Garanhuns, 10 de maio de 2003
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COLUNAS
 

HUMOR

Raulzito


Presente de mãe

A mãe de Raulzito mora nos Estados Unidos e dizem até que conseguiu um emprego como faxineira na residência oficial do presidente Bucho. Segundo os fofoqueiros amigos do nosso querido colunista, a velha sabe coisas chocantes do chefão do império americano. Como o fato dele brochar toda semana. Pra se vingar, a cada brochada o gringo inventa de invadir um país.

Mas nem é do Bucho, muito menos de política internacional de que trata a coluna desta semana.

O fato é que com sua mãe morando nos states, Raulzinho economiza o dinheiro do presente, pois para ele, liso como é, seria impossível mandar a encomenda pelo correio.

Raul, no entanto, todo dia das mães compra uma lembrança para a Viviane, sua namorada do bairro de São José.

- E a Vivi já tem filhos? - poderia perguntar o atento leitor.

- Tem não - quem responde é o próprio Raulzito, assumindo a palavra e o texto.

"Viviane não tem filhos porque fazemos tabela, uso camisinha e ela ainda toma religiosamente a pilula. Claro que tenho a maior vontade de emprenhar a gostosona, mas quando vejo o preço do leite, do neston e das fraldas descartáveis, chega me dá uma dor no coração.

E não tem esse negócio de bonanza, é só propaganda. Todos os mercados botam pra lascar. Nem Lula baixando a gasolina, fazendo a reforma da previdência e dizendo pra levantar a cabeça faz a vida da gente melhorar.

Quando escuto aquela frase, "pobre nasceu pra levar fumo", fico pensando como ela é verdadeira. Tanto que são as pobres que têm maior número de filhos, logicamente porque levam mais fumo.

Assim, morro de medo de botar meninos ou meninas no mundo. O presente que dou a Vivi é apenas uma prova do meu amor, e uma homenagem a futura mãe e aos futuros filhos que teremos. Sim porque, apesar da lasqueira, qualquer dia eu empresto minhas camisinhas aos amigos, as pilulas a gente doa às mulheres do presídio feminino da Várzea e as tabelas ficam para inspirar os cartolas do Campeonato Nacional.

Enquanto não posso embuchar a Viviane, vou pensando no que darei a ela nesse dia das mães. Só vou comprar um presente, os outros podem ficar como sugestão para o leitor.

Tenho a opção de comprar um baby dol no Pérola, em suaves seis prestações. Mas aí posso ficar amarelo de tanto carnê que junto na gaveta. E que tal uma bandeja para colocar os copos, comprada lá no Ferreira Shopping da cidade? É, pode ser, custa pouco, mas o danado é o atendimento daquelas moças, que expulsaram de Garanhuns o meu amigo Paulito Lebre.

Mas tem também o Pop Shop, que apesar do nome em inglês só vende sulanca de Caruaru e brinquedo do paraguai. Ali posso comprar umas calcinhas de renda, dessas que resistem umas três lavagens e até ao cheirinho de tabaco. Ou umas sandálias raid da havaiana, que são confortáveis e num tem cheiro de chulé.

Um sabonete de 50 centavos. Uma toalha de banho ou de mesa. Um forro de cama. Uma saia. Uma calça jeans importada de Santa Cruz do Capibaribe. Um tubinho de baton ou um esmalte para acender a sua vaidade...

Ai, são tantas coisas que eu poderia dar a minha Vivi...

Garanhuns, ao contrário do que se pensa tem tantas opções para comprar o presente da minha namorada e futura mãe que chego a ficar doido.

Acho que posso também dar um disco, com aquela música linda, que toca nas nossas FMs "Amor de rapariga não vinga não..." Tenho certeza que a Vivi vai adorar, pois nem só de fumo vivem os pobres.

Às que já são mães, um grande beijo do Raulzito".