|
HUMOR
Raulzito
O peido da véia
Quando eu era criança gostava tanto das festas juninas quanto
hoje. Vibrava com as fogueiras, os balões, as quadrilhas
e principalmente com os fogos. Lembro que tinha umas bombinhas,
chamadas "peido de véia", que faziam a alegria
de nós moleques. Uma vez um bichinho desses estourou nas
minhas mãos e doeu que só dor de corno, a mão
ficou inchada, mas nem assim perdi o encanto por Santo Antônio,
São João e São Pedro.
Apesar das quadrilhas estilizadas - aquele monte de gente mais
com cara de otário do que de matuto - e dos forrós
cearenses, as festas juninas no interior ainda têm muito do
passado. Tem canjica, pamonha, milho assado, forró até
umas horas e uma mulheres vestidas de roupas estampadas que ficam
umas gracinhas.
Muitas cidades por aqui ainda fazem uma festa arretada, sem precisar
daquela agitação que se faz em Caruaru, com o tal
de Tony Gel dando as cartas. Ora, prefeito por prefeito eu sou mais
o daqui, que pode até ser mais feio, mas trabalha mais e
não tem o nome de creme de passar no cabelo.
Verdade que a festa de rua em Garanhun é bem fraquinha e
o secretário Ivan Sabe Quase Tudo demorou tanto para anunciar
as atrações na praça que quase fica para depois
do São Pedro.
E o secretário, para justificar a pouca fama das bandas
contratadas, disse que a política da prefeitura era valorizar
o artista local.
Se for por essa filosofia do secretário no Festival de Inverno
só vai ter cantor 100% Sete Colinas: Alderjão, Gláucio
de Costas, Estado que se Suicida, O Homem de Neanterdal, Zezinho
qui de Garanhun, Karla Diocesano Cibele e o grupo pretensamente
cultural da Vila do Quartel.
Mas deixa isso pra lá, porque tanto faz ter banda falsificada,
artista da terra (quem é da terra mesmo é gogo ou
minhoca), quanto autoridade fazendo besteira. De todo jeito a festa
junina termina sendo boa. Essa coisa de secretário é
feito peido de véia: faz barulho, incha a mão, mas
no final das contas tudo permanece no lugar.
Eu, apesar do gosto pelas festas de forró, estou assim um
tanto desanimado. Vocês devem estar notando pelo tom um tanto
diferente da coluna. Perdoem, meus fiéis leitores, é
por causa do frio.
Aqui no Alto do Magano, onde me escondo, está fazendo tanto
frio que nem dou mais assistência a minha quenguinha Viviane.
No dia de Santo Antônio, a neguinha arretou-se e disse: fica
aí dormindo, inútil, que vou pra Metroplaza.
Resultado é que fiquei sozinho debaixo de 13 graus, os lençóis
sem dar vencimento, e uma dorzinha na cabeça que parecia
eu ter sido vítima de novo de um peido de véia. Só
que dessa vez em vez de atingir as mãos arrebentava bem no
meio da testa...
Espero que agora no São João a Viviane não
apronte de novo. Besteira de autoridade eu aguento, agora a minha
mulher amada dançando com esses tarados é ruim.
|