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Turismo de Garanhuns é alvo de críticas
Núbia Kênia
A cidade de Garanhuns é uma cidade turística. Pelo
menos é isto que é veiculado em todo Estado. Por este
motivo sempre atraí muitos visitantes, principalmente na
época dos feriados prolongados, Garanheta e Festival de Inverno.
Porém, já há algum tempo o setor de turismo
de Garanhuns vem se tornando alvo de muitas críticas, principalmente
devido ao grande número de reclamações dos
visitantes, que insatisfeitos, se queixam da falta de estrutura
turística na cidade. Este fato foi bastante evidenciado,
no último feriado da Semana Santa, quando um grupo de visitantes
protestou contra a falta de opções de gastronomia
e pelo fato de ter encontrado o Centro Cultural Alfredo Leite Cavalcanti
fechado.
"Viemos para Garanhuns para desfrutar do clima e apreciar
suas maravilhas. A infra-estrutura turística da cidade, contudo,
ficou a desejar, já que alguns locais encontramos fechados,
justamente em uma época de feriado prolongado. Isto é
um absurdo para uma cidade baseada no turismo, sem opções
de lazer", enfatizou uma senhora de outra cidade, que não
quis se identificar. Diante deste e de outros fatos semlhantes,
fica a pergunta: Cadê o turismo de Garanhuns? O que a cidade
tem a oferecer aos seus turistas?
RESPOSTA - Sobre as reclamações
da falta de estrutura turística na cidade, o secretário
municipal de Turismo, Ivan de Oliveira Gomes Júnior, diz
que temos que começar a entender que existem algumas regras,
dentro de Garanhuns, que devem ser quebradas. "Eu não
tenho poder sobre a infra-estrutura privada. Já começamos
com negociações junto com hotéis, restaurantes,
para tentarmos mostrar a necessidade da prestação
de serviço durante estas épocas de maior fluxo de
visitantes, viabilizando uma estrutura básica que o município
possa oferecer", se defende primeiramente o secretário.
A propósito do fechamento do Centro Cultural ele explica
que o local não é uma área vinculada diretamente
À Secretaria de Turismo, e sim a Secretaria de Educação..
Mesmo assim, foi feita uma programação para a Semana
Santa, quando o local ficou aberto até às 14 horas,
justamente para o turista que queria ver o acervo. "Entretanto,
ocorreu que alguns visitantes chegaram depois das 14 horas e o Centro
já estava fechado. Porém, vale salientar que assim
como o Centro Cultural, todos os pontos referentes ao turismo, em
qualquer parte do mundo, tem horário de funcionamento, seja
no horário comercial ou horário especial de feriado.
Claro que vamos fazer sempre com que esta linha de visitação
seja extensa. É interesse nosso receber bem o turista, para
que ele conheça mais a história de Garanhuns e leve
um pouco da nossa lembrança", afirma Ivan Júnior.
OPINIÕES - Para o presidente
em exercício da Associação Garanhuense da Indústria
Hoteleira, André da Mota Valença, que também
é proprietário do Hotel Petrópolis, falta o
incremento da publicidade turística do município,
para que o turismo local seja melhorado, pois a cidade só
é divulgada em outros Estados quando acontecem eventos de
grande porte, como a Garanheta e o Festival de Inverno (FIG). Outro
ponto levantado por ele é que em feriados prolongados os
bares e o comércio fecham. "Cidade turística
nos finais de semana os bares e lojas não fecham, a exemplo
de Recife e Maceió, que têm lojas nos shoppings e no
comércio abertas nesse período. Temos, também,
que criar uma infra-estrutura nos pontos turísticos, como
o Cristo, que tem um clima e uma vista maravilhosa", enfatiza
André.
