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Teresa luta por melhores dias na Educação
Professora aposentada do Estado, Maria Teresa Leitão, 51,
dedicou 31 anos de sua vida ao Magistério. Antes, estudou
em escola pública e fez Pedagogia na Universidade Católica
de Pernambuco, Unicap. Fez ainda pós-graduação
na área do ensino e durante muitos anos militou no Sintepe,
o Sindicato dos Profissinais de Educação de Pernambuco.
Como presidente do Sintepe, Teresa Leitão esteve à
frente dos principais movimentos dos professores, principalmente
nos governos Miguel Arraes e Jarbas Vasconcelos. A sua militância
aguerrida em defesa dos direitos dos que vivem numa sala de aula
e de uma educação de qualidade terminou por fazer
dessa recinfense deputada estadual, eleita com 23.104 votos, no
último pleito, pelo PT.
A parlamentar obteve votos do professorado em 169 municípios
pernambucanos, conseguindo façanhas incríveis, como
a conquista de 60 votos em Lagoa do Ouro, terra do prefeito Marquidoves
Vieira. Aqui em Garanhuns mais de 100 pessoas ajudaram a petista
a conseguir uma cadeira na Assembléia, numa cidade em que
havia forte polarização entre as candidaturas de Izaías
Régis e Aurora Cristina. Além disso, Genaldo Souza
e Eraldo Ferreira, do PT, também foram candidatos ao Legislativo.
Recentemente, Teresa Leitão esteve na Suíça
Pernambucana para conversar com integrantes do PT local e professores,
fazendo visitas ainda em São João, Lagoa do Ouro e
Belo Jardim. Na entrevista ao editor do Correio, Roberto Almeida,
a deputada falou sobre educação, criticou o governo
de Jarbas e disse que Lula está tendo um bom começo
na presidência da República.
CORREIO - A Assembléia, na legislatura
passada, tinha somente duas deputadas e agora tem oito. O que significou
esse aumento da representação feminina no parlamento
estadual?
TERESA LEITÃO - Isso muda alguma coisa
se a gente considerar o espaço político da mulher,
que foi ampliado. Contudo, eu digo sempre que não basta ser
mulher, é preciso demonstrar no exercício parlamentar
os compromissos políticos e sociais que se tem. É
evidente que uma ampliação de dois para oito altera
essa relação, como de fato aconteceu na Assembléia,
mas eu esperava um pouco mais das deputadas mulheres. Houve muita
comemoração por essa ampliação, tivemos
a iniciativa de atuar em algumas questões de forma conjunta,
porém até agora isso se reumiu às comemorações
do dia da mulher, quando apresentamos um requerimento conjunto e
foi realizada uma sessão solene debatendo temas do nosso
interesse. Fora isso não tivemos uma atuação
mais articulada, acredito que por conta dos próprios compromissos
da bancada feminina, que tem concepções políticas
bastante divergentes.
CORREIO - E com relação ao crescimento
da bancada do PT na Assembléia, a senhora crê que nesse
aspecto tivemos avanços?
TERESA - Houve avanços, decorrentes
da quantidade, pois passamos de dois para cinco. Hoje nós
temos condições de atuar em praticamente todas as
instâncias da Casa. Nós temos deputados na Mesa Diretora,
temos parlamentares presidindo comissões e representantes
em todas as comissões mais importantes da Assembléia.
Temos, finalmente, a liderança da Oposição,
exercida pelo deputado Sérgio Leite. O PT é a vitrine
da Assembléia, tanto que as administrações
de João Paulo e de Lula são motivos constantes de
avaliações da base de sustentação do
Governo Jarbas, que esquece muitas vezes que o foco de atuação
da Assembléia deve ser o Executivo Estadual.
CORREIO - Na sua visita a Garanhuns e região,
recentemente, o que a Sra. observou sobre o Agreste, especialmente
a respeito dos problemas na área de Educação?
TERESA - O Agreste de Pernambuco tem alguns
pólos de desenvolvimento, como Caruaru e Garanhuns, mas no
que tange a organização e participação
da sociedade é uma região mais conservadora do que
a Zona da Mata e o Sertão. Em relação à
educação podemos dizer que os problemas são
graves. Temos falta de professores em algumas áreas e parte
da reforma das escolas está bastante atrasada. Em Garanhuns
mesmo temos três escolas com problemas de funcionamento, ou
estão funcionando em rodízio ou estão em prédios
alugados, enquanto a reforma está se arrastando lentamente.
