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Por que ter medo de padre Carlos?
Padre Marcelo Protázio
Todo dia fico surpreso com a quantidade de matérias em jornais
locais, conversas de rua, eventos sociais e religiosos a respeito
de uma possível candidatura do Padre Carlos André
ao governo de Garanhuns. Como Padre, sempre tenho duas reações:
de achar que necessariamente esse não é o nosso espaço
e por outro lado, lisonjeado em saber que um irmão no sacerdócio
tem respaldo suficiente para abalar os alicerces da velha política
elitizada, assistencialista e autoritária de Garanhuns. Começo
a acreditar que verdadeiramente Garanhuns gosta de renovação
e precisa de transformação.
Garanhuns é uma cidade pólo. Porém, vale à
pena perguntar: Qual é mesmo o referencial desta cidade para
toda a região? Não podemos deixar de perceber o grande
número de necessidades que exige atenção de
quem nos governa. O nosso Hospital Dom Moura, que parece ser de
responsabilidade do Governo Estadual, carece de uma reforma em seus
serviços para evitar que nossos doentes sejam levados para
Caruaru ou Recife. Enquanto isso não acontece, vemos crescer
em Garanhuns o poder dos hospitais particulares e os planos de saúde
com um preço alto para as comunidades de baixa renda. Já
tivemos e temos médicos no governo. Não deveria ser
o Hospital Dom Moura um referencial da cidade? A assistência
médica se tornou meio de ganhar votos, favores, dependência,
e não direito sagrado de cada cidadão, como reza a
constituição do Brasil. Afirma-se: "Garanhuns
é uma cidade turística". O que é mesmo
que temos para oferecer além do nosso clima, da história
de algumas pequenas conquistas e do esforço ousado de muitos
artistas e escritores? Nossos monumentos são mal conservados,
outros foram destruídos, e muitos deles não tem um
acesso seguro. A nossa cultura carece de incentivos maiores. Até
mesmo o nosso Festival de Inverno vem perdendo espaço dentro
do estado para outras cidades. Como será este ano, uma vez
que nas últimas eleições nada agradou ao governador
aqui em Garanhuns? Temos algumas comunidades que são remanescentes
de Quilombos. O abandono destas famílias, que não
contam com uma assistência educacional é de clamar
aos céus. Nossos finais de semana nada têm a oferecer
para os nossos jovens, a não ser bar. Será que não
seria possível uma parceria entre governos e sociedade para
elaborarmos um projeto artístico-cultural afim de proporcionar
aos nossos jovens, condições básicas para o
desenvolvimento de suas capacidades nesta área? E quanto
ao nosso esporte? Nossos times locais vivem em situações
limites. Quantos profissionais não poderíamos oferecer
ao nosso país? Como podemos ter orgulho dos times de fora
e não valorizamos os nossos? Emprego. Eis uma palavra que
mais preocupa a cabeça do nosso povo. Já tivemos muitas
fábricas que com o passar dos anos foram fechadas. Já
surgiram pessoas prometendo que iriam trazer indústrias para
Garanhuns, mas, até agora, nada. Lamentamos que em nossa
cidade não tenhamos uma empresa local para o trabalho de
Limpeza. Mesmo exigindo que ela contrate pessoas de Garanhuns, maior
parte do dinheiro vai embora da cidade. Nossos bairros. É
incrível ver uma Cohab II, com mais de dez mil habitantes,
totalmente desprezada há tantos anos, sem falar no Vale do
Mundaú, Parque Fênix, Cohab III e outros. Sempre se
procura jogar a culpa nos administradores atuais, mas nós
sabemos que esses bairros já existem há muitos anos
passando também por administrações anteriores.
Diante desta realidade, começo a compreender porque o povo
busca renovação e porque estão vendo no Padre
a possibilidade de conquista-la. Conheço o Padre Carlos há
mais de dez anos. Nos seminários de Recife e João
Pessoa, sempre teve papel de destaque, devido a sua inteligência
e capacidade de liderança. Trabalhou nos morros de Casa Amarela,
na capital do Estado, através de Associações
de Moradores e Comunidades Eclesiais de Base, bem como com os estudantes
e os mais pobres da periferia da Paraíba. Foi professor do
Seminário Arquidiocesano de João Pessoa e assessor
das missões, com a classe média e a classe pobre,
durante o ano missionário. Sempre esteve dedicado aos seminaristas
estudantes do nordeste. Quando me tornei Padre e fui comunicado
pelo nosso Bispo que viria trabalhar em Garanhuns com o Padre Carlos
André, tornou-se concreto um sonho do tempo do Seminário,
quando ele me disse que gostaria de trabalhar em equipe numa Paróquia.
