Garanhuns, 21 de junho de 2003
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POLÍTICA
 

Professora defende ética na política

A professora Maria do Carmo, a Carminha, integrante da Executiva do Diretório Municipal do PT de Garanhuns, defende em contundente artigo a prática da ética na política. Num determinado trecho de suas reflexões, Carminha condena a tentativa de denegrir a imagem do padre Carlos André, fazendo uma defesa lúcida e honesta do trabalho que foi realizado na cidade pelo ex-paróco da Boa Vista. Trancrevemos abaixo o texto da petista:

Antes de estabelecermos a relação entre ética e política, precisamos entender de forma simples o que significa ética e o que significa política. A ética é o conjunto de normas e valores que norteiam a vida de um indivíduo e de um povo.

A ética pode ser pessoal e social. A pessoal se refere à liberdade, à consciência e à responsabilidade da pessoa. A social e política toca nas questões públicas e comunitárias, nos direitos e deveres para com a comunidade humana.

A política é arte de construir o poder de forma comunitária em função do bem de todos, do bem da cidade, do bem comum.

A atitude essencial para a construção do bem comum é o serviço. "Os governantes das nações têm poder sobre elas, e os grandes têm autoridade sobre elas. Entre vocês não deverá ser assim. Quem de vocês quiser ser grande, deve tornar-se o servo..." (Mt 20,17-28). Como se constata, a política não é suja nas suas origens cristãs, com Jesus, e gregas com o velho Aristóteles.

A política, sem a qual não se transforma nenhuma sociedade, foi feita corrupta por homens sem o mínimo de formação ética e cristã. Esses homens, sem conversão a um poder comunitário, tentam confundir a cabeça das pessoas: eles privatizam o que é público e realmente político com P maiúsculo (o dinheiro, a participação, as oportunidades para todos, os orçamentos, os projetos, as compras etc) e tornam público o que é privado. Aqui chamo a atenção para o excelente artigo, do Pe Marcelo Protázio, publicado com destaque no Correio Sete Colinas, quando se refere às críticas injustas a pessoa do Pe. Carlos André, muito querido e respeitado pela população, mas criticado por uma pequena elite que não gosta realmente do povo de Garanhuns.

O texto, ainda falava de um tema econômico, de uma questão afetiva, envolvendo o sacerdote, e de críticas ao seu pai. Um absurdo! Primeiro, vocês viram como é a justiça de Deus: Bastou apenas a carta de um sacerdote e o testemunho da Comunidade de Miracica para provar a honestidade e o trabalho sério do Padre André. O que esse sacerdote, em tão pouco tempo, construiu e realizou, é algo impressionante! Segundo: porque a vida afetiva é algo da conduta moral pessoal e não pública. Se há direitos da parte de alguém deve se recorrer a justiça com todas as provas cabais e ponto final. Lembro, que o nosso presidente Lula, na sua primeira eleição, foi vítima de Fernando Collor. Os filhos colloridos dessa mesma escolinha falida, mesmo em Garanhuns, insistem em repetir as mesmas lições. Só que o povo já sabe distinguir o que é importante na vida de um homem realmente público. Terceiro, criticar e falar mal de um defunto, me refiro ao pai do padre, alguém que já morreu há mais de seis anos, é algo estarrecedor! Somente uma classe política desesperada, sem princípios cristãos e sem projetos maiores, chega a tão grande baixaria. É uma vergonha pensar em votar ou eleger para governar um município homens ou mulheres com esse nível de comportamento. O atraso já começa na cabeça e contamina todo corpo. Isso é a conseqüência da separação entre ética e política.

