Garanhuns, 30 de agosto de 2003
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COLUNAS
 

NOTAS DE BRASÍLIA

Alexandre Marinho


Primeiramente, queremos agradecer aos leitores e leitoras deste jornal pelas mensagens e ligações que recebemos, todas se solidarizando com o assunto e com as posições que defendemos na última matéria publicada nesta coluna.

Na verdade, "desenvolvimento" é algo que interessa a todos por tratar-se de tema que envolve o futuro de cada um de nós. E o que percebemos, não só em Garanhuns mas na maioria dos municípios (principalmente do nordeste), é que os gestores públicos geralmente movidos por interesses eleitorais priorizam as obras de fachada, em detrimento das obras estruturadoras necessárias ao desenvolvimento econômico e social da comunidade.

Agora, é bom deixar claro que o objetivo desta coluna não é e nem será o de fazer críticas sistemáticas ao Governo Municipal, Estadual ou a qualquer outra autoridade constituída. Muito pelo contrário, a nossa intenção é de discutir com os amigos leitores aquelas questões que têm incomodado a todos nós que torcemos pelo crescimento da nossa querida terrinha natal.

Para isso, evidentemente, também não teremos receio de incomodar a quem quer que seja. É preto no preto e branco no branco. Qualquer boa notícia que chegue ao nosso conhecimento e que seja benéfica ao nosso desenvolvimento, venha de onde vier, será divulgada aqui com o mesmo entusiasmo.

Deixamos, entretanto, um aviso aos navegantes: essa coluna é assinada e, portanto, os editores do jornal não têm nenhuma responsabilidade quanto ao seu conteúdo. Apenas, gentilmente, nos cederam o espaço e é injusto, portanto, que os mesmos recebam qualquer tipo de pressão ou de "cara feia".


DLIS - DLIS é a sigla que durante o governo FHC significava Desenvolvimento Local Integrado e Sustentável, ou seja, tratava-se de uma estratégia de desenvolvimento que buscava, no âmbito municipal, reunir a comunidade para discutir e decidir (em conjunto) quais as vocações do município e quais as soluções que levariam o município a desenvolver-se e a tirar seus habitantes menos favorecidos da chamada exclusão social.

Aliás, nós nos encontramos em Brasília, ano passado, com um grupo de pessoas de Garanhuns e de outros municípios do agreste que foram participar do primeiro fórum nacional de DLIS.

Tratava-se de um programa que vinha dando certo, mas que por ter sido encampado pela Comunidade Solidária, que era encabeçada pela primeira-dama Ruth Cardoso, o governo Lula preferiu deixá-lo de lado e criar este novo programa intitulado Fome Zero.

A nosso ver, foi um grande erro. Não a criação do Fome zero, mas o abandono das experiências técnicas e políticas acumuladas ao longo dos anos.

E este é um erro que tem sido observado em vários ministérios do Governo Lula. Se, por um lado, é uma atitude compreensível por tratar-se de um novo governo, que pretende implantar uma nova linha de ação e impor novos conceitos, por outro lado, é uma falta de visão gritante não se perceber que experiências anteriores, devem ser encaradas como patrimônio de Estado e não de Governo, mesmo porque os milhões de reais que são gastos na implantação destes programas pertencem ao povo brasileiro.

Nas próximas colunas, sempre que possível, continuaremos tratando deste assunto que é de crucial importância para um município que encontra-se em situação economicamente difícil como o nosso.


SALSICHAS - Como temos visto pela TV, o caldeirão do Congresso Nacional está fervilhando com a discussão e votação das reformas previdenciária e tributária. E logo em seguida ainda teremos as reformas política e trabalhista. Vai ser briga pra não acabar mais.

E talvez por isso que Bismarck, o ex-chanceler alemão, chegou a dizer certa vez que o povo ficaria escandalizado se soubesse como são feitas as salsichas e as leis.

Mas, é bom sabermos também que todas estas confusões significam que o nosso parlamento está funcionando. Todo este "bafafá", por incrível que pareça, tem uma lógica: é que todos os segmentos políticos e sociais ali representados estão lutando na defesa de seus interesses, e é deste embate político, ideológico e social que nascem as leis, geralmente representando a média das vontades ou o consenso possível.

Ruim e prejudicial para os brasileiros é quando as leis surgem de acordos realizados a portas fechadas e sem brigas no plenário: é aí onde se esconde o perigo.


A MORTE DO FUTURO - Que tristeza foi para nós brasileiros a morte do brasileiro Sérgio Vieira de Mello. Como bem definiu o nosso chanceler Celso Amorim: "Viera de Mello era um artesão da paz". E o pior de tudo é que ele já despontava como um dos fortes candidatos à sucessão do Secretário-Geral das Nações Unidas, Koffi Annan. Interessante é que quando soube de sua morte logo me lembrei do nosso saudoso Chico Science. Talvez porque ambos tenham representado, para mim, uma espécie de morte do futuro. O futuro de nossa música e de nossa diplomacia.


ATERRO SANITÁRIO - Sem dúvida, uma grande conquista para Garanhuns. Soubemos da liberação de recursos para a construção de nosso aterro sanitário, obra que há muitos anos nossa cidade vem precisando. Aquele velho lixão é uma vergonha para todos nós. Estão de parabéns o Ministro da Saúde Humberto Costa, o Senador Sérgio Guerra, o Prefeito Silvino Duarte, e toda a população os maiores beneficiários. Só esperamos que a obra seja construída, conforme o projeto inicial (e aqui vai uma alerta para os vereadores), para que não tenhamos uma nova "usina de compostagem", como aquela que ficou só no papel, os recursos tendo sido liberados.


EMBRAPA E ESCOLA DE MÚSICA - Encontramos o Deputado Izaías Régis e o Prefeito Sandoval Cadengue, mais uma vez, passando o boné nos ministérios de Brasília. Izaías, muito feliz, falou da liberação de recursos para a construção de uma escola de música em Garanhuns que deverá funcionar em convênio com o Conservatório Pernambucano de Música. Falou ainda da implantação de um núcleo da EMBRAPA em nossa cidade. Vamos torcer para que dê certo, porque são duas boas idéias.


GRUPO DE AMIGOS - Estamos reunindo um grupo de amigos conterrâneos que estão espalhados pelo Brasil e pelo mundo afora para que cada um, dentro de suas possibilidades, possa dar uma parcela de contribuição à nossa querida Garanhuns. Contribuições estas que serão traduzidas em idéias, tempo, influências, recursos, enfim, vamos tentar reunir um certo capital social e intelectual, nascido em nossa cidade, que está disperso pelo mundo afora e que precisa ser chamado para ajudar. Afinal de contas, não podemos dar as costas a esta cidade que tanto amamos, e que tanto contribuiu para a nossa formação. Breve estaremos com uma página na Internet.