Garanhuns, 30 de agosto de 2003
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COLUNAS
 

HUMOR

Raulzito


O espetáculo do crescimento

A crise tá braba. Os comerciantes da Avenida Santo Antônio, do Shopping Popular, os flanelinhas do centro, as meninas da rua da madeira, os donos das rádios locais, os proprietários dos colégios particulares, os professores e até alguns empresários do ramo de farmácia (acredite se quiser) estão igualmente fodidos.

O presidente prometeu um tal "espetáculo do crescimento", e enquanto este não vem neguinho tá vendendo as coisas de casa pra poder comer.


A coisa é tão séria, vejam só, que mesmo a Viviane, minha namorada, uma loirinha mais alienada do que o Roberto Carlos, outro dia tava reclamando.

- Raulzinho, meu filho, estou sem dinheiro de comprar pilha pra o rádio. Assim não posso mais ouvir a Ronda nem o programa do Marcos Caroço - disse, toda triste, a Vivi.

E ela, que nunca ouviu falar do Palocci, tomou algumas medidas econômicas muito relevantes: deixou de usar modess e quando vêm as tais regrinhas enfia uns panos velhos entre as pernas e estanca a sangueira. Também cortou o shamppo, mesmo o Juvena, e agora lava o cabelo, dia sim, dia não, com sabão amarelo.

Na feira de supermercado, deixou a vaidade de lado e está evitando o Hiper. Está comprando tudo num mercadinho lá da Duque de Caxias e garante estar fazendo uma economia de 20 reais por feira, ao trocar o luxo e a limpeza pela simplicidade e um fedorzinho de leve.

Imagine que nem camisinha ela compra mais, uma despesa que sempre fez questão de fazer. Agora é na tabela e eu já pensei, cá com os meus botões: "se falhar feito o time do Náutico logo vai ter outro Raulzito no mundo para infernizar a vida dos bundões".

A Viviane, coitada, nem pega ônibus mais. Os 85 centavos da primeira viagem ela gasta com o pão do café da manhã e a mesma fortuna da viagem de volta fica para o pão da janta.

Tô preocupado, tô mesmo. Desse jeito a Vivi vai ficar cheia de varizes e eu não tenho a mínima condição de levá-la pra o Dr. Jorge Lira. Ainda mais que minha namorada cortou a lavadeira e vai pra o tanque lavar calça jeans, cueca, forro de cama, toalha e os tais panos usados no período menstrual.

Até a alimentação está racionada. Pelo amor de Deus! Será que aqui vai ficar como em Cuba? Sintam o drama, meus queridos leitores: a Vivi não compra mais verdura, deixou de fazer sopa e carne no almoço agora só na quarta e no domingo. No outros dias é banana e ovo, ovo e banana. E se acontecer de ficar com o intestino preso, de tanta banana, onde vamos poder comprar o remédio pra liberar o organismo?

Vocês podem achar que estou fazendo drama, porque moram em Heliópolis, são funcionários públicos, gerentes da Caixa ou do Banco do Brasil, políticos pilantras, juízes e não passam por maus momentos, como eu, vendo a namorada definhar.

Imagine se ela, fraquinha, não tiver mais condições de praticar nosso esporte favorito, que é sexo pela manhã, no final da tarde, no meio da noite e de madrugada.

Então, será uma tragédia completa. A gente já não tem cinema, não pode pagar um filme de vídeo, tomar uma cerveja no pólo dos maconheiros de Heliópolis nem pensar, restaurante ninguém é doido de passar nem pela porta e agora correndo o risco de ficar sem a trepadinha...

Presidente Lula, pelo amor de Deus, promova logo, junto com seu Palocci, esse tal de espetáculo de crescimento. Faça isso o mais rápido possível, porque senão aqui em casa não vai crescer mais nada, nem mesmo com a força do Viagra.