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NOTAS DE BRASÍLIA
Alexandre Marinho
Primeiramente, queremos agradecer aos leitores e leitoras deste
jornal pelas mensagens e ligações que recebemos, todas
se solidarizando com o assunto e com as posições que
defendemos na última matéria publicada nesta coluna.
Na verdade, "desenvolvimento" é algo que interessa
a todos por tratar-se de tema que envolve o futuro de cada um de
nós. E o que percebemos, não só em Garanhuns
mas na maioria dos municípios (principalmente do nordeste),
é que os gestores públicos geralmente movidos por
interesses eleitorais priorizam as obras de fachada, em detrimento
das obras estruturadoras necessárias ao desenvolvimento econômico
e social da comunidade.
Agora, é bom deixar claro que o objetivo desta coluna não
é e nem será o de fazer críticas sistemáticas
ao Governo Municipal, Estadual ou a qualquer outra autoridade constituída.
Muito pelo contrário, a nossa intenção é
de discutir com os amigos leitores aquelas questões que têm
incomodado a todos nós que torcemos pelo crescimento da nossa
querida terrinha natal.
Para isso, evidentemente, também não teremos receio
de incomodar a quem quer que seja. É preto no preto e branco
no branco. Qualquer boa notícia que chegue ao nosso conhecimento
e que seja benéfica ao nosso desenvolvimento, venha de onde
vier, será divulgada aqui com o mesmo entusiasmo.
Deixamos, entretanto, um aviso aos navegantes: essa coluna é
assinada e, portanto, os editores do jornal não têm
nenhuma responsabilidade quanto ao seu conteúdo. Apenas,
gentilmente, nos cederam o espaço e é injusto, portanto,
que os mesmos recebam qualquer tipo de pressão ou de "cara
feia".
DLIS - DLIS é a sigla que
durante o governo FHC significava Desenvolvimento Local Integrado
e Sustentável, ou seja, tratava-se de uma estratégia
de desenvolvimento que buscava, no âmbito municipal, reunir
a comunidade para discutir e decidir (em conjunto) quais as vocações
do município e quais as soluções que levariam
o município a desenvolver-se e a tirar seus habitantes menos
favorecidos da chamada exclusão social.
Aliás, nós nos encontramos em Brasília, ano
passado, com um grupo de pessoas de Garanhuns e de outros municípios
do agreste que foram participar do primeiro fórum nacional
de DLIS.
Tratava-se de um programa que vinha dando certo, mas que por ter
sido encampado pela Comunidade Solidária, que era encabeçada
pela primeira-dama Ruth Cardoso, o governo Lula preferiu deixá-lo
de lado e criar este novo programa intitulado Fome Zero.
A nosso ver, foi um grande erro. Não a criação
do Fome zero, mas o abandono das experiências técnicas
e políticas acumuladas ao longo dos anos.
E este é um erro que tem sido observado em vários
ministérios do Governo Lula. Se, por um lado, é uma
atitude compreensível por tratar-se de um novo governo, que
pretende implantar uma nova linha de ação e impor
novos conceitos, por outro lado, é uma falta de visão
gritante não se perceber que experiências anteriores,
devem ser encaradas como patrimônio de Estado e não
de Governo, mesmo porque os milhões de reais que são
gastos na implantação destes programas pertencem ao
povo brasileiro.
Nas próximas colunas, sempre que possível, continuaremos
tratando deste assunto que é de crucial importância
para um município que encontra-se em situação
economicamente difícil como o nosso.
SALSICHAS - Como temos visto pela
TV, o caldeirão do Congresso Nacional está fervilhando
com a discussão e votação das reformas previdenciária
e tributária. E logo em seguida ainda teremos as reformas
política e trabalhista. Vai ser briga pra não acabar
mais.
E talvez por isso que Bismarck, o ex-chanceler alemão, chegou
a dizer certa vez que o povo ficaria escandalizado se soubesse como
são feitas as salsichas e as leis.
Mas, é bom sabermos também que todas estas confusões
significam que o nosso parlamento está funcionando. Todo
este "bafafá", por incrível que pareça,
tem uma lógica: é que todos os segmentos políticos
e sociais ali representados estão lutando na defesa de seus
interesses, e é deste embate político, ideológico
e social que nascem as leis, geralmente representando a média
das vontades ou o consenso possível.
Ruim e prejudicial para os brasileiros é quando as leis
surgem de acordos realizados a portas fechadas e sem brigas no plenário:
é aí onde se esconde o perigo.
A MORTE DO FUTURO - Que tristeza
foi para nós brasileiros a morte do brasileiro Sérgio
Vieira de Mello. Como bem definiu o nosso chanceler Celso Amorim:
"Viera de Mello era um artesão da paz". E o pior
de tudo é que ele já despontava como um dos fortes
candidatos à sucessão do Secretário-Geral das
Nações Unidas, Koffi Annan. Interessante é
que quando soube de sua morte logo me lembrei do nosso saudoso Chico
Science. Talvez porque ambos tenham representado, para mim, uma
espécie de morte do futuro. O futuro de nossa música
e de nossa diplomacia.
ATERRO SANITÁRIO - Sem dúvida,
uma grande conquista para Garanhuns. Soubemos da liberação
de recursos para a construção de nosso aterro sanitário,
obra que há muitos anos nossa cidade vem precisando. Aquele
velho lixão é uma vergonha para todos nós.
Estão de parabéns o Ministro da Saúde Humberto
Costa, o Senador Sérgio Guerra, o Prefeito Silvino Duarte,
e toda a população os maiores beneficiários.
Só esperamos que a obra seja construída, conforme
o projeto inicial (e aqui vai uma alerta para os vereadores), para
que não tenhamos uma nova "usina de compostagem",
como aquela que ficou só no papel, os recursos tendo sido
liberados.
EMBRAPA E ESCOLA DE MÚSICA
- Encontramos o Deputado Izaías Régis e o Prefeito
Sandoval Cadengue, mais uma vez, passando o boné nos ministérios
de Brasília. Izaías, muito feliz, falou da liberação
de recursos para a construção de uma escola de música
em Garanhuns que deverá funcionar em convênio com o
Conservatório Pernambucano de Música. Falou ainda
da implantação de um núcleo da EMBRAPA em nossa
cidade. Vamos torcer para que dê certo, porque são
duas boas idéias.
GRUPO DE AMIGOS - Estamos reunindo
um grupo de amigos conterrâneos que estão espalhados
pelo Brasil e pelo mundo afora para que cada um, dentro de suas
possibilidades, possa dar uma parcela de contribuição
à nossa querida Garanhuns. Contribuições estas
que serão traduzidas em idéias, tempo, influências,
recursos, enfim, vamos tentar reunir um certo capital social e intelectual,
nascido em nossa cidade, que está disperso pelo mundo afora
e que precisa ser chamado para ajudar. Afinal de contas, não
podemos dar as costas a esta cidade que tanto amamos, e que tanto
contribuiu para a nossa formação. Breve estaremos
com uma página na Internet.
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