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HUMOR
Raulzito
Presente de mãe
A mãe de Raulzito mora nos Estados Unidos e dizem até
que conseguiu um emprego como faxineira na residência oficial
do presidente Bucho. Segundo os fofoqueiros amigos do nosso querido
colunista, a velha sabe coisas chocantes do chefão do império
americano. Como o fato dele brochar toda semana. Pra se vingar,
a cada brochada o gringo inventa de invadir um país.
Mas nem é do Bucho, muito menos de política internacional
de que trata a coluna desta semana.
O fato é que com sua mãe morando nos states, Raulzinho
economiza o dinheiro do presente, pois para ele, liso como é,
seria impossível mandar a encomenda pelo correio.
Raul, no entanto, todo dia das mães compra uma lembrança
para a Viviane, sua namorada do bairro de São José.
- E a Vivi já tem filhos? - poderia perguntar o atento leitor.
- Tem não - quem responde é o próprio Raulzito,
assumindo a palavra e o texto.
"Viviane não tem filhos porque fazemos tabela, uso
camisinha e ela ainda toma religiosamente a pilula. Claro que tenho
a maior vontade de emprenhar a gostosona, mas quando vejo o preço
do leite, do neston e das fraldas descartáveis, chega me
dá uma dor no coração.
E não tem esse negócio de bonanza, é só
propaganda. Todos os mercados botam pra lascar. Nem Lula baixando
a gasolina, fazendo a reforma da previdência e dizendo pra
levantar a cabeça faz a vida da gente melhorar.
Quando escuto aquela frase, "pobre nasceu pra levar fumo",
fico pensando como ela é verdadeira. Tanto que são
as pobres que têm maior número de filhos, logicamente
porque levam mais fumo.
Assim, morro de medo de botar meninos ou meninas no mundo. O presente
que dou a Vivi é apenas uma prova do meu amor, e uma homenagem
a futura mãe e aos futuros filhos que teremos. Sim porque,
apesar da lasqueira, qualquer dia eu empresto minhas camisinhas
aos amigos, as pilulas a gente doa às mulheres do presídio
feminino da Várzea e as tabelas ficam para inspirar os cartolas
do Campeonato Nacional.
Enquanto não posso embuchar a Viviane, vou pensando no que
darei a ela nesse dia das mães. Só vou comprar um
presente, os outros podem ficar como sugestão para o leitor.
Tenho a opção de comprar um baby dol no Pérola,
em suaves seis prestações. Mas aí posso ficar
amarelo de tanto carnê que junto na gaveta. E que tal uma
bandeja para colocar os copos, comprada lá no Ferreira Shopping
da cidade? É, pode ser, custa pouco, mas o danado é
o atendimento daquelas moças, que expulsaram de Garanhuns
o meu amigo Paulito Lebre.
Mas tem também o Pop Shop, que apesar do nome em inglês
só vende sulanca de Caruaru e brinquedo do paraguai. Ali
posso comprar umas calcinhas de renda, dessas que resistem umas
três lavagens e até ao cheirinho de tabaco. Ou umas
sandálias raid da havaiana, que são confortáveis
e num tem cheiro de chulé.
Um sabonete de 50 centavos. Uma toalha de banho ou de mesa. Um
forro de cama. Uma saia. Uma calça jeans importada de Santa
Cruz do Capibaribe. Um tubinho de baton ou um esmalte para acender
a sua vaidade...
Ai, são tantas coisas que eu poderia dar a minha Vivi...
Garanhuns, ao contrário do que se pensa tem tantas opções
para comprar o presente da minha namorada e futura mãe que
chego a ficar doido.
Acho que posso também dar um disco, com aquela música
linda, que toca nas nossas FMs "Amor de rapariga não
vinga não..." Tenho certeza que a Vivi vai adorar, pois
nem só de fumo vivem os pobres.
Às que já são mães, um grande beijo
do Raulzito".
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