Garanhuns, 21 de junho de 2003
  Início
  Opinião
  Política
  Cidade
  Geral
  Especial
  Cultura
  Sociedade
  Ed. Anteriores
  Expediente
 
COLUNAS
 

HUMOR

Raulzito


O peido da véia

Quando eu era criança gostava tanto das festas juninas quanto hoje. Vibrava com as fogueiras, os balões, as quadrilhas e principalmente com os fogos. Lembro que tinha umas bombinhas, chamadas "peido de véia", que faziam a alegria de nós moleques. Uma vez um bichinho desses estourou nas minhas mãos e doeu que só dor de corno, a mão ficou inchada, mas nem assim perdi o encanto por Santo Antônio, São João e São Pedro.

Apesar das quadrilhas estilizadas - aquele monte de gente mais com cara de otário do que de matuto - e dos forrós cearenses, as festas juninas no interior ainda têm muito do passado. Tem canjica, pamonha, milho assado, forró até umas horas e uma mulheres vestidas de roupas estampadas que ficam umas gracinhas.

Muitas cidades por aqui ainda fazem uma festa arretada, sem precisar daquela agitação que se faz em Caruaru, com o tal de Tony Gel dando as cartas. Ora, prefeito por prefeito eu sou mais o daqui, que pode até ser mais feio, mas trabalha mais e não tem o nome de creme de passar no cabelo.

Verdade que a festa de rua em Garanhun é bem fraquinha e o secretário Ivan Sabe Quase Tudo demorou tanto para anunciar as atrações na praça que quase fica para depois do São Pedro.

E o secretário, para justificar a pouca fama das bandas contratadas, disse que a política da prefeitura era valorizar o artista local.

Se for por essa filosofia do secretário no Festival de Inverno só vai ter cantor 100% Sete Colinas: Alderjão, Gláucio de Costas, Estado que se Suicida, O Homem de Neanterdal, Zezinho qui de Garanhun, Karla Diocesano Cibele e o grupo pretensamente cultural da Vila do Quartel.

Mas deixa isso pra lá, porque tanto faz ter banda falsificada, artista da terra (quem é da terra mesmo é gogo ou minhoca), quanto autoridade fazendo besteira. De todo jeito a festa junina termina sendo boa. Essa coisa de secretário é feito peido de véia: faz barulho, incha a mão, mas no final das contas tudo permanece no lugar.

Eu, apesar do gosto pelas festas de forró, estou assim um tanto desanimado. Vocês devem estar notando pelo tom um tanto diferente da coluna. Perdoem, meus fiéis leitores, é por causa do frio.

Aqui no Alto do Magano, onde me escondo, está fazendo tanto frio que nem dou mais assistência a minha quenguinha Viviane. No dia de Santo Antônio, a neguinha arretou-se e disse: fica aí dormindo, inútil, que vou pra Metroplaza.

Resultado é que fiquei sozinho debaixo de 13 graus, os lençóis sem dar vencimento, e uma dorzinha na cabeça que parecia eu ter sido vítima de novo de um peido de véia. Só que dessa vez em vez de atingir as mãos arrebentava bem no meio da testa...

Espero que agora no São João a Viviane não apronte de novo. Besteira de autoridade eu aguento, agora a minha mulher amada dançando com esses tarados é ruim.