Pelos três anos que convivemos, na Paróquia de São
Sebastião, com mais de quarenta comunidades, em Brejão
por algum tempo e Lagoa do Ouro durante quase um ano, sou testemunha
do trabalho de revitalização que ele realizou. Quantos
movimentos e pastorais floresceram no período de seu apostolado
e que ainda hoje fazem desta Paróquia uma das mais queridas
e dinâmicas desta cidade.
A reforma da Igreja Matriz, a festa de São Sebastião
com o resgate da cultura regional e a construção do
Centro Pastoral Dom Helder, são obras dignas de nota. Vale
ressaltar, segundo o compromisso social e religioso, a presença
desse líder com os drogados da Fazenda da Esperança,
os detentos da Cadeia pública, a participação
na formação do Conselho da Criança e do adolescente,
a luta por rádios comunitárias, a estruturação
da Pastoral da Criança, as palestras nas várias escolas
e encontros educacionais, a participação ativa nos
mutirões para construções, a presença
no comércio e nas indústrias, a introdução
do trabalho com dezenas de famílias através do ECC
e as várias assessorias na Diocese de Garanhuns e em vários
estados do Nordeste. Com seu grande carisma, carinho pelas pessoas,
ele tornou-se um dos Padres mais queridos desta Diocese e da região.
Acredito que por isto tudo, ele surge agora na esfera política,
porque muitos já acreditam que ele poderá fazer pelo
nosso município, caso seja candidato e vença, o que
fez pela Igreja e pela população. Por isso, muitos
têm medo de Padre Carlos e outros já querem tirar proveito.
Na internet, encontrei um artigo maldoso e mentiroso em relação
à pessoa do Padre Carlos. Primeiro, fiquei preocupado, mas
depois, calmamente fui analisar os fatos. Há muita gente
interessada em tirar proveito de nossa Cidade. Pessoas sem escrúpulos,
sem amor aos mais pobres, sem caráter e sem projeto político,
tentam desabonar com calúnias a figura de um Sacerdote sério,
honesto e trabalhador. Digo isto sem medo. Todos desta Paróquia
lembram que na ida do Padre para Roma, foram feitas campanhas para
despesas de viagem. Seus estudos são custeados por uma instituição
alemã e suas despesas pessoais são pagas com ajudas,
espórtulas de missas e até mesmo com trabalho, durante
dois meses, na condição de operário, como ele
fez na fábrica da Mercedes Benz, Daimler Chryler, Alemanha,
durante as suas férias do ano passado. Roubo é uma
palavra que não existe na consciência do Padre Carlos.
A sua vida é marcada pela partilha dos bens e dos dons que
Deus lhe concedeu. Fala o artigo que ele teria levado dinheiro que
pertencia a comunidade de Miracica.
Esta comunidade tinha em caixa R$ 4.000,00 que foram emprestados
a reforma da Igreja Matriz e do Salão Dom Hélder.
No começo do ano passado, quando começamos a reforma
da Capela de Miracica, este dinheiro foi devolvido por mim, como
combinamos com a equipe, em material. Pessoas que fazem parte do
conselho da Capela são testemunhas disto. Lamento que mentiras
deste nível e outras, traduzidas de forma medíocre
como conversas escabrosas, que não são pertinentes
à uma vida pública, digna de princípios cristãos
e humanos, seja a única palavra, como arma, inclusive eleitoral,
que inimigos de Garanhuns e do povo mais sofrido, tenham para usar
contra uma pessoa íntegra, despojada e batalhadora.
Tinha prometido a mim mesmo que jamais faria qualquer pronunciamento
em relação a uma possível candidatura do Padre
Carlos André. Mas, quando vejo que a integridade de um colega
Sacerdote está sendo manchada, não posso me omitir
e dar brechas a caluniadores. Que se faça política
em Garanhuns, mas se faça com ética. O povo já
mostrou que não vota em candidato que não mostra propostas
possíveis de serem concretizadas, não tem história
de luta e não ama o povo mais simples e marginalizado. Ninguém
está interessado em políticos que usam em seus palanques,
fofocas difamatórias ou artigos, para denegrir com mentiras
a imagem dos outros. Vivemos de fato num País democrático,
mas, a democracia só é percebida quando pessoas inteligentes
e sensatas a exercem com compromisso, trabalho, honestidade, zelo
pela vida dos mais abandonados e participação da maioria.
Pessoas prepotentes, líderes sem lideranças, com medo
do novo e do povo, que desconhecem o verdadeiro valor da democracia,
se transformam em demagogas e perdem a credibilidade, não
merecendo a confiança da população.
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