Garanhuns, 10 de maio de 2003
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CIDADE
 

Turismo de Garanhuns é alvo de críticas

Núbia Kênia


A cidade de Garanhuns é uma cidade turística. Pelo menos é isto que é veiculado em todo Estado. Por este motivo sempre atraí muitos visitantes, principalmente na época dos feriados prolongados, Garanheta e Festival de Inverno. Porém, já há algum tempo o setor de turismo de Garanhuns vem se tornando alvo de muitas críticas, principalmente devido ao grande número de reclamações dos visitantes, que insatisfeitos, se queixam da falta de estrutura turística na cidade. Este fato foi bastante evidenciado, no último feriado da Semana Santa, quando um grupo de visitantes protestou contra a falta de opções de gastronomia e pelo fato de ter encontrado o Centro Cultural Alfredo Leite Cavalcanti fechado.

"Viemos para Garanhuns para desfrutar do clima e apreciar suas maravilhas. A infra-estrutura turística da cidade, contudo, ficou a desejar, já que alguns locais encontramos fechados, justamente em uma época de feriado prolongado. Isto é um absurdo para uma cidade baseada no turismo, sem opções de lazer", enfatizou uma senhora de outra cidade, que não quis se identificar. Diante deste e de outros fatos semlhantes, fica a pergunta: Cadê o turismo de Garanhuns? O que a cidade tem a oferecer aos seus turistas?

RESPOSTA - Sobre as reclamações da falta de estrutura turística na cidade, o secretário municipal de Turismo, Ivan de Oliveira Gomes Júnior, diz que temos que começar a entender que existem algumas regras, dentro de Garanhuns, que devem ser quebradas. "Eu não tenho poder sobre a infra-estrutura privada. Já começamos com negociações junto com hotéis, restaurantes, para tentarmos mostrar a necessidade da prestação de serviço durante estas épocas de maior fluxo de visitantes, viabilizando uma estrutura básica que o município possa oferecer", se defende primeiramente o secretário.

A propósito do fechamento do Centro Cultural ele explica que o local não é uma área vinculada diretamente À Secretaria de Turismo, e sim a Secretaria de Educação.. Mesmo assim, foi feita uma programação para a Semana Santa, quando o local ficou aberto até às 14 horas, justamente para o turista que queria ver o acervo. "Entretanto, ocorreu que alguns visitantes chegaram depois das 14 horas e o Centro já estava fechado. Porém, vale salientar que assim como o Centro Cultural, todos os pontos referentes ao turismo, em qualquer parte do mundo, tem horário de funcionamento, seja no horário comercial ou horário especial de feriado. Claro que vamos fazer sempre com que esta linha de visitação seja extensa. É interesse nosso receber bem o turista, para que ele conheça mais a história de Garanhuns e leve um pouco da nossa lembrança", afirma Ivan Júnior.

OPINIÕES - Para o presidente em exercício da Associação Garanhuense da Indústria Hoteleira, André da Mota Valença, que também é proprietário do Hotel Petrópolis, falta o incremento da publicidade turística do município, para que o turismo local seja melhorado, pois a cidade só é divulgada em outros Estados quando acontecem eventos de grande porte, como a Garanheta e o Festival de Inverno (FIG). Outro ponto levantado por ele é que em feriados prolongados os bares e o comércio fecham. "Cidade turística nos finais de semana os bares e lojas não fecham, a exemplo de Recife e Maceió, que têm lojas nos shoppings e no comércio abertas nesse período. Temos, também, que criar uma infra-estrutura nos pontos turísticos, como o Cristo, que tem um clima e uma vista maravilhosa", enfatiza André.

Além disso, o hoteleiro critica o direcionamento do Festival de Inverno, que na sua opinião deveria ser prolongado, como também ser transformado em um centro de negócios, como acontece em outras cidades, a exemplo de Ouro Preto, Gramado, Campos dos Jordão."Durante a semana deveria acontecer várias feiras de negócios e valorização da cultura pernambucana, e nos finais de semana os shows com artistas renomados. Seria um FIG de lazer e comércio, onde o turista poderia prestigiar os eventos culturais e fazer negócios", define André.

Já o ex-proprietário do Bar Travessia e da Lanchonete "Skina I", o consultor financeiro Alexandre Guilherme Rodrigues diz que a falta de estrutura turística da cidade das flores não provoca a insatisfação somente do visitante, mas também de população que trabalha voltada para esta área. "O Travessia veio com o intuíto de alavancar a vida noturna da cidade, e durante dois anos desempenhou bem o seu papel. Infelizmente tivemos que fechar, porque boa parte da população da cidade não tem renda para gastar com lazer e o turista só aparece duas vezes no ano", conta. Alexandre sugere que para fortalecer o turismo e conseqüentemente a economia local, o FIG deveria ser prolongado para 15 dias, com um pré-festival e depois pós festival.

Ele também recomenda que os shows na praça de eventos deveriam acabar 1 hora da manhã, para que a vida noturna da cidade pudesse evoluir, para que bares e restaurantes possam faturar. "Na realidade, turisticamente, a cidade de Garanhuns só tem o Relógio de Flores para oferecer aos visitantes. O restante está tudo em formação. Tudo se adaptando ainda. Falta união entre o empresariado e a classe política" define.

O publicitário e produtor teatral Gerson Lima, que recentemente dirigiu o espetáculo "Jesus Alegria dos Homens", encenado há 13 anos no Cristo, e considerado o único atrativo durante a semana santa, ressalta que a questão de turismo em Garanhuns encontra um diferencial negativo, por incrível que pareça. Gerson reforça que o FIG seria o grande filão para o turismo do frio na cidade, mas está se tornando um equívoco.

"Não estão sabendo aproveitar o momento que seria apenas o efervescente do ano. O FIG deveria ser esticado em todos os seguimentos para o ano todo. Garanhuns poderia vender o seu frio, pois mesmo no alto verão, a partir das 10 horas da noite, ninguém sai de camiseta na rua. Neste caso temos o exemplo de Caruaru que aproveita o FORRÒ o ano todo, não só no período junino", destaca Lima.

Gerson culpa, também, a rede hoteleira da cidade, que no seu ponto de vista, não acordou para ter hotéis adaptados para turismo crescente. "Nossa gastronomia não acompanha, só se toma vinho aqui e se come fondue no FIG, onde isto deveria acontecer o ano todo a preços populares. Não temos uma política de cultura voltada para aquecer o turismo. Não temos uma movimentação intensa no centro de cultura, embora nossa casa de espetáculos teatrais, com 660 vagas, é uma das melhores de interior de Pernambuco", informa.

De acordo com o produtor cultural, outro aspecto que não favorece o crescimento do turismo na cidade é o fato dos pontos turísticos estarem completamente abandonados, com exceção do miolo da cidade, como o Relógio de Flores e o Parque Pau-Pombo. Os recantos como o Cristo do Magano, Cristo do Columinho e Monumento Rosa dos Ventos, no entanto, estão em completo abandono. "Para se ter uma idéia agora na Semana Santa o Cristo foi apenas pintado, de muito mal gosto, por sinal. Esse descaso, essa demência para o turismo é de uma gravidade muito grande.

O que falta em Garanhuns é fazer valer um recurso que foi encaminhado para cá, há cerca de dois anos, de dois milhões e seiscentos mil reais da União, que comentou-se que seria aplicado em turismo, segundo informou o Deputado Carlos Batata. Mas até agora o que se viu foi o projeto da Esplanada Cultural Guadalajara e da Rui Barbosa. Mas falta muita coisa para ser feito no sentido turístico", declara Gerson Lima.