Como constatamos, fomos nós que construirmos, temos e podemos destruir o mal, a mentira, a corrupção que está no mundo, para construir uma nova sociedade. As forças ameaçadoras da vida de uma cidade ou nação não vem dos céus e nem das profundezas da terra, elas vêm do próprio homem na sua forma egoísta de governar e de se relacionar com os outros. Os séculos XX e início do XXI, mostram os sofrimentos e as conseqüências de pessoas prepotentes quando chegam ao poder.
Elas geram guerra, fome, medo, atraso e morte. A política se torna a arte da guerra, não tem nada que ver com a vontade de Deus e o sonho de um futuro feliz para a comunidade humana. A política, torna-se o resultado do trabalho de indivíduos que têem o fim de realizar os próprios interesses, acumular riquezas às custas do povo e manter os empregos de familiares. É a perversão do poder originário! À luz dos ensinamentos de Jesus, todo poder concentrado, político ou religioso, é diabólico e usurpador do poder conferido a todas as criaturas. Cada pessoa, a mais simples mortal, exerce uma forma de poder em ralação às outras e tem o direito de participar. Eis porque, "assumir um cargo político é sertir-se funcionário do povo, servidor de todos", assim como dizia Lula na sua posse, e não alimentar o sentimento prepotente de que é dono de um rebanho, como fazia os senhores feudais da Idade Média ou os coronéis do Brasil colonial.

A relação entre ética e política é semelhante àquela que existe entre um casal que deseja formar uma família. Necessariamente um vai exigir do outro certos valores que são imprecindíveis para fazer acontecer um projeto comum. Os princípios fundamentais que une ética (esposa) e política (esposo) são: primeiro, o bem comum e segundo, semelhante a este porém, mais radical, o bem dos mais pobres. A ética está sempre voltada para a promoção do bem comum e, como a mãe, sempre cuida com amor especial dos filhos mais necessitados.

Claro que a relação não se esgota aqui, vai muito mais além, pois se trata de dois lados da mesma moeda. No que se refere às práticas públicas, quer legislativas ou administrativas, precisamos de outros elementos fundamentais, como: eticidade e liceidade. Nem sempre o que é lícito (legal) é ético (legítimo). Por exemplo, o aumento dos salários dos deputados é anti-ético e um atentado contra a situação de pobreza da nossa população. Seria até oportuno mostrar a lista daqueles que votaram a favor, independente de partidos. A finalidade das políticas públicas devem está em sintonia com as necessidades emergenciais e estruturais do povo. Será que é lícito deixar de fazer uma rede de esgoto de uma favela para fazer a estrada que dá acesso a fazenda de um amigo do deputado, senador ou presidente? Aqui há uma alienação do bem público em relação ao bem privado. O dinheiro dos impostos que pagamos, por exemplo, o IPTU, é o maior bem público e bem comum. Gerenciar esse dinheiro em favor das famílias do município é o que chamamos de administração pública, ética e politicamente correta. Não é ético o administrador público pegar dinheiro do povo para ajudar empresas privadas, mesmo em nome do "progresso econômico" do município, quando os pobres passam fome. Outro fato recente, é a decisão impensada e anti-ética da aprovação da nova taxa de iluminação pública, que embora sendo lei federal, acabou por ferir as esferas econômicas de várias camadas do município, levando os vereadores a repararem a lei que já aprovaram sem muito discernimento.

A ética na Política exige nossa reflexão profunda com os rumos do nosso município, do Estado e do País. Não basta alternar o poder, mudar de palanque ou de partido. É preciso mudar as formas de gestar o poder com pessoas que pensam e fazem o poder acontecer de forma diferente. Aprendemos com o único Mestre a colocar o poder a serviço da justiça. ELE pregava a ética da justa justiça, que se traduz na ética da responsabilidade pública com os mais pobres e sofridos. "Buscai em primeiro lugar a Justiça e o Reino de Deus" (Mt 6,33) que se traduz em obras de partilha com os mais necessitados (Tg 2,26).

No final dos tempos, porque a nossa vida é breve e a missão única, seremos julgados por Deus pela capacidade de amar de reinventar um poder que une eficiência, honestidade, igualdade e a ternura para com cada pessoa humana.