Garanhuns, 16 de agosto de 2003
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COLUNAS
 

CORREIO CULTURAL

Carlos Janduy


"O Alienista" no Centro Cultural

No dia 4 de setembro, às 11 horas da manhã, no Teatro Luís Souto Dourado (Centro Cultural Alfredo Leite Cavalcanti), estará sendo apresentada, em récita exclusiva às escolas de Garanhuns, o espetáculo "O Alienista", uma adaptação do extraordinário conto de Machado de Assis, feita por Taveira Júnior, responsável também pela produção da peça. E foi com ele que conversamos e recebemos mais informações sobre esse projeto da Cia. Galharufas, do Recife.

O espetáculo é dirigido por Emmanuel David D'Lucard e conta com uma grande performance do experiente ator Marcelino Dias.
O projeto, já consolidado no meio escolar da Região Metropolitana, cumpriu temporada nesse primeiro semestre no Teatro Barreto Júnior, no Recife, perfazendo um número de 142 escolas e 11.780 alunos, em apresentações diárias.

A peça é a sétima adaptação da Companhia, que iniciou seus trabalhos em 1998, com o espetáculo "O Seminarista", montando em anos seguintes: "Inocência", "Memórias Póstumas de Brás Cubas", "Senhora", "O Cortiço" e o espetáculo infantil "A Terra dos Meninos Pelados", da obra de Graciliano Ramos, apresentado dentro da programação do 13º Festival de Inverno de Garanhuns.

O texto é um dos contos mais importantes de Machado de Assis, em 1881, ano inaugural do Realismo no País, e fundamental para se entender toda a fase de Machado de Assis posterior, quando escreveu obras importantes da nossa literatura, tais como "Memórias Póstumas de Brás Cubas" (1881), "Dom Casmurro" (1889) e "Quincas Borba" (1891), dentre outros. O conto é atualmente muito solicitado por concursos e vestibulares de todo o Brasil, além de muito discutido nos meios acadêmicos de diferentes áreas do conhecimento humano. A história do médico Simão Bacamarte, que funda a primeira instituição de internamento de loucos, faz-nos refletir sobre os parâmetros que a sociedade impõe sobre o comportamento e pensamento de todos.

O espetáculo é um monólogo, com duração de 50 minutos; tem um cenário muito interessante, em que são utilizados andaimes e a seqüência e encadeamento são diferentes da obra literária, começando, inclusive, pelo final do conto.

Ao comprar o ingresso, o expectador terá direito ao livro "O Alienista". Portanto, aí está uma boa oportunidade para assistirmos um ótimo espetáculo e ainda levar para casa uma excelente obra.


Correspondência

A semana passada recebemos de Marília Jackelyne Nunes, estudante do Curso de Direito, da UFPE, o seguinte e-mail:

"Caro Janduy, mais uma vez, Garanhuns prova o seu valor. Não bastasse o talento necessário para organizar um evento nas proporções que toma o Festival de Inverno, o espaço aberto para os artistas locais (concordo com você que foram poucos os que tiveram a oportunidade) foi preenchido brilhantemente.

No caso específico do teatro, as peças da terra de Simoa nada deixaram a dever em relação as de Recife, Maceió e outras cidades.

Folia dos Três Bois, espetáculo infanto-juvenil, encenado pelo Grupo Diocesano de Artes e muito bem dirigido por Sandra Albino, envolveu e encantou crianças e adultos. O texto de Sylvia Orthof foi montado com sensibilidade e beleza. A música, o figurino, a maquiagem, a luz, enfim, tudo foi cuidadosamente preparado para dar certo. Até a imprensa da capital, que dificilmente fala (bem) das produções teatrais do interior, rendeu-se à belíssima apresentação da troupe do Diocesano e teceu vários elogios à peça.

A Décima Oitava Hora, de autoria e direção de Gerson Lima, apresentado pelo Grupo Órion, é um texto contundente, capaz de fazer o espectador refletir sobre a "fome da alma". A música e a plástica do espetáculo arrematam de forma interessante a intenção do autor de fincar com arte a sua mensagem.

Parabéns a todos os artistas de Garanhuns que participaram do 13º Festival de Inverno. Que no próximo, outros mais possam participar do evento, pois, são muitos os talentos da Cidade das Flores".


 

"Uma Vida Nova"

"O mundo moderno sempre aponta os problemas que nos afligem, mas não oferece solução nenhuma. Não se interessa por absolutamente nada, a não ser pelo lucro e pela imagem.

Vivemos num mundo conturbado, onde as pessoas não entendem. A competição cria muito movimento, mas não contribui para que haja um melhor relacionamento entre as pessoas e uma verdadeira união.

Aconteceu que eu me dediquei intensamente, por muito tempo, aos outros, quis mudar o mundo e esqueci de mim. Através dessa experiência, resolvi tomar as minhas próprias decisões, as mais importantes da minha vida: aprendi a ter amor próprio, a me valorizar como ser humano e encontrar a minha auto-estima. Nunca é tarde para mudar de vida.

No livro Fantasmas Paradoxais No Sol Nascente, que em breve será lançado, falo do alcoolismo como uma doença e busco uma maneira de levar às pessoas que precisem, uma compreensão do seu problema.

Um dos maiores problemas do homem moderno é a depressão. Atrapalha ainda mais a convivência das pessoas.

Esse livro, no qual relato as minhas experiências, também não deixa de ser um alerta para que não se perca a fé nem o respeito em si mesmo".

Aderbal A. P. Monteiro