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Promotor público pode disputar prefeitura
pelo PT
Depois de passar 30 dias em retiro, na Itália, o padre Carlos
André fez uma profunda reflexão e chegou a conclusão
de que não deve ser candidato à prefeitura de Garanhuns.
A decisão, embora não definitiva, foi comunicada ao
bispo da Diocese local, dom Irineu Roque Scherer. Este não
perdeu tempo e assim que chegou à cidade, procedente da Europa,
comunicou ao clero, durante uma reunião realizada no seminário,
a mudança de posição do ex-paróco da
Boa Vista. Depois o recuo de Pe. Carlos foi noticiado no Jornal
Marano e ganhou às ruas, levando os partidos ligados à
possível candidatura do religioso a um reexame da situação.
Mesmo sem uma confirmação da desistência do
padre, os dirigentes do PT e PV começaram a avaliar outros
nomes que poderão levar à frente o projeto de mudança
em Garanhuns. O vice-prefeito, Márcio Quirino, chegou a ser
cogitado, mas esbarrou na resistência dos setores mais à
esquerda, que não aceitam apoiar alguém que fez toda
sua vida profissional e política vinculado à direita.
Surgiu, então, com força, a possibilidade do promotor
público Alexandre Bezerra, da área de cidadania, que
tem feito um bom trabalho na cidade, assumir a candidatura pelo
Partido dos Trabalhadores, em aliança com o Partido Verde,
o PL e outras legendas progressistas.
Procurado pelos coordenadores da campanha de padre Carlos, Alexandre
Bezerra admitiu conversar, mas ponderou que está mais preocupado
em exercer o seu trabalho no Ministério Público, para
o qual se preparou a vida toda. Ele teve um diálogo, por
telefone, com o representante da igreja, quando deixou claras suas
preocupações. Caso aceitasse o desafio, o promotor
conseguiria manter unidos o PT, o PV e o PHS, atraindo ainda o Partido
Liberal, PL, que tem hoje gente respeitável em suas fileiras,
como a advogada Ielma Lucena e o médico Alcindo Bezerra,
presidente da Unimed.
Embora não tenha hoje a mesma densidade eleitoral de Carlos
André, que aparece no segundo lugar nas pesquisas realizadas
na cidade, Dr. Alexandre tem um trabalho respeitado no município,
é jovem como o religioso e defende com bastante ênfase
a organização da população e os setores
excluídos da sociedade. Teria, em relação ao
líder da Igreja, a vantagem de não chocar setores
católicos conservadores, que desde o começo têm
se manifestado contra o ingresso de representantes do clero na política.
Padre Carlos André chega ao Brasil, vindo de Roma, no final
deste mês, ficando uns dias em Minas Gerais. No dia 20 de
setembro, um sábado à tarde, retorna a Garanhuns depois
de mais de dois anos de ausência, sendo recebido pelos fiéis,
admiradores e correligionários políticos. Uma missa
será celebrada em sua homenagem, na catedral de Santo Antônio,
pelo bispo Dom Irineu.
Nas conversas com os integrantes do seu grupo político,
dentre eles a professora Maria Almeida, Pe. Carlos confirmou a sua
mudança de posição, em relação
à política de Garanhuns, mas deixou claro que sua
decisão final só sera anunciada quando estiver novamente
na cidade.
Embora seja uma decisão pessoal, o sacerdote deixou transparecer
que vem sofrendo muitas pressões, por conta do seu projeto
político. Essas pressões partem não somente
de setores da Igreja Católica, mas também de integrantes
do PV, PT e outros partidos. "Um diz que o padre deve fazer
isso, chega outro e aconselha o contrário, alguns já
chegam até a pensar em distribuição de cargos",
confidenciou um pré-candidato a vereador do grupo, convencido
de que todos esses fatores terminaram por aborrecer Carlos André.
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