Garanhuns, 23 de julho de 2003
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Turistas avaliam o FIG

Núbia Kênia


Há exatos treze anos Garanhuns abriu os caminhos da rota do frio, quando, o então prefeito, Ivo Tino do Amaral criou o Festival de Inverno de Garanhuns (FIG). Com o passar dos anos a idéia foi crescendo e tomando uma grande dimensão, que todos os anos atraí milhares de pessoas durante os dez dias de festa, fazendo com que o FIG seja reconhecido como um dos maiores eventos de caráter cultural do Brasil.

No último sábado Garanhuns teve que se despedir do festival, que transformou a cidade, de pouco mais de 120 mil habitantes, no palco de todas as tribos, onde tudo e todos era novidade. Além das atrações teatrais, circenses, musicais, dança, arte, e um pólo gastronômica de dá inveja a qualquer capital, passaram pela cidade milhares de turistas oriundos das mais diversas regiões do Brasil. Sem a grande quantidade de visitantes, que lotaram os hotéis e casas da cidade, a festa não seria tão forte. A reportagem do CORREIO SETE COLINAS ouviu alguns desses visitantes para saber sua opinião sobre essa 13ª edição do FIG.

Dentre os itens destacados no FIG, a maioria das pessoas entrevistadas apontaram como a grande marca do evento a grande diversidade dos pólos. Entretanto, criticaram a programação da Esplanada Cultural Guadalajara, considerado o pólo mais forte da festa por trazer apresentações de artistas renomados, e que este ano, em alguns dias, atraiu pouco público. Outro ponto negativo do evento, segundo as mais de 30 pessoas ouvidas, foi à falta de depósitos para lixo nos pólos culturais e a falta de sincronia dos horários das apresentações. "Achei as atrações da praça principal muito fracas, e pouco divulgadas. Talvez essa falta de publicidade informando "quem é quem" que vai subir no palco, fez com que a movimentação na Esplanada diminuísse este ano. Já que o investimento do Governo Federal é alto, os organizadores deveriam selecionar melhor os shows da praça com mais artistas renomados nacionalmente", sugere o empresário mineiro José Luis Soares, que participa pela terceira vez do FIG. A seguir outras opiniões dos visitantes sobre o festival.

OPINIÕES- Pela primeira vez no FIG, a estudante recifense Carla Cristina do Monte disse que adorou a variedade do FIG. "Os eventos nos pólos culturais foram ótimos, exceto no palco do forró que encerrava as apresentações muito cedo, fazendo com que muitos turistas fiquem com poucas opções, na madrugada, quando acabavam os shows da Esplanada Cultural Guadalajara", define Carla.

Já Juliana de Melo Lima, que é filha de Garanhuns, mas mora em Recife, conta que participou de sete festivais, e que essa 13ª edição foi um show de diversidade dos palcos, dos ritmos, e do resgate da cultura pernambucana. Ela, também, reclama a falta de sincronia nos horários das apresentações, pois deveria terminar em um pólo e começar em outros, como também, diz que os investimentos nos shows musicais foram fracos, fazendo com que diminuísse o público da praça. "Poucas atrações foram realmente boas, e alguns eram legais mais o público não sabia a trajetória do artista. Isto prejudicou até os músicos que tiveram que fazer shows para pouco público, fazendo com que não tenha uma imagem boa do FIG, que é de atrair grande multidão", salienta.
Pelo sexto ano consecutivo participando do evento, o universitário Charles Eduardo Nogueira, , afirma que o FIG se renova a cada ano, mostrando sempre novidades que agradam os visitantes. Ele apontou o aspecto da limpeza com um ponto negativo dos pólos culturais, como o Parque Euclides Dourado, por exemplo. "Por incrível que pareça, era difícil encontrar lixeiros em vários locais. Isto é uma questão importante em qualquer festa, pois se não temos onde depositar o lixo, vamos colocar no chão. Isso causa uma má impressão a um evento tão grande", avalia o estudante.

Mônica de Melo Medeiros, que cursa Biologia no Recife, também, concorda com Chalés sobre os poucos lixeiros instalados nos pólos. Ela revela que participou intensivamente da programação, mas destaca, principalmente, as apresentações de palco da dança, instalado no Parque Euclides Dourado. "Cada ano aumentam os espaços das áreas para assistirem os espetáculos, a diversidade foi muito enriquecedora para a cidade e para todos os visitantes, que puderam desfrutar de espetáculos maravilhosos, como os assistidos no palco da dança", ressalta.

