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NOTAS DE BRASÍLIA
Alexandre Marinho
Agora, só falta um projeto.
Domingo passado, li uma reportagem no Jornal do Commercio falando
da grande quantidade de candidatos à sucessão municipal,
em Garanhuns.
Sem nenhuma demagogia, nós, que somos da "Terra do
Presidente", sabemos que todos os nomes que foram citados são
pessoas de bem, inteligentes, respeitados, bem intencionados e,
sem dúvida, pelo que já conhecemos, proporcionarão
uma campanha política de alto nível à nossa
cidade.
Agora, acho que o que falta é apenas a discussão
em torno de um PROJETO DE DESENVOLVIMENTO para Garanhuns.
Essa estória de ficar prometendo pavimentação
de ruas, construção de praças e cuidando de
jardins, embora seja importante, é um modo de administrar
do tempo do ronca (eita palavrinha velha!).
Antes de discutirmos nomes, deveríamos levar à exaustão
a questão cujo foco seja o "para onde e de que forma
devemos caminhar".
Um Prefeito que tenha um mínimo de respeito pelo seu Vice,
por exemplo, pode muito bem delegar a este a tarefa de gerir as
questões domésticas e ir à luta em busca de
recursos para o município e em busca de novas alternativas
de crescimento.
Seria importante discutirmos uma estratégia de desenvolvimento
daquelas que observamos nos municípios do interior do Paraná,
de Santa Catarina, de São Paulo, ou seja, a nossa primeira,
segunda e terceira prioridades deveriam ser a geração
de emprego e renda.
Aliás, não precisa nem ir tão longe. Basta
pegarmos um ônibus e darmos uma chegadinha até os municípios
de Petrolina, Toritama, Santa Cruz do Capibaribe, Poção
e outros que descobriram o caminho da produção, da
exportação, do desenvolvimento.
Esta cidade está sendo ingrata com os seus filhos. Não
está lhes dando condições de sobrevivência,
e é por isso que muitos já foram embora.
Do jeito que as coisas estão indo, daqui mais alguns anos
só teremos em Garanhuns: Ferreira Costa, Pérola Jóias
e mais uma meia dúzia de agiotas.
Garanhuns Precisa criar o Programa DESEMPREGO ZERO.
Precisamos pensar grande, ampliar os nossos horizontes. Pensar
global e agir localmente.
Com a duplicação da BR 232, se não corrermos
rápido, o nosso turismo, que é uma de nossas mais
fortes vocações (mas não a única) será
engolido pelos municípios que estão na margem desta
Rodovia: Gravatá, Bezerros, Caruaru ...
E a hora é essa. Estamos com um padrinho político
muito forte. O Dr. Armando Monteiro é hoje um dos homens
mais poderosos do país e um dos parlamentares mais respeitados
do Congresso Nacional. Se não conseguirmos, agora, encontrarmos
o caminho do crescimento, não sei quando teremos outra oportunidade.
O "cavalo selado" está à nossa frente.
Não podemos nos dar ao luxo de termos quase um milhão
de máquinas e equipamentos enferrujando dentro de um velho
galpão da CEAGEPE. Isto é crime. Os esforços
da nossa querida e competente Ielma Lucena não podem ter
sido em vão.
Dr. Armando e o Deputado Izaías Régis, com o qual,
vez por outra, me encontro nos corredores de Brasília, tentando
conseguir recursos para Garanhuns, têm condições
de fazer estas máquinas funcionarem. E até me parece
que já tentaram fechar um convênio nesse sentido.
O Banco Mundial, o Banco do Brasil, o BNDS e tantos outros bancos
de fomento têm dinheiro aos montes para financiar o nosso
desenvolvimento, mas nos faltam idéias, projetos, criatividade.
Nós temos preferido o cômodo caminho da mediocridade.
Será que é coisa do outro mundo transformarmos o
Monte Sinai em um Centro de Convenções? Imaginem a
injeção de recursos que seria se conseguíssemos
levar pra nossa cidade pelo menos 3% dos eventos que são
realizados no nordeste.
Por que não estudarmos a possibilidade de implantação
de uma indústria de fécula (amido de mandioca) em
nossa cidade. Um consórcio intermunicipal, ou uma cooperativa
de agricultores poderia ser o caminho legal para a viabilização
desse negócio cujo produto, o amido, é matéria-prima
para uma enorme quantidade de outras indústrias.
É um negócio com mercado garantido. Sem contar que
Garanhuns e os municípios vizinhos têm a vocação
natural para o plantio da mandioca. Basta dar uma olhadinha nos
dados do IBGE.
Se mesmo lajedo, com suas limitações, vem de forma
tão pujante construindo o seu promissor parque industrial,
se especializando na confecção de móveis, o
que é que nos impede de nos transformarmos num pólo
exportador de artesanato, por xemplo?
Na verdade, falta o Governo Municipal tratar o desenvolvimento
como prioridade. E não adianta dizer que a culpa é
somente do Estado ou do país, porque as iniciativas podem
e devem partir do próprio município.
E são estas questões que precisam ser levantadas
pelos postulantes ao Executivo Municipal.
O Desenvolvimento Local Integrado Local e Sustentável é
uma excelente estratégia de desenvolvimento, recomendada
inclusive pela ONU, que nos ensina que os atores locais podem ser
os maiores agentes do crescimento econômico e social.
E eu até bem sei que o amigo Ivan Júnior, nosso Secretário
de Turismo e Desenvolvimento, é uma pessoa de visão,
pensa longe, é trabalhador e muito bem intencionado, mas
o cabresto que lhe foi imposto, mal lhe permite mexer com a cabeça.
Mas, a gente precisa avançar e, para isso eu até
arrisco dar uma sugestãozinha: porque a CDL não convida
o economista Josué Mussalém para proferir uma palestra
em nossa cidade? Ele é um expert na questão do modelo
de desenvolvimento adotado no interior da Itália, região
que já viveu momentos muito difíceis como este pelo
qual estamos passando, mas que com a implantação dos
"clusters" (das cadeias produtivas), tornou-se exemplo
de desenvolvimento para todo mundo. Aliás o SEBRAE publicou
um livro de autoria deste economista, sobre este tema, muito interessante.
Na verdade, tem muita coisa que podemos fazer. Basta um pouquinho
de ousadia. Agora, antes, precisamos nos desgarrar dos velhos conceitos.
Precisamos passar por um processo de desaprendizagem, para que novas
idéias possam entrar e arejar nossas mentes.
Abaixo o medo do novo, abaixo o conservadorismo! Até porque
nada disso é apenas sonho, miragem ou utopia. A gente precisa
ir mais além, acreditar, trabalhar, fazer. A gente precisa
acordar.
Acorda, Garanhuns!
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