Garanhuns, 05 de julho de 2003
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COLUNAS
 

HUMOR

Raulzito


Festival de Besteiras

Tivemos a garanheta que foi um sucesso, principalmente pela performance da dupla de dois Paulinho e Ivanzinho, depois vieram os festejos juninos, que em Garanhuns foram mais animados do que em Caruaru e Campina Grande juntos, e agora vem o Festival de Inverno.

Esperamos que chova, pra não acontecer feito o ano passado, quando a Rita Lee gozou com a nossa cara, perguntando: Isso aqui é um Festival de Inverno ou de Verão?

Que São Pedro nos ajude.

O que não dá pra evitar, todo mês de julho, é o Festival de Besteiras que acontece, vindo das autoridades, de jornalistas e radialistas da cidade e da imprensa da capital. E também dos artistas, é bom não esquecer.

Este ano já começou. No dia do anúncio da programação, me contaram, um repórter perguntou ao Secretário de Turismo e Desenvolvimento quem era uma tal de Ladja Betânia, incluída na programação do FIG. Ele não titubeou:

- Você não conhece a Ladja? É puro MPB, é uma cantora românica - esclareceu.

O Eudson Catalão, responsável pela contratação dos artistas, disse que Ladja - deviam mudar o nome da coitada, com essa alcunha aí ela nunca vai fazer sucesso - é a esposa do cantor Flávio José e, como o marido, canta um bom forró.

E o Valdir Submarino, todo falante pela Sete Colinas, implicou com a marca do Festival. E fez um longo discurso defendendo a cidade. Bruno Portugal, visivelmente arretado, disse que a logomarca já expressa Garanhun, pois na ponta esquerda do negócio inventado pelos artistas do Recife tem umas florzinhas, que, muita gente acredita, são a cara da nossa suíça terceiro mundista.

E na programação tem um tal de Otto L. que foi confundido com um Oto que não é L. O primeiro canta forró e o segundo não. E os cara da mídia, sabidos, meteram o pau porque colocaram o artista na noite do forró, quando ele é pop ou rock. Depois, percebendo que eram dois otos, nem se deram o trabalho de pedir desculpas aos ouvintes, pela mancada.

Eu, que nunca usei um aparelho de rádio, e mal uso um de telefone, mas utilizo bastante o aparelho de dar descarga lá de casa, sei o seguinte: Com L ou sem é uma merda só, isso aí não é nome de cantor nem aqui nem nos states do presidente bucho. Oto é nome de cachorro, se o espírito não me engana do cão do Sargento Garcia, daquele do desenho animado estrelado pelo Recruta Zero.

E teve gente reclamando porque no Festival não vem a Laila Pinheiro. E mais uma vez lamentaram a não contratação do Djavan. Outros tão puto da vida porque Reginaldo Rossi deu o bolo. E uma mocinhas intelectuais, lá de Heliópolis, pensam em mandar uma carta de protesto porque a Banda Calypso foi anunciada e não vem.

Jorge Arengão? Um radialista de uma rádio cultural jura que é cantor de pagode. Fafá de Belém? Um entendido em fofocas disse que quem gostou da atração foi o Carlos Wilson, que expulso do PTB vai poder se consolar vendo aquela peitança toda.

Os comunistas adoraram a oportunidade de ver Lenine, pensando que se trata de Lenin, que fez a revolução russa e instalou o socialismo burocrático no mundo, até que apareceu Stalin e matou todo mundo.

Adilson Ramos, esse com certeza vai estourar nesse FIG, pois está de CD novo na praça, cheio de música inéditas como "Olga", "Por que não paras relógio" e "Diana".

Sucesso garantido vai ser Paulo Miklos, que pode não ser essas coisas todas no palco, mas que tem um nome artístico altamente sugestivo como palhaço de circo, disso eu não tenho dúvidas.

E à noite do rock e do fumo, hein? Começa com Estado que se Suicida, prossegue com "Faces dos subúrbios do Recifilis", explode com "Devotos do Ódio e de Nossa Senhora das pernas cabeludas" e termina com o Ira, que é pra todo mundo ficar bem irado mesmo. Pior do que isso só a briga do Bucho e do Sadão (por sinal onde anda ele?).

No último dia da festança, tem a BR 101 duplicada, o L 100 quilômetros por hora e o RPM de cara nova. Paulo Ricardo, depois de fazer um estágio de ator com a Globo, e se sair pior do que o cigano namorado de Dara, na novela da mesma emissora do plim plim, parou de gemer e de cantar. Ele agora só faz olhar pras meninas com sua cara de galã, que é pra deixar todas elas maluquinhas. Ai, meu Deus, lá vou ter trabalho com a Viviane de novo.

Por sinal a minha namorada achou a programação do Festival uma bosta. Ela nunca tinha ouvido falar em um só artista anunciado, com exceção de Fafá de Belém, que a Vivi ouviu um dia no restaurante Varanda, perto do pólo dos maconheiros de Heliópolis.

- Por que não vão trazer Capim com Mel? Nem Roberto Carlos? Por que disseram que o Fábio Júnior vinha e não vem? Podiam pelo menos animar a praça com o Grupo Tchan ou a Karla Peres - questionou a minha amada e juro, meus prezados leitores, que nesse instante eu tive vontade de matá-la.

Bom, falei só da E-S-P-L-A-N-A-D-A porque no Pau do Pombo só tem música instrumental e zunido por zunido eu prefiro os dos passarinho. No Parque do Ocride, é forró sem procedência e balé, que na opinião da Viviane - olha ela outra vez, hoje ela está demais - é negócio de fresco. Quem sabe da próxima vez eu comento as atrações desses espaços.

Preparem-se, liguem o rádio, que vem aí mais um festivá de besteira. Com direito a todo tipo de gafe.

Para terminar, falando sério, como o Gerson Lima, eu quero dizer que tudo escrito aí acima foi só brincadeira, para divertir vocês. É claro que gosto do Festival de Inverno, é claro que acho a festa super legal e também avalio que a programação deste ano está de bom tamanho, com muita coisa boa para se apreciar.

O fã que tenho lá em Jucati jura que sou inteligente e não quero passar recibo de burro. Por isso, Viva o Festival de Inverno de Garanhuns!