Garanhuns, 21 de junho de 2003
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EDITORIAL
 

Garanhuns capital da cultura
(Uma defesa do Festival)

Quando da divulgação da programção do 13º Festival de Inverno, no Recife, o secretário de Educação do Estado, Mozart Neves, disse que durante 10 dias Garanhuns se transforma em capital cultural de Pernambuco. Certamente o secretário não quis usar somente força de expressão, porque o que ele disse representa a mais pura verdade.

Ora, no período de 10 a 19 de julho qual cidade pernambucana vai reunir tantos medalhões da MPB quanto Garanhuns? Nem mesmo no Recife e em Olinda teremos nesse período tantos espetáculos de dança, teatro, circo e oficinas quantos os que vão acontecer na Suíça Pernambucana.

O garanhuense, mesmo os mais conscientes, às vezes esquecem que sediar o Festival de Inverno é um privilégio. E tome a crítica pela crítica, atacando o nosso maior patrimônio. E enquanto os jornais do Recife elogiam a programação do FIG, muitos dos que fazem a imprensa local, como se estivessem discutindo futebol, preferem discutir a contratação de artista A ou B, defedendo que deveria vir C ou D.

Infelizmente, tem muita gente se julgando sabida dizendo besteira por aí.

Claro que já tivemos programações melhores.

Mas é preciso estar consciente de que vivemos um outro contexto, vivemos uma crise financeira dos Estados e Municípios muito forte, o que levou o Governo a racionalizar até mesmo a distribuição de água através de carros pipa.

E mesmo assim teremos este ano um Festival de grandes atrações. Ou alguém aí é capaz de duvidar que Jorge Aragão é um nome de peso na MPB? O pernambucano Lenine hoje é internacionalmente conhecido, Fafá de Belém ainda tem o que mostrar além dos famosos peitos e da simpatia, Paulo Miklos e Fernanda Porto são cantores da melhor qualidade e Flávio José, talvez discriminado por cantar forró, é um grande interprete de verdadeiras obras primas de nossa música regional, seguindo a linha do velho Lua Gonzaga.

O secretário Mozart está certo. No próximo mês, durante 10 dias, Garanhuns será a capital da cultura no Estado. Nós iremos respirar música, poesia e arte na Guadalajara, na Avenida Santo Antônio, no Centro Cultura, no Parque Euclides Dourado e no Pau Pombo.

O Festival deve ser motivo de orgulho para nós e devemos defendê-lo com unhas e dentes.

E que São Pedro, nos dias do evento, não pregue aquela peça do ano passado, quando deixou a cidade sem chuva e frio durante o FIG.

Que a chuvinha, a garoa e o frio dos últimos dias permaneçam para que possamos ter mais um grande festival de inverno.