Além disso, o hoteleiro critica o direcionamento do Festival
de Inverno, que na sua opinião deveria ser prolongado, como
também ser transformado em um centro de negócios,
como acontece em outras cidades, a exemplo de Ouro Preto, Gramado,
Campos dos Jordão."Durante a semana deveria acontecer
várias feiras de negócios e valorização
da cultura pernambucana, e nos finais de semana os shows com artistas
renomados. Seria um FIG de lazer e comércio, onde o turista
poderia prestigiar os eventos culturais e fazer negócios",
define André.
Já o ex-proprietário do Bar Travessia e da Lanchonete
"Skina I", o consultor financeiro Alexandre Guilherme
Rodrigues diz que a falta de estrutura turística da cidade
das flores não provoca a insatisfação somente
do visitante, mas também de população que trabalha
voltada para esta área. "O Travessia veio com o intuíto
de alavancar a vida noturna da cidade, e durante dois anos desempenhou
bem o seu papel. Infelizmente tivemos que fechar, porque boa parte
da população da cidade não tem renda para gastar
com lazer e o turista só aparece duas vezes no ano",
conta. Alexandre sugere que para fortalecer o turismo e conseqüentemente
a economia local, o FIG deveria ser prolongado para 15 dias, com
um pré-festival e depois pós festival.
Ele também recomenda que os shows na praça de eventos
deveriam acabar 1 hora da manhã, para que a vida noturna
da cidade pudesse evoluir, para que bares e restaurantes possam
faturar. "Na realidade, turisticamente, a cidade de Garanhuns
só tem o Relógio de Flores para oferecer aos visitantes.
O restante está tudo em formação. Tudo se adaptando
ainda. Falta união entre o empresariado e a classe política"
define.
O publicitário e produtor teatral Gerson Lima, que recentemente
dirigiu o espetáculo "Jesus Alegria dos Homens",
encenado há 13 anos no Cristo, e considerado o único
atrativo durante a semana santa, ressalta que a questão de
turismo em Garanhuns encontra um diferencial negativo, por incrível
que pareça. Gerson reforça que o FIG seria o grande
filão para o turismo do frio na cidade, mas está se
tornando um equívoco.
"Não estão sabendo aproveitar o momento que
seria apenas o efervescente do ano. O FIG deveria ser esticado em
todos os seguimentos para o ano todo. Garanhuns poderia vender o
seu frio, pois mesmo no alto verão, a partir das 10 horas
da noite, ninguém sai de camiseta na rua. Neste caso temos
o exemplo de Caruaru que aproveita o FORRÒ o ano todo, não
só no período junino", destaca Lima.
Gerson culpa, também, a rede hoteleira da cidade, que no
seu ponto de vista, não acordou para ter hotéis adaptados
para turismo crescente. "Nossa gastronomia não acompanha,
só se toma vinho aqui e se come fondue no FIG, onde isto
deveria acontecer o ano todo a preços populares. Não
temos uma política de cultura voltada para aquecer o turismo.
Não temos uma movimentação intensa no centro
de cultura, embora nossa casa de espetáculos teatrais, com
660 vagas, é uma das melhores de interior de Pernambuco",
informa.
De acordo com o produtor cultural, outro aspecto que não
favorece o crescimento do turismo na cidade é o fato dos
pontos turísticos estarem completamente abandonados, com
exceção do miolo da cidade, como o Relógio
de Flores e o Parque Pau-Pombo. Os recantos como o Cristo do Magano,
Cristo do Columinho e Monumento Rosa dos Ventos, no entanto, estão
em completo abandono. "Para se ter uma idéia agora na
Semana Santa o Cristo foi apenas pintado, de muito mal gosto, por
sinal. Esse descaso, essa demência para o turismo é
de uma gravidade muito grande.
O que falta em Garanhuns é fazer valer um recurso que foi
encaminhado para cá, há cerca de dois anos, de dois
milhões e seiscentos mil reais da União, que comentou-se
que seria aplicado em turismo, segundo informou o Deputado Carlos
Batata. Mas até agora o que se viu foi o projeto da Esplanada
Cultural Guadalajara e da Rui Barbosa. Mas falta muita coisa para
ser feito no sentido turístico", declara Gerson Lima.
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