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Cacau explica porque não dá sossego
a Silvino
Eleito com pouco mais de 600 votos para a Câmara Municipal,
o vereador José Carlos Santos, conhecido popularmente como
Cacau, tem exercido no Legislativo uma oposição implacável
ao prefeito Silvino Andrade. Por conta de suas denúncias,
o parlamentar chegou a ser condenado pela Justiça, em primeira
instância, tendo que indenizar o chefe do Executivo local
em R$ 100 mil.
Mesmo depois dessa ação do prefeito, porém,
Cacau continua a bater no prefeito, a levantar suspeitas sobre alguns
atos da administração pública e a fazer propostas
que na maioria das vezes não são levadas em consideração
por Silvino Andrade. Há pouco tempo mesmo, o vereador disse
que existia uma "mala preta" no município, já
que o titular no Poder Executivo se nega a revelar os valores dos
contratos firmados pela municipalidade.
Nessa entrevista ao Correio, José Carlos Santos falou o
tempo quase todo do prefeito, que no seu entender não tem
o menor respeito pelos vereadores do município, mesmo os
seus aliados. Consciente de que está cumprindo o seu papel
de parlamentar, Cacau declarou que não está interessado
em obter dividendos eleitorais dessa postura. "Acontece que
me sinto bem cumprindo meu dever", revela.
Na conversa com o jornalista Roberto Almeida, editor do periódico,
o vereador Cacau explicou como começou o seu desentendimento
com o prefeito Silvino Andrade.
CORREIO - Inicialmente eu gostaria de saber
se o Sr. está satisfeito com o seu trabalho de vereador?
Se é gratificante representar o povo de Garanhuns na Câmara
Municipal?
CACAU - Eu estou muito satisfeito com a Câmara
e com meu trabalho. Agora, têm coisas que nos deixam um pouco
desgostosos, pois nós vereadores muitas vezes não
conseguimos atingir os nossos objetivos. Fazemos requerimentos,
apresentamos propostas, queremos beneficiar determinada rua e não
recebemos nem resposta por parte do prefeito. Se a solicitação
for para o Corpo de Bombeiros ou o Governo do Estado, teremos pelo
menos uma resposta, mas o Governo de Garanhuns esse não nos
dá nenhuma satisfação.
CORREIO - E o vereador tem apresentado muitos
projetos na Câmara?
CACAU - Tenho procurado fiscalizar o Executivo
e apresentado propostas diversas, no sentido de conseguir o desenvolvimento
do município. Eu tenho aqui o primeiro requerimento, de fevereiro
de 2001, pedindo o complemento da rua que dá acesso ao Cristo
do Magano, bem como a iluminação daquela área.
Eu tinha um espaço do partido na TV e coloquei 60 vezes na
programação, divulgando minha proposta e esse ponto
turístico da cidade. E nunca recebi nenhuma resposta do prefeito.
CORREIO - No seu entender por que isso ocorre?
É para não respeitar ou valorizar o trabalho do vereador
de Oposição?
CACAU - Não é uma questão
de respeitar o vereador de oposição é respeitar
o poder. Nenhum vereador, mesmo os do Governo, recebem resposta
do Executivo as suas proposições.
CORREIO - E como os parlamentares ligados ao
governo reagem a isso?
CACAU - Eles reclamam. No plenário
falam, desabafam. Mas como são vinculados ao prefeito temem
denunciá-lo. Por isso aguentam o abuso calados.
CORREIO - Mas a Câmara poderia tomar alguma
atitude concreta em relação a essa prática?
CACAU - Veja bem, hoje existe uma lei municipal
que dá 30 dias ao prefeito para responder os pedidos de informação
ou requerimentos dos vereadores. Eu ampliei esse prazo para 45 dias,
por considerar o prazo de um mês pequeno. Mas continua do
mesmo jeito, continuamos sem receber satisfação do
Executivo.
CORREIO - Dizem que essa oposição
cerrada que o Sr. faz ao prefeito é por questões pessoais,
por que Silvino teria deixado de alugar os carros de sua empresa.
É verdade que sua briga é por conta de interesses
contrariados?
CACAU - A pessoa do prefeito de Garanhuns
merece minha admiração. Como empresário sempre
fui atendido cordialmente pelos que fazem o Executivo. Devo registrar
também que sempre me pagaram em dia, nunca atrasou um mês
sequer. Agora, quando me elegi vereador, no primeiro dia Dr. Silvino
ligou pra mim e perguntou se eu seria oposição. Disse
que sim, pois pertenço ao grupo de Izaías, e acrescentei
que votaria nas propostas do Governo que fossem boas para Garanhuns.
Então veio a questão daquelas barracas próximas
ao Colégio XV, que a prefeitura mandou derrubar. Três
barracas foram indenizadas e teve uma outra, que o dono não
fez o acordo, que o prefeito mandou derrubar, mesmo o rapaz estando
lá, com a família dentro. Ora, esse caso foi pior
do que aquele mostrado na TV, que comoveu o Brasil inteiro.
O dono desse barraco veio me pedir ajuda e
aí eu chamei a polícia, o Corpo de Bombeiro e a TV
Asa Branca, conseguindo impedir a derrubada da casinha do rapaz.
