Garanhuns, 16 de agosto de 2003
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NOTAS DE BRASÍLIA

Alexandre Marinho


Agora, só falta um projeto.

Domingo passado, li uma reportagem no Jornal do Commercio falando da grande quantidade de candidatos à sucessão municipal, em Garanhuns.

Sem nenhuma demagogia, nós, que somos da "Terra do Presidente", sabemos que todos os nomes que foram citados são pessoas de bem, inteligentes, respeitados, bem intencionados e, sem dúvida, pelo que já conhecemos, proporcionarão uma campanha política de alto nível à nossa cidade.

Agora, acho que o que falta é apenas a discussão em torno de um PROJETO DE DESENVOLVIMENTO para Garanhuns.

Essa estória de ficar prometendo pavimentação de ruas, construção de praças e cuidando de jardins, embora seja importante, é um modo de administrar do tempo do ronca (eita palavrinha velha!).

Antes de discutirmos nomes, deveríamos levar à exaustão a questão cujo foco seja o "para onde e de que forma devemos caminhar".

Um Prefeito que tenha um mínimo de respeito pelo seu Vice, por exemplo, pode muito bem delegar a este a tarefa de gerir as questões domésticas e ir à luta em busca de recursos para o município e em busca de novas alternativas de crescimento.

Seria importante discutirmos uma estratégia de desenvolvimento daquelas que observamos nos municípios do interior do Paraná, de Santa Catarina, de São Paulo, ou seja, a nossa primeira, segunda e terceira prioridades deveriam ser a geração de emprego e renda.

Aliás, não precisa nem ir tão longe. Basta pegarmos um ônibus e darmos uma chegadinha até os municípios de Petrolina, Toritama, Santa Cruz do Capibaribe, Poção e outros que descobriram o caminho da produção, da exportação, do desenvolvimento.

Esta cidade está sendo ingrata com os seus filhos. Não está lhes dando condições de sobrevivência, e é por isso que muitos já foram embora.

Do jeito que as coisas estão indo, daqui mais alguns anos só teremos em Garanhuns: Ferreira Costa, Pérola Jóias e mais uma meia dúzia de agiotas.

Garanhuns Precisa criar o Programa DESEMPREGO ZERO.

Precisamos pensar grande, ampliar os nossos horizontes. Pensar global e agir localmente.

Com a duplicação da BR 232, se não corrermos rápido, o nosso turismo, que é uma de nossas mais fortes vocações (mas não a única) será engolido pelos municípios que estão na margem desta Rodovia: Gravatá, Bezerros, Caruaru ...

E a hora é essa. Estamos com um padrinho político muito forte. O Dr. Armando Monteiro é hoje um dos homens mais poderosos do país e um dos parlamentares mais respeitados do Congresso Nacional. Se não conseguirmos, agora, encontrarmos o caminho do crescimento, não sei quando teremos outra oportunidade. O "cavalo selado" está à nossa frente.

Não podemos nos dar ao luxo de termos quase um milhão de máquinas e equipamentos enferrujando dentro de um velho galpão da CEAGEPE. Isto é crime. Os esforços da nossa querida e competente Ielma Lucena não podem ter sido em vão.

Dr. Armando e o Deputado Izaías Régis, com o qual, vez por outra, me encontro nos corredores de Brasília, tentando conseguir recursos para Garanhuns, têm condições de fazer estas máquinas funcionarem. E até me parece que já tentaram fechar um convênio nesse sentido.

O Banco Mundial, o Banco do Brasil, o BNDS e tantos outros bancos de fomento têm dinheiro aos montes para financiar o nosso desenvolvimento, mas nos faltam idéias, projetos, criatividade. Nós temos preferido o cômodo caminho da mediocridade.

Será que é coisa do outro mundo transformarmos o Monte Sinai em um Centro de Convenções? Imaginem a injeção de recursos que seria se conseguíssemos levar pra nossa cidade pelo menos 3% dos eventos que são realizados no nordeste.

Por que não estudarmos a possibilidade de implantação de uma indústria de fécula (amido de mandioca) em nossa cidade. Um consórcio intermunicipal, ou uma cooperativa de agricultores poderia ser o caminho legal para a viabilização desse negócio cujo produto, o amido, é matéria-prima para uma enorme quantidade de outras indústrias.

É um negócio com mercado garantido. Sem contar que Garanhuns e os municípios vizinhos têm a vocação natural para o plantio da mandioca. Basta dar uma olhadinha nos dados do IBGE.

Se mesmo lajedo, com suas limitações, vem de forma tão pujante construindo o seu promissor parque industrial, se especializando na confecção de móveis, o que é que nos impede de nos transformarmos num pólo exportador de artesanato, por xemplo?

Na verdade, falta o Governo Municipal tratar o desenvolvimento como prioridade. E não adianta dizer que a culpa é somente do Estado ou do país, porque as iniciativas podem e devem partir do próprio município.

E são estas questões que precisam ser levantadas pelos postulantes ao Executivo Municipal.

O Desenvolvimento Local Integrado Local e Sustentável é uma excelente estratégia de desenvolvimento, recomendada inclusive pela ONU, que nos ensina que os atores locais podem ser os maiores agentes do crescimento econômico e social.

E eu até bem sei que o amigo Ivan Júnior, nosso Secretário de Turismo e Desenvolvimento, é uma pessoa de visão, pensa longe, é trabalhador e muito bem intencionado, mas o cabresto que lhe foi imposto, mal lhe permite mexer com a cabeça.

Mas, a gente precisa avançar e, para isso eu até arrisco dar uma sugestãozinha: porque a CDL não convida o economista Josué Mussalém para proferir uma palestra em nossa cidade? Ele é um expert na questão do modelo de desenvolvimento adotado no interior da Itália, região que já viveu momentos muito difíceis como este pelo qual estamos passando, mas que com a implantação dos "clusters" (das cadeias produtivas), tornou-se exemplo de desenvolvimento para todo mundo. Aliás o SEBRAE publicou um livro de autoria deste economista, sobre este tema, muito interessante.

Na verdade, tem muita coisa que podemos fazer. Basta um pouquinho de ousadia. Agora, antes, precisamos nos desgarrar dos velhos conceitos. Precisamos passar por um processo de desaprendizagem, para que novas idéias possam entrar e arejar nossas mentes.

Abaixo o medo do novo, abaixo o conservadorismo! Até porque nada disso é apenas sonho, miragem ou utopia. A gente precisa ir mais além, acreditar, trabalhar, fazer. A gente precisa acordar.

Acorda, Garanhuns!