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Professora defende ética na política
A professora Maria do Carmo, a Carminha, integrante
da Executiva do Diretório Municipal do PT de Garanhuns, defende
em contundente artigo a prática da ética na política.
Num determinado trecho de suas reflexões, Carminha condena
a tentativa de denegrir a imagem do padre Carlos André, fazendo
uma defesa lúcida e honesta do trabalho que foi realizado
na cidade pelo ex-paróco da Boa Vista. Trancrevemos abaixo
o texto da petista:
Antes de estabelecermos a relação entre ética
e política, precisamos entender de forma simples o que significa
ética e o que significa política. A ética é
o conjunto de normas e valores que norteiam a vida de um indivíduo
e de um povo.
A ética pode ser pessoal e social. A pessoal se refere à
liberdade, à consciência e à responsabilidade
da pessoa. A social e política toca nas questões públicas
e comunitárias, nos direitos e deveres para com a comunidade
humana.
A política é arte de construir o poder de forma comunitária
em função do bem de todos, do bem da cidade, do bem
comum.
A atitude essencial para a construção do bem comum
é o serviço. "Os governantes das nações
têm poder sobre elas, e os grandes têm autoridade sobre
elas. Entre vocês não deverá ser assim. Quem
de vocês quiser ser grande, deve tornar-se o servo..."
(Mt 20,17-28). Como se constata, a política não é
suja nas suas origens cristãs, com Jesus, e gregas com o
velho Aristóteles.
A política, sem a qual não se transforma nenhuma
sociedade, foi feita corrupta por homens sem o mínimo de
formação ética e cristã. Esses homens,
sem conversão a um poder comunitário, tentam confundir
a cabeça das pessoas: eles privatizam o que é público
e realmente político com P maiúsculo (o dinheiro,
a participação, as oportunidades para todos, os orçamentos,
os projetos, as compras etc) e tornam público o que é
privado. Aqui chamo a atenção para o excelente artigo,
do Pe Marcelo Protázio, publicado com destaque no Correio
Sete Colinas, quando se refere às críticas injustas
a pessoa do Pe. Carlos André, muito querido e respeitado
pela população, mas criticado por uma pequena elite
que não gosta realmente do povo de Garanhuns.
O texto, ainda falava de um tema econômico, de uma questão
afetiva, envolvendo o sacerdote, e de críticas ao seu pai.
Um absurdo! Primeiro, vocês viram como é a justiça
de Deus: Bastou apenas a carta de um sacerdote e o testemunho da
Comunidade de Miracica para provar a honestidade e o trabalho sério
do Padre André. O que esse sacerdote, em tão pouco
tempo, construiu e realizou, é algo impressionante! Segundo:
porque a vida afetiva é algo da conduta moral pessoal e não
pública. Se há direitos da parte de alguém
deve se recorrer a justiça com todas as provas cabais e ponto
final. Lembro, que o nosso presidente Lula, na sua primeira eleição,
foi vítima de Fernando Collor. Os filhos colloridos dessa
mesma escolinha falida, mesmo em Garanhuns, insistem em repetir
as mesmas lições. Só que o povo já sabe
distinguir o que é importante na vida de um homem realmente
público. Terceiro, criticar e falar mal de um defunto, me
refiro ao pai do padre, alguém que já morreu há
mais de seis anos, é algo estarrecedor! Somente uma classe
política desesperada, sem princípios cristãos
e sem projetos maiores, chega a tão grande baixaria. É
uma vergonha pensar em votar ou eleger para governar um município
homens ou mulheres com esse nível de comportamento. O atraso
já começa na cabeça e contamina todo corpo.
Isso é a conseqüência da separação
entre ética e política.
Como constatamos, fomos nós que construirmos, temos e podemos
destruir o mal, a mentira, a corrupção que está
no mundo, para construir uma nova sociedade. As forças ameaçadoras
da vida de uma cidade ou nação não vem dos
céus e nem das profundezas da terra, elas vêm do próprio
homem na sua forma egoísta de governar e de se relacionar
com os outros. Os séculos XX e início do XXI, mostram
os sofrimentos e as conseqüências de pessoas prepotentes
quando chegam ao poder.
