Garanhuns, 02 de agosto de 2003
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Justiça concede posse do terreno do Sete a ex-diretor

Núbia Kênia


"De fato e de direito, esse terreno me pertence. Qualquer prática que vem a acontecer naquele estádio, a partir desta data, tem que ser com a minha autorização, ou então o clube terá que se sentar comigo e reverter essa dívida. Sua diretoria tem até Janeiro, quando devem precisar do Estádio, para ver como ira reverter esse quadro". Essa declaração é do consultor financeiro, Alexandre Guilherme Rodrigues de Melo, 41 anos, que, no início desta semana, recebeu a posse de 25%, referente 1 000 m2, , do terreno onde está construído o Estádio do Sete de Setembro Esporte Clube, localizado no bairro do Indiano, em Garanhuns. A posse foi presidida pelo Oficial de Justiça, José Cláudio Cavalcanti Silva, e aconteceu no próprio Estádio do Sete, quando na oportunidade, Álvaro Fernandes, atual presidente da Associação Atlética de Garanhuns, também tomou posse, porque comprou uma parte do terreno a Alexandre.

O episódio, pouco comum, chamou a atenção de boa parte da população de Garanhuns, provocando certa polêmica em algumas camadas da sociedade Garanhuns, principalmente nos mais exaltado, como é o caso de Severino Sabino Filho, mais conhecido como Sílvio, atual diretor do Colégio Jerônimo Gueiros, na época presidente do Conselho do Sete, entrou na resenha esportiva da Rádio Jornal e "soltou o verbo", usando palavras de baixo escalão, contra Alexandre Guilherme. Por conta disso, ainda esta semana, o consultor financeiro está movendo uma ação contra o mesmo. "Estranho o fato de um diretor de um colégio renomado, como é o Estadual, usar o tipo de linguagem que ele usou, contra minha pessoa. A que ponto está a educação em nossa cidade", desabafa Alexandre Guilherme.

Sobre a sentença de posse, o atual diretor presidente do Sete de Setembro Esporte Clube, Hélio Tadeu, avisou que vai recorrer da sentença na Justiça. "Temos 15 dias par fazermos uma réplica da sentença. Estamos aguardando notícia do Departamento Jurídico", afirma Hélio Tadeu.

COMEÇO - Segundo relata Alexandre, tudo começou quando em 1995, quando ele estava à frente do Sete de Setembro, como diretor de futebol. Naquela época, durante o decorrer do campeonato, surgiram uma série de dividas, sendo necessário realização de um empréstimo junto a Caixa Econômica Federal no valor de R$ 5 mil reais. Porém, como o clube não tinha credibilidade, o crédito foi concedido através de Alexandre, que foi avalista.

Durante o período que estava no clube, Alexandre foi administrando o saldo devedor do empréstimo. Nessa época, houve problemas entre Alexandre e a imprensa falada da cidade, além dos inúmeros problemas financeiros já existentes. Então, o então, prefeito Bartolomeu Quidute foi a Rádio Jornal e disse que se a diretoria do Sete se afastasse, ele pagaria todas as dividas do clube.

Diante deste impasse, a diretoria, de comum acordo, resolveu renunciar. "Só que o prefeito ao assumir o clube, juntamente com Severino Sabino Filho, na época presidente do Conselho do Sete, disseram que as dívidas assinadas por Alexandre Guilherme e o diretor Izaías Régis, hoje deputado estadual, não seriam quitadas. Por este motivo, mesmo com muita dificuldade, Alexandre teve que começar a liquidar o empréstimo, conseguindo pagar 80% da dívida.

Partindo desse problema, nos meados de 1996, Alexandre entrou com uma ação para recuperar os 80% que havia pagado do próprio bolso, cerca de R$ 6 mil reais, já que o clube é uma empresa constituída e tem patrimônio. De lá pra cá foi adjudicado o terreno no nome da vítima, dando direito de Alexandre registrar um hectare do lote do clube em seu nome, isto em 2001. A partir daí, foi solicitado da Justiça à imissão de posse do local, concretizado na última segunda, dia 28, mas precisamente onde está construída as arquibancadas e uma parte do campo de futebol.