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Bartolomeu Quidute acusa Silvino de esquecer o
social
Natural de Flores, no Sertão de Pernambuco, Bartolomeu Quidute
está em Garanhuns há mais de 20 anos, atuando como
médico. Graças à sua profissão, angariou
muita simpatia na cidade, sobretudo na área popular. E foi
esse prestígio junto à massa que terminou por lhe
colocar na política.
Em 1992, numa eleição que deveria ser decidida entre
o advogado Givaldo Calado e o médico José Tinoco,
o ginecologista Bartolomeu terminou surpreendendo. Correu por fora
e na reta final ganhou a eleição com sobra de votos.
Governou Garanhuns abrindo mais a prefeitura para a periferia,
investindo em áreas como Manoel Chéu, Várzea,
Liberdade e Indiano. Seu governo foi questionado em vários
aspectos, principalmente por conta da nomeação excessiva
de parentes para os cargos de primeiro e segundo escalão.
Nem por isso, contudo, deixou de fazer o seu sucessor, em 1996,
elegendo o até então opaco vereador Silvino Andrade
contra o favoritíssimo Ivo Amaral.
Rompido com o prefeito, Bartolomeu Quidute disputou uma eleição
de deputado estadual mas não conseguiu se eleger. No ano
2000, disputou a prefeitura contra o ex-aliado Silvino (que fez
uma primeira gestão pontuada por muitas obras) e foi massacrado
nas urnas, perdendo a eleição por 10 mil votos de
diferença.
Agora, mais maduro, aliado do deputado Izaías Régis,
Bartolomeu se prepara para disputar mais uma eleição.
Declara que não será candidato "se não
quiser" e dá demonstrações de confiar
no parlamentar do PTB. "O cidadão Izaías é
diferente do cidadão que é prefeito de Garanhuns",
observa, convencido de que foi vítima da uma das maiores
traições políticas que já aconteceram
na história do Brasil.
O resultado completo da entrevista, feita originalmente no jornal
da Rádio Marano, você confere a seguir, com edição
e texto de Roberto Almeida.
CORREIO - Como é que o Sr. vê
a atual administração de Garanhuns, depois de sete
anos do Governo Silvino?
BARTOLOMEU - Acho melhor deixar esse julgamento
para o próprio prefeito e para o povo de Garanhuns, que tem
mais condições de julgá-lo. Eu sou um político
que procuro fazer uma política séria, sem estar agredindo
o adversário, apesar de ser tão agredido. Só
que ninguém chuta pessoa morta, só se chuta a pessoa
viva. Existe até um ditado que diz: ninguém chuta
cachorro morto".
CORREIO - Naturalmente que por uma questão
de ética, já que foi um aliado do prefeito, o Sr.
evita fazer esse julgamento. Mas nas suas caminhadas pela cidade,
no seu contato com a população, diria que Garanhuns
está bem, a população está satisfeita?
BARTOLOMEU - Eu posso falar por mim. Se eu
tivesse sido prefeito nesses últimos sete anos, poderia dizer
o que teria feito pelo município, já que cada um tem
uma maneira de administrar. Eu tenho o meu jeito, o prefeito atual
tem o dele.
CORREIO - Então o que o Sr. teria feito?
BARTOLOMEU - Como você sabe no meu governo
eu priorizei o social. Procurei construir as coisas de baixo pra
cima, de forma que o crescimento econômico da cidade estava
aumentando, mas também o desenvolvimento social. O crescimento
com justiça e formação de cidadãos.
Procurei trabalhar reduzindo a violência, o desemprego e isso
conseguimos até certo ponto obter bons resultados. Se continuasse
esse trabalho seria nessa linha, procurando organizar o povo e a
sociedade. Da minha parte há uma preocupação
com a saúde, a educação e a geração
de empregos. E isso aí só pode vir com valorização
da mão-de-obra local. Se fizer assim o dinheiro circula no
município e diminui a concentração de renda.
CORREIO - Isso não tem acontecido ou
tem muito dinheiro de Garanhuns circulando em outras cidades?
BARTOLOMEU - Como eu disse a você cada
pessoa tem seu jeito de governar. Eu priorizo sempre o social porque
acho que assim se consegue o desenvolvimento. Se fizer diferente
irá se concentrar muito nas mãos de poucos e pouca
renda na mãos de muitos. É o que tem ocorrido porque
o prefeito atual não prioriza as obras sociais. Se tivesse
continuado nesses sete anos teria procurado investir aqui dentro
e ao mesmo tempo levar a imagem de Garanhuns lá pra fora.
CORREIO - Algumas idéias suas, defendidas
quando o Sr. era prefeito, foram adotadas pelo prefeito Silvino,
não é verdade?
BARTOLOMEU - Eu fico feliz que o prefeito
tenha realizado alguns dos meus projetos, pois quem ganhou com isso
foi Garanhuns, que precisa se modernizar cada dia mais. Mas insisto
que muitas coisas foram feitas sem justiça social. Eu por
exemplo jamais faria o camelodrómo, que foi idéia
minha, na Avenida Santos Dumont. Porque Garanhuns já é
uma cidade que tem o centro comercial pequeno. E futuramente não
pode ficar tudo na Santo Antônio. Colocar o camelódromo
naquele local foi um absurdo. Prejudicou o trânsito, o mercado
18 de agosto e outras lojas comerciais do centro. O meu projeto
era colocar os ambulantes por trás de Ferreira Costa, no
local do Centro Administrativo.