Elas geram guerra, fome, medo, atraso e morte. A política
se torna a arte da guerra, não tem nada que ver com a vontade
de Deus e o sonho de um futuro feliz para a comunidade humana. A
política, torna-se o resultado do trabalho de indivíduos
que têem o fim de realizar os próprios interesses,
acumular riquezas às custas do povo e manter os empregos
de familiares. É a perversão do poder originário!
À luz dos ensinamentos de Jesus, todo poder concentrado,
político ou religioso, é diabólico e usurpador
do poder conferido a todas as criaturas. Cada pessoa, a mais simples
mortal, exerce uma forma de poder em ralação às
outras e tem o direito de participar. Eis porque, "assumir
um cargo político é sertir-se funcionário do
povo, servidor de todos", assim como dizia Lula na sua posse,
e não alimentar o sentimento prepotente de que é dono
de um rebanho, como fazia os senhores feudais da Idade Média
ou os coronéis do Brasil colonial.
A relação entre ética e política é
semelhante àquela que existe entre um casal que deseja formar
uma família. Necessariamente um vai exigir do outro certos
valores que são imprecindíveis para fazer acontecer
um projeto comum. Os princípios fundamentais que une ética
(esposa) e política (esposo) são: primeiro, o bem
comum e segundo, semelhante a este porém, mais radical, o
bem dos mais pobres. A ética está sempre voltada para
a promoção do bem comum e, como a mãe, sempre
cuida com amor especial dos filhos mais necessitados.
Claro que a relação não se esgota aqui, vai
muito mais além, pois se trata de dois lados da mesma moeda.
No que se refere às práticas públicas, quer
legislativas ou administrativas, precisamos de outros elementos
fundamentais, como: eticidade e liceidade. Nem sempre o que é
lícito (legal) é ético (legítimo). Por
exemplo, o aumento dos salários dos deputados é anti-ético
e um atentado contra a situação de pobreza da nossa
população. Seria até oportuno mostrar a lista
daqueles que votaram a favor, independente de partidos. A finalidade
das políticas públicas devem está em sintonia
com as necessidades emergenciais e estruturais do povo. Será
que é lícito deixar de fazer uma rede de esgoto de
uma favela para fazer a estrada que dá acesso a fazenda de
um amigo do deputado, senador ou presidente? Aqui há uma
alienação do bem público em relação
ao bem privado. O dinheiro dos impostos que pagamos, por exemplo,
o IPTU, é o maior bem público e bem comum. Gerenciar
esse dinheiro em favor das famílias do município é
o que chamamos de administração pública, ética
e politicamente correta. Não é ético o administrador
público pegar dinheiro do povo para ajudar empresas privadas,
mesmo em nome do "progresso econômico" do município,
quando os pobres passam fome. Outro fato recente, é a decisão
impensada e anti-ética da aprovação da nova
taxa de iluminação pública, que embora sendo
lei federal, acabou por ferir as esferas econômicas de várias
camadas do município, levando os vereadores a repararem a
lei que já aprovaram sem muito discernimento.
A ética na Política exige nossa reflexão profunda
com os rumos do nosso município, do Estado e do País.
Não basta alternar o poder, mudar de palanque ou de partido.
É preciso mudar as formas de gestar o poder com pessoas que
pensam e fazem o poder acontecer de forma diferente. Aprendemos
com o único Mestre a colocar o poder a serviço da
justiça. ELE pregava a ética da justa justiça,
que se traduz na ética da responsabilidade pública
com os mais pobres e sofridos. "Buscai em primeiro lugar a
Justiça e o Reino de Deus" (Mt 6,33) que se traduz em
obras de partilha com os mais necessitados (Tg 2,26).
No final dos tempos, porque a nossa vida é breve e a missão
única, seremos julgados por Deus pela capacidade de amar
de reinventar um poder que une eficiência, honestidade, igualdade
e a ternura para com cada pessoa humana.
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