CORREIO - Com a criação do Fundef,
em 1988, o salário dos professores melhorou muito nos municípios
pequenos, mas agora está ficando defasado novamente. Por
que isso ocorre?
TERESA - Na verdade o Fundef tem algumas falhas
de origem. O ex-presidente da República nunca cumpriu o valor
que deveria vigorar para repasse dos recursos do Fundo de Valorização
do Magistério. E são poucos os prefeitos que observam
de fato a legislação do Fundef. No início houve
sim um aumento de salário em cidades que pagavam uma vergonha
aos professores, 30 ou 40 reais por mês. Mas de 88 para cá
houve uma estagnação e atualmente vários municípios
estão pagando menos do que o salário-mínimo,
sem contar que não há aquela preocupação
com o desenvolvimento da carreira. O Governo Lula tem um projeto
de alteração da lei, de modo a beneficiar os professores
da educação infantil e do ensino médio. Porém
o que determina o êxito do Fundef é o controle e a
fiscalização pelos conselhos. Infelizmente, aqui mesmo
nessa região eu rececebi muitas denúncias de que esses
conselhos, inclusive o da educação, não funcionam.
Esses organismos não se reúnem, os dados não
são repassados, os prefeitos indicam quem desejam para fazer
parte dos conselhos, e aí eles perdem a característica
de independência e o objetivo de fiscalizar os recursos públicos.
CORREIO - A Sra. é oposição
na Assembléia Legislativa, mas o seu partido, o PT, é
governo no Recife e no plano Federal. Como a deputada avalia a administração
do prefeito João Paulo e esse início do presidente
Lula?
TERESA - A prefeitura de João Paulo,
embora tenha encontrado algumas dificuldades, pelo próprio
contexto municipal, ela tem mostrado claramente uma forma de governar
diferente daquela do seu antecessor. A comparação
entre Roberto Magalhães e João Paulo é totalmente
inadequada, porque as prioridades da prefeitura do Recife agora
são outras. O PT de fato está atuando com uma inversão
de prioridades para aquelas camadas mais necessitadas da população.
O principal ponto da gestão de João Paulo, além
da implantação do orçamento verdadeiramente
participativo, tem sido a atuação nas áreas
da saúde e educação. Com a ampliação
do programa Saúde na Família, com a contratação
de muitos profissionais e um maior atendimento à saúde
da população. E na área da Educação
se você for comparar a ação da prefeitura do
Recife com a ação do Estado, realmente a administração
do PT ganha de mil a zero. Outro dia, na Assembléia, eu fiz
um comparativo entre as duas administrações, levantei
apenas seis pontos e o deputado Raul Henry, ex-secretário
de Educação de Jarbas, só teve condições
de responder três das questões colocadas, porque de
fato a educação na prefeitura da capital está
indo muito bem e o mesmo não acontece no Estado.
CORREIO - E quanto ao Governo Lula?
TERESA - É um governo com apenas quatro
meses de atuação e acho que vai muito bem. Lula tem
mantido a sua identidade popular e tem conseguido, no ponto da política
econômica, realizar feitos que a própria base de oposição
duvidava. Durante a campanha foi feito um verdadeiro terrorismo,
diziam que o Brasil iria virar uma nova Argentina, que o dólar
ia disparar, que a inflação iria voltar, que o Brasil
ia virar um verdadeiro caos... Mas o Governo Lula está mostrando
inteiro controle da situação e isso sem precisar se
curvar aos interesses dos Estados Unidos. E em relação
aos programas que foram apresentados, acho que tem dois programas
básicos, que tocam de fato na necessidade do povo: o programa
Brasil Alfabetizado, objetivando alfabetizar 20 milhões de
pessoas, e o Fome Zero, que ao contrário do que se diz não
é assistencialista, é um programa estruturador, vinculado
a outros programas de geração de emprego e renda,
principalmente para o Nordeste. E dentro em breve ainda será
lançado o programa do Primeiro Emprego. Finalmente, o presidente
teve a coragem de mandar para o Congresso as propostas das duas
principais reformas que o Brasil precisa para voltar a crescer e
crescer com justiça social. A grande diferença é
essa: nós queremos que o Brasil cresça, mas não
como aconteceu nos oito anos de FHC, um crescimento que aumentou
a diferença entre ricos e pobres. O Governo Lula quer que
o Brasil cresça com inclusão social e é por
isso que achamos que esse é de fato um governo do povo.
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