Inicialmente a prefeitura iria pagar R$ 2 mil de indenização
ao proprietário e terminou pagando R$ 10 mil, metade desse
valor foi pago na justiça, porque racharam a casa do rapaz.
A briga começou assim. Ainda fui chamado pelo secretário
de Finanças, Hélio Amorim, que me disse que o prefeito
estaria disposto a me perdoar, mas não perdoava Izaías.
Eu disse que o caso de Izaías era um e comigo a história
era outra. Daí o prefeito trouxe uma firma do Recife e deixou
de alugar os carros da Locar e das duas outras empresas de Garanhuns.
CORREIO - O Sr. diz que é mais fácil
conseguir uma resposta do Governo do Estado do que da prefeitura
a uma solicitação da Câmara. Pessoalmente já
teve algum pleito atendido por parte do Governo Jarbas?
CACAU - Uma das solicitações
que fiz ao Governo do Estado foi a compra de quatro bombas novas,
pela Compesa, para melhoria do sistema de abastecimento d'água
da cidade. Recebi resposta, as bombas foram compradas e vão
melhorar em 30% a distribuição de água nas
torneiras.
CORREIO - Um colega seu de Câmara disse
outro dia numa rádio da cidade que o Legislativo é
subserviente ao Executivo. Cacau concorda com esta afirmativa?
CACAU - Hoje melhorou muito, com o vereador
Sivaldo Albino, que tem sabido se comportar como presidente de um
poder. Mesmo sendo aliado do prefeito, ele tem se conduzido como
presidente da Câmara com altivez e independência. Pelo
menos na Mesa Diretora ele não exerce o papel de advogado
do prefeito.
CORREIO - Por que motivo o vereador critica
a praça de eventos construída pelo prefeito Silvino?
CACAU - Se um caminhão encostar no
piso da Guadalajara, no Festival de Inverno, para descarregar alguma
coisa, aquele negócio ali afunda. O piso cede porque ali
tem um palmo de areia. E aquelas pedras portuguesas são inadequadas
para o pátio de eventos. Um trio elétrico não
entra ali e nem mesmo as moças vão poder dançar
naquele local porque o sapato engancha. E sou capaz de apostar de
que se colocar um caminhão na praça esse caminhão
afunda, inclusive isso já aconteceu com um veiculo dos evangélicos.
CORREIO - O fato do prefeito não dar
atenção as suas críticas significa que ele
não leva a sério a sua atuação?
CACAU - Eu não sei. Mas é preciso
ver que hoje as coisas mudaram muito. O Brasil mudou e Garanhuns
também. Veja como atualmente as rádios da cidade estão
abertas ao povo e existem aqui jornais de qualidade, como o Correio
Sete Colinas. Temos sete promotores, sete juízes e seis emissoras
de rádio trabalhando com liberdade...
CORREIO - Tem seis rádios mas parece
que o Sr. está querendo calar uma delas. Que é que
o vereador tem contra a Estação Sat?
CACAU - Eu não quero fechar a rádio.
Eu quero é que ela siga as normas. Vereador de Garanhuns
não é só pra fiscalizar o prefeito não,
deve estar atento a tudo que acontece na cidade. Se a Rádio
Estação Sat é de utilidade pública,
se é uma rádio de caráter cultural, ela não
pode estar ganhando dinheiro, concorrendo com as emissoras comerciais
que pagam impostos.
CORREIO - Mas essa rádio não está
servindo à cidade, não está gerando empregos
e novas oportunidades aos profissionais? O vereador não poderia,
nessa briga contra a Estação, aumentar o desemprego
entre os radialistas?
CACAU - A Estação Sat pode estar
empregando dois e desempregando um maior número de pessoas
nas outras rádios, nas emissoras comerciais. Um colega meu
de Câmara, Givaldo Calado, é um dos responsáveis
pelo empreendimento, mas se está errado a gente tem de denunciar.
A Estação é na verdade a Garanhuns FM, que
pertence a Fundação Cultural Monsenhor Adelmar da
Mota Valença. Então como é que pode estar com
propaganda de Catuaba, com pornografia, com o programa do Mução?
CORREIO - O Sr. se elegeu vereador com dificuldades,
teve pouco mais de 600 votos e só conseguiu se garantir com
a ajuda da legenda. Agora, com essa atuação, espera
voltar ao Legislativo com mais facilidade? Essa sua postura rende
votos?
CACAU - Eu não sei se isso está
rendendo eleitoralmente, mas o que importa é que me sinto
bem. Estou cumprindo meu papel de vereador, no sentido de fiscalizar
o Executivo e apresentar projetos que contribuam com a melhoria
das condições de vida do povo de Garanhuns.
CORREIO - Eleito pelo PPB, o Sr. agora deve
se filiar ao PTB, juntamente com Izaías Régis. Qual
o futuro desse novo grupo que se forma na política de Pernambuco?
CACAU - Armando Monteiro entrou no PTB com
o aval do ministro José Dirceu e consequentemente do presidente
Lula. Aqui no Agreste o Partido Trabalhista será reforçado
com o ingresso do deputado Izaías Régis e de três
vereadores. Além de mim ficam na legenda o Audálio
Ramos e o Aldemiro Aquino.
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