|
Garanhuns capital da cultura
(Uma defesa do Festival)
Quando da divulgação da programção
do 13º Festival de Inverno, no Recife, o secretário
de Educação do Estado, Mozart Neves, disse que durante
10 dias Garanhuns se transforma em capital cultural de Pernambuco.
Certamente o secretário não quis usar somente força
de expressão, porque o que ele disse representa a mais pura
verdade.
Ora, no período de 10 a 19 de julho qual cidade pernambucana
vai reunir tantos medalhões da MPB quanto Garanhuns? Nem
mesmo no Recife e em Olinda teremos nesse período tantos
espetáculos de dança, teatro, circo e oficinas quantos
os que vão acontecer na Suíça Pernambucana.
O garanhuense, mesmo os mais conscientes, às vezes esquecem
que sediar o Festival de Inverno é um privilégio.
E tome a crítica pela crítica, atacando o nosso maior
patrimônio. E enquanto os jornais do Recife elogiam a programação
do FIG, muitos dos que fazem a imprensa local, como se estivessem
discutindo futebol, preferem discutir a contratação
de artista A ou B, defedendo que deveria vir C ou D.
Infelizmente, tem muita gente se julgando sabida dizendo besteira
por aí.
Claro que já tivemos programações melhores.
Mas é preciso estar consciente de que vivemos um outro contexto,
vivemos uma crise financeira dos Estados e Municípios muito
forte, o que levou o Governo a racionalizar até mesmo a distribuição
de água através de carros pipa.
E mesmo assim teremos este ano um Festival de grandes atrações.
Ou alguém aí é capaz de duvidar que Jorge Aragão
é um nome de peso na MPB? O pernambucano Lenine hoje é
internacionalmente conhecido, Fafá de Belém ainda
tem o que mostrar além dos famosos peitos e da simpatia,
Paulo Miklos e Fernanda Porto são cantores da melhor qualidade
e Flávio José, talvez discriminado por cantar forró,
é um grande interprete de verdadeiras obras primas de nossa
música regional, seguindo a linha do velho Lua Gonzaga.
O secretário Mozart está certo. No próximo
mês, durante 10 dias, Garanhuns será a capital da cultura
no Estado. Nós iremos respirar música, poesia e arte
na Guadalajara, na Avenida Santo Antônio, no Centro Cultura,
no Parque Euclides Dourado e no Pau Pombo.
O Festival deve ser motivo de orgulho para nós e devemos
defendê-lo com unhas e dentes.
E que São Pedro, nos dias do evento, não pregue aquela
peça do ano passado, quando deixou a cidade sem chuva e frio
durante o FIG.
Que a chuvinha, a garoa e o frio dos últimos dias permaneçam
para que possamos ter mais um grande festival de inverno.
|