A bailarina Íris Domingos Barbosa Campos foi mais contundente. Em outras edições Íris veio apenas nos finais de semana, e neste FIG chegou em Garanhuns quase no inicio da festa e participou continuamente dos espetáculos. "A festa é grandiosa, mas senti falta de organização nos horários, que se tornaram confusos. Em alguns pólos foram divulgados nomes de artista, e no dia eles não apareceram, e nem uma satisfação a platéia recebeu. O pior de tudo foi o fato do público ter que pagar a entrada para o Teatro, já que o restante da programação do festival é gratuito. É como se tivessem elitizando o teatro. Não é todo mundo que pode pagar R$ 3,00 para assistir as peças ", critica a bailarina.

Em relação aos anos anteriores, Cristiane Cabral Fidelis de Oliveira, avalia que o palco do forró melhorou bastante, mas o palco da Guadalajara caiu muito, deixando a desejar, faltando divulgação maciça dos artistas, para que o público saiba quem é realmente que estará no palco naquele dia. "A cantora Edilza é uma artista maravilhosa. Entretanto, poucas pessoas assistiram seu show, realizada na segunda-feira, dia 14, porque não sabiam nem mesmo que estilo musical que ela cantava", explica. Ela sugere que os organizadores deveriam melhorar a infra-estrutura dos palcos, porque o palco pop e o palco do forró não comportam a quantidade de pessoas que participam dos shows. Além disso, Cristiane reclama da má qualidade de som, principalmente o som do palco da cultura popular, que também deveria colocar seu horário de funcionando mais tarde, pois as apresentações começam muito cedo, horário que muitos visitantes estão dormindo, pelo fato de terem chegado de madrugada dos shows da Esplanada Cultural e do Parque Euclides Dourado.

O comerciante de Maceió-AL, Custódia dos Santos Valério Júnior, foi só elogios a organização do evento, que segundo ele trouxe muitas opções para crianças e adultos. Junto com sua esposa, filhos, e sogra, Custódio aponta a música instrumental do Parque Ruber Van Der Linden como o local mais maravilhoso do FIG.

"É o terceiro ano que venho ao Festival. O nível do evento é crescente, mas a praça principal, na Guadalajara, ficou mais esquecida, não trazendo atrações de grande peso, que sempre foi um marco do FIG para atrair o turista. Acredito que o fato da divulgação da programação ter sido muito em cima, do início do evento, tenha prejudicado festa. Só soube 15 dias antes, e isto é um período muito curto para o turista se preparar para vir a Garanhuns", diz Maria Amélia da Silva, executiva do Rio Grande do Norte.

Patryck Lourenço, é universitário do curso de Turismo e Hotelaria da Universidade do Estado da Bahia, e veio vivenciar o Festival de Inverno, junto com a família. Mesmo pegando o evento pela metade, ele considera a festa bem organizada e enaltece a presença de policiais em toda a cidade. Em relação a apresentações dos artistas, o estudante aplaude a representação da Cultura Popular no palco da av. Santo Antônio, bem como, as atrações do Parque Euclides Dourado. "A única ressalva é que deveria haver uma explicação histórica de cada tipo de acontecimento cultural, para que o público saiba o que está assistindo, ficando ainda mais envolvido", explica.

Além do grande público que freqüentou os pólos culturais do FIG, teve também muitas pessoas que participaram e visitantes das oficinas de artes, que este ano chegou à periferia da cidade abrangendo os moradores do bairro do Indiano. A paulista e artista plástica Fernanda Celiberte foi uma delas. Com uma visão mais ampla do trabalho realizado nas oficinas, principalmente por ser artista plástica e estudiosa da cultura, tendo participado de aulas de circo, entre outros, Fernanda se queixou dos alguns instrutores dos cursos ministrados nas oficinas. "Ao visitar as oficinas encontrei alguns professores despreparados para o nível do programa direcionado para os alunos. O palco instrumental foi muito bom, mais a programação em si do FIG, achei fraca. Queria também ver mais artes plásticas no festival.", enfatizou Fernanda.

É claro que as opiniões acima retratam um percentual muito pequeno em relação ao número de visitantes que vieram a Garanhuns para assistirem o FIG. Mesmo assim, o evento foi esplendoroso e teve muita gente que só teceu elogios, porém as criticas são construtivas e devem ser vistas, pelos organizadores, para que os mesmos tomem as devidas providências, para que no próximo ano a 14º edição do Festival de Inverno seja melhor ainda.