|
Assembléia discute reforma tributária
Os efeitos da Reforma Tributária, proposta pelo Governo
Federal, foram discutidos pela Comissão de Finanças,
Orçamento e Tributação da Assembléia
Legislativa de Pernambuco (Alepe). O ex-secretário da Fazenda
Estadual e atual diretor regional da Fundação Getúlio
Vargas, Jorge Jatobá, foi o palestrante convidado pela comissão
e pelo presidente da Alepe, deputado Romário Dias (PFL).
Jatobá apresentou as implicações da Proposta
de Emenda Constitucional (PEC) nº 43/2003 sobre o desenvolvimento
regional.
A maior preocupação do Nordeste continua sendo, segundo
o ex-secretário, o formato a ser adotado para a cobrança
do Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICMS).
"A Reforma Tributária como está sendo apresentada
não é a ideal.
Precisamos de uma solução que não implique
transferência de renda dos estados consumidores para os produtores.
Necessitamos de uma emenda que obrigue o ICMS a ser cobrado no
Estado de destino da mercadoria, portanto, um imposto de consumo",
defendeu.
A tributação interestadual e a transferência
de recursos foram apontadas como algumas das causas da desigualdade
social. "Na ausência de políticas de desenvolvimento
regional, os estados usam o ICMS como instrumento de atração
de investimentos, dando origem à guerra fiscal e culminando
com a crise regional e do sistema tributário. A reforma proposta
deverá aumentar a arrecadação, mas, infelizmente,
também aumentará os encargos, pois, acabando os benefícios
fiscais, a tendência é que os estados nivelem por cima
a carga tributária," explicou Jatobá. Apesar
dos pontos polêmicos, o ex-secretário da Fazenda considerou
a PEC nº 43 um avanço. "A proposta harmoniza a
tributação do País como um todo, acaba com
a guerra fiscal e aumenta a arrecadação", enumerou.
Sugestões - Os deputados apresentaram sugestões que
deverão ser encaminhadas ao Congresso Nacional. A deputada
Teresa Leitão (PT) discutirá com seu partido, na próxima
semana, a possibilidade de se tributar as grandes fortunas. "Senti
uma lacuna sobre esse assunto no projeto", comentou.
O petebista Izaias Régis defendeu que a reforma deveria
apoiar os pequenos e médios empresários, para evitar
a informalidade e aumentar a arrecadação. Isaltino
Nascimento (PT) cobrou uma atenção especial aos municípios,
que atuam como importantes gestores dos recursos públicos.
Raimundo Pimentel (PSL) avaliou que "mais importante do que
discutir a recriação da Sudene é debater a
cobrança do ICMS.
O evento foi coordenado pelo presidente da Comissão de Finanças,
Orçamento e Tributação da Assembléia,
Sebastião Rufino (PFL), e também contou com as presenças
dos deputados Sílvio Costa (PMN), Bruno Rodrigues (PP), Roberto
Liberato (PFL) e Ana Rodovalho (PSC).
|