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Turistas avaliam o FIG
Núbia Kênia
Há exatos treze anos Garanhuns abriu os caminhos da rota
do frio, quando, o então prefeito, Ivo Tino do Amaral criou
o Festival de Inverno de Garanhuns (FIG). Com o passar dos anos
a idéia foi crescendo e tomando uma grande dimensão,
que todos os anos atraí milhares de pessoas durante os dez
dias de festa, fazendo com que o FIG seja reconhecido como um dos
maiores eventos de caráter cultural do Brasil.
No último sábado Garanhuns teve que se despedir do
festival, que transformou a cidade, de pouco mais de 120 mil habitantes,
no palco de todas as tribos, onde tudo e todos era novidade. Além
das atrações teatrais, circenses, musicais, dança,
arte, e um pólo gastronômica de dá inveja a
qualquer capital, passaram pela cidade milhares de turistas oriundos
das mais diversas regiões do Brasil. Sem a grande quantidade
de visitantes, que lotaram os hotéis e casas da cidade, a
festa não seria tão forte. A reportagem do CORREIO
SETE COLINAS ouviu alguns desses visitantes para saber sua opinião
sobre essa 13ª edição do FIG.
Dentre os itens destacados no FIG, a maioria das pessoas entrevistadas
apontaram como a grande marca do evento a grande diversidade dos
pólos. Entretanto, criticaram a programação
da Esplanada Cultural Guadalajara, considerado o pólo mais
forte da festa por trazer apresentações de artistas
renomados, e que este ano, em alguns dias, atraiu pouco público.
Outro ponto negativo do evento, segundo as mais de 30 pessoas ouvidas,
foi à falta de depósitos para lixo nos pólos
culturais e a falta de sincronia dos horários das apresentações.
"Achei as atrações da praça principal
muito fracas, e pouco divulgadas. Talvez essa falta de publicidade
informando "quem é quem" que vai subir no palco,
fez com que a movimentação na Esplanada diminuísse
este ano. Já que o investimento do Governo Federal é
alto, os organizadores deveriam selecionar melhor os shows da praça
com mais artistas renomados nacionalmente", sugere o empresário
mineiro José Luis Soares, que participa pela terceira vez
do FIG. A seguir outras opiniões dos visitantes sobre o festival.
OPINIÕES- Pela primeira vez no FIG, a estudante recifense
Carla Cristina do Monte disse que adorou a variedade do FIG. "Os
eventos nos pólos culturais foram ótimos, exceto no
palco do forró que encerrava as apresentações
muito cedo, fazendo com que muitos turistas fiquem com poucas opções,
na madrugada, quando acabavam os shows da Esplanada Cultural Guadalajara",
define Carla.
Já Juliana de Melo Lima, que é filha de Garanhuns,
mas mora em Recife, conta que participou de sete festivais, e que
essa 13ª edição foi um show de diversidade dos
palcos, dos ritmos, e do resgate da cultura pernambucana. Ela, também,
reclama a falta de sincronia nos horários das apresentações,
pois deveria terminar em um pólo e começar em outros,
como também, diz que os investimentos nos shows musicais
foram fracos, fazendo com que diminuísse o público
da praça. "Poucas atrações foram realmente
boas, e alguns eram legais mais o público não sabia
a trajetória do artista. Isto prejudicou até os músicos
que tiveram que fazer shows para pouco público, fazendo com
que não tenha uma imagem boa do FIG, que é de atrair
grande multidão", salienta.
Pelo sexto ano consecutivo participando do evento, o universitário
Charles Eduardo Nogueira, , afirma que o FIG se renova a cada ano,
mostrando sempre novidades que agradam os visitantes. Ele apontou
o aspecto da limpeza com um ponto negativo dos pólos culturais,
como o Parque Euclides Dourado, por exemplo. "Por incrível
que pareça, era difícil encontrar lixeiros em vários
locais. Isto é uma questão importante em qualquer
festa, pois se não temos onde depositar o lixo, vamos colocar
no chão. Isso causa uma má impressão a um evento
tão grande", avalia o estudante.
Mônica de Melo Medeiros, que cursa Biologia no Recife, também,
concorda com Chalés sobre os poucos lixeiros instalados nos
pólos. Ela revela que participou intensivamente da programação,
mas destaca, principalmente, as apresentações de palco
da dança, instalado no Parque Euclides Dourado. "Cada
ano aumentam os espaços das áreas para assistirem
os espetáculos, a diversidade foi muito enriquecedora para
a cidade e para todos os visitantes, que puderam desfrutar de espetáculos
maravilhosos, como os assistidos no palco da dança",
ressalta.
