mudança de posição, em relação à política de Garanhuns, mas deixou claro que sua decisão final só sera anunciada quando estiver novamente na cidade.

Embora seja uma decisão pessoal, o sacerdote deixou transparecer que vem sofrendo muitas pressões, por conta do seu projeto político. Essas pressões partem não somente de setores da Igreja Católica, mas também de integrantes do PV, PT e outros partidos. "Um diz que o padre deve fazer isso, chega outro e aconselha o contrário, alguns já chegam até a pensar em distribuição de cargos", confidenciou um pré-candidato a vereador do grupo, convencido de que todos esses fatores terminaram por aborrecer Carlos André.