CORREIO - Se voltar a ser prefeito o que o Sr.
fará com o shopping popular?
BARTOLOMEU - Eu teria de ouvir todo o povo
que está comercializando. Acho que ninguém pode fazer
nada só. O somatório das idéias é que
dá condição de viabilizar uma saída
melhor.
CORREIO - Eles reclamam muito o fato de não
passar o ônibus na Avenida...
BARTOLOMEU - E não tem nem condições
de passar o ônibus por ali, já que o local é
muito estreito. Na área do antigo cinema Jardim esse problema
não existiria. Foi um erro pra muitas coisas, tanto para
o tráfego quanto para o comércio.
CORREIO - Como o ex-prefeito vê toda essa
polêmica em torno da zona azul?
BARTOLOMEU - A zona azul é necessária,
pois o centro precisa de um ordenamento. Mas não pode abranger
tudo, incluir até mesmo áreas residenciais. Um cidadão
tem uma marcação de zona azul em frente de sua casa
vai colocar o veículo onde? E tem a questão dos flanelinhas.
Antes de implantar o estacionamento rotativo deviam ter promovido
um encontro com os lavadores de carro de modo a permitir a eles
trabalho e um salário digno. Fizeram o negócio de
um jeito que mexeu com a vida de várias famílias.
Na minha opinião houve mais uma vez uma insensiblidade muito
grande do poder público.
CORREIO - Quando o Sr. enfatiza essa questão
do social defende que o poder público tem de valorizar mais
o ser humano?
BARTOLOMEU - Tudo na vida existe por conta
do ser humano. O grande problema que está havendo em nosso
país é que não se investe quase nada no homem.
Veja que o Brasil nem tem condições de concorrer com
os Estados Unidos e a Europa por conta das altas taxas de analfabetismo
que temos. E temos problemas sérios também na saúde.
Infelizmente, a obra eleitoreira, de pedra e cal na maioria das
vezes é que dá o voto. Pra mim a obra mais importante
é dar condições de vida dignas ao povo.
CORREIO - A nova entrada de Garanhuns, o chamado
acesso leste, também foi idéia sua? E foi feita da
forma como foi idealizada?
BARTOLOMEU- É claro que foi. Só
que eu pensei, e isso está nos arquivos de O Monitor, que
ali devia ser feita a entrada da cidade. E a entrada da cidade está
mais na frente. O meu projeto seria feito de uma forma a beneficiar
muito a história de Garanhuns. Quando alguém chegasse
já teria informações sobre as Sete Colinas,
mas acontece que o projeto foi modificado.
CORREIO - Quando prefeito o Sr. nomeou muitos
parentes para os cargos de confiança da prefeitura. Caso
volte a administrar Garanhuns essa prática seria modificada?
BARTOLOMEU - Sem dúvida nenhuma. Tentaram
usar isso aí como bandeira de campanha contra minha pessoa,
mas o importante foram os frutos que ficaram da minha administração.
Na época o meu grupo era pequeno e tive realmente de ter
pessoas de minha confinça nas secretarias. Mas o trabalho
funcionou a contento, tanto que elegi meu sucessor, que é
o atual prefeito, só que depois ele foi pra onde quis. Eu
acho que o nepotismo é prejudicial quando tem alguma pessoa
de sua família ganha sem fazer nada. Quando você tem
alguma pessoa da família que trabalha e a pessoa vê
esse trabalho, acho que aí não há nada demais.
E quando você está aperreado, quem chega primeiro junto
é a família. Graças a Deus a minha família
é muito unida. E os que prestaram serviço a Garanhuns
continuam exercendo suas atividades porque são peessoas formadas,
com condições de trabalhar em qualquer lugar. Mas
hoje eu não teria necessidade de nomear parentes, porque
agora eu tenho um grupo político amplo.
CORREIO - Muitos do seu próprio grupo
político acreditam que o candidato a prefeito do PTB será
Izaías e não Bartolomeu. Por que as pessoas não
acreditam muito na sua candidatura?
BARTOLOMEU - Olha, tem coisas traumáticas
que ocorrem na nossa cidade. Você sabe que o maior ato de
traição ocorrido talvez na história política
desse Brasil todo foi a traição do prefeito que aí
está em relação a minha pessoa. Não
propriamente a Bartolomeu, mas ao que foi prometido nas ruas de
Garanhuns. Hoje existe entre a minha família e a do deputado
Izaías Régis uma amizade fraterna. Muita gente fica
cutucando, tentando nos separar, mas não vão conseguir,
não vão separar nunca. Porque nossa aliança
foi feita pensando em Garanhuns e no Agreste. E não se pode
confundir o cidadão Izaías com o prefeito atual. O
deputado tem reiterado que me apóia, mas eu digo sempre que
não adianta ser candidato sem o apoio do povo. E essa população
tem dados demonstrações frequentes de estar do meu
lado. Posso dizer que não serei candidato se não quiser.
E tem muita gente pedindo a nossa volta. Minha e de Rosa, uma companheira
que tem me acompanhado e dado uma condição muito grande
de conquistar avanços na área política e muitas
amizades.
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