A bailarina Íris Domingos Barbosa Campos foi mais contundente.
Em outras edições Íris veio apenas nos finais
de semana, e neste FIG chegou em Garanhuns quase no inicio da festa
e participou continuamente dos espetáculos. "A festa
é grandiosa, mas senti falta de organização
nos horários, que se tornaram confusos. Em alguns pólos
foram divulgados nomes de artista, e no dia eles não apareceram,
e nem uma satisfação a platéia recebeu. O pior
de tudo foi o fato do público ter que pagar a entrada para
o Teatro, já que o restante da programação
do festival é gratuito. É como se tivessem elitizando
o teatro. Não é todo mundo que pode pagar R$ 3,00
para assistir as peças ", critica a bailarina.
Em relação aos anos anteriores, Cristiane Cabral
Fidelis de Oliveira, avalia que o palco do forró melhorou
bastante, mas o palco da Guadalajara caiu muito, deixando a desejar,
faltando divulgação maciça dos artistas, para
que o público saiba quem é realmente que estará
no palco naquele dia. "A cantora Edilza é uma artista
maravilhosa. Entretanto, poucas pessoas assistiram seu show, realizada
na segunda-feira, dia 14, porque não sabiam nem mesmo que
estilo musical que ela cantava", explica. Ela sugere que os
organizadores deveriam melhorar a infra-estrutura dos palcos, porque
o palco pop e o palco do forró não comportam a quantidade
de pessoas que participam dos shows. Além disso, Cristiane
reclama da má qualidade de som, principalmente o som do palco
da cultura popular, que também deveria colocar seu horário
de funcionando mais tarde, pois as apresentações começam
muito cedo, horário que muitos visitantes estão dormindo,
pelo fato de terem chegado de madrugada dos shows da Esplanada Cultural
e do Parque Euclides Dourado.
O comerciante de Maceió-AL, Custódia dos Santos Valério
Júnior, foi só elogios a organização
do evento, que segundo ele trouxe muitas opções para
crianças e adultos. Junto com sua esposa, filhos, e sogra,
Custódio aponta a música instrumental do Parque Ruber
Van Der Linden como o local mais maravilhoso do FIG.
"É o terceiro ano que venho ao Festival. O nível
do evento é crescente, mas a praça principal, na Guadalajara,
ficou mais esquecida, não trazendo atrações
de grande peso, que sempre foi um marco do FIG para atrair o turista.
Acredito que o fato da divulgação da programação
ter sido muito em cima, do início do evento, tenha prejudicado
festa. Só soube 15 dias antes, e isto é um período
muito curto para o turista se preparar para vir a Garanhuns",
diz Maria Amélia da Silva, executiva do Rio Grande do Norte.
Patryck Lourenço, é universitário do curso
de Turismo e Hotelaria da Universidade do Estado da Bahia, e veio
vivenciar o Festival de Inverno, junto com a família. Mesmo
pegando o evento pela metade, ele considera a festa bem organizada
e enaltece a presença de policiais em toda a cidade. Em relação
a apresentações dos artistas, o estudante aplaude
a representação da Cultura Popular no palco da av.
Santo Antônio, bem como, as atrações do Parque
Euclides Dourado. "A única ressalva é que deveria
haver uma explicação histórica de cada tipo
de acontecimento cultural, para que o público saiba o que
está assistindo, ficando ainda mais envolvido", explica.
Além do grande público que freqüentou os pólos
culturais do FIG, teve também muitas pessoas que participaram
e visitantes das oficinas de artes, que este ano chegou à
periferia da cidade abrangendo os moradores do bairro do Indiano.
A paulista e artista plástica Fernanda Celiberte foi uma
delas. Com uma visão mais ampla do trabalho realizado nas
oficinas, principalmente por ser artista plástica e estudiosa
da cultura, tendo participado de aulas de circo, entre outros, Fernanda
se queixou dos alguns instrutores dos cursos ministrados nas oficinas.
"Ao visitar as oficinas encontrei alguns professores despreparados
para o nível do programa direcionado para os alunos. O palco
instrumental foi muito bom, mais a programação em
si do FIG, achei fraca. Queria também ver mais artes plásticas
no festival.", enfatizou Fernanda.
É claro que as opiniões acima retratam um percentual
muito pequeno em relação ao número de visitantes
que vieram a Garanhuns para assistirem o FIG. Mesmo assim, o evento
foi esplendoroso e teve muita gente que só teceu elogios,
porém as criticas são construtivas e devem ser vistas,
pelos organizadores, para que os mesmos tomem as devidas providências,
para que no próximo ano a 14º edição do
Festival de Inverno seja melhor ainda.
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