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OAB Garanhuns busca aproximação
com sociedade
A Ordem dos Advogados do Brasil, subsecção de Garanhuns,
vem buscando uma aproximação maior com a sociedade
local. Nesse sentido, o presidente da OAB local, advogado José
Alberto de Lima, 47, natural da Suíça Pernambucana
colocou para funcionar as comissões do Direito do Consumidor
e do Meio Ambiente e Política Agrária. Através
delas, a Ordem pode levar à frente ações coletivas
defendendo a população contra empresas como a Telemar
e levar à frente lutas como a da preservação
das fontes de águas mineral da cidade.
A entrevista com José Alberto é um complemento à
conversa que tivemos com a advogada Ana Cláudia Livino, publicada
na edição anterior. O material completo pode até
ficar um tanto técnico, mas julgamos necessária sua
publicação, por conta das informações
importantes levadas ao conhecimento público.
Paciente, comedido, o presidente da OAB explica como funciona as
comissões criadas em seu segundo mandato à frente
da Ordem, revela quantos advogados militantes existem em Garanhuns,
elogia a qualificação profissional dos seus colegas
e lembra que deve existir independência em relação
aos juízes e promotores.
José Alberto falou ainda dos cursos de pós-graduação
dados em Garanhuns, por iniciativa da OAB e defendeu a instalação
de um curso de Direito na cidade. O texto e a edição
são de Roberto Almeida.
CORREIO - A Ordem dos Advogados do Brasil
tem desempenhado um papel importantíssimo no País,
inclusive na luta pela redemocratização. Especificamente
no caso de Garanhuns o que a OAB tem feito?
ZÉ ALBERTO - A Ordem dos Advogados
do Brasil em nenhum momento, mesmo após consolidada a redemocratização,
chegou a parar. A OAB continua lutando, juntamente com os demais
profissionais da área do Direito, para que essa democracia
seja plena. Em Garanhuns temos atuado de maneira a atender, na medida
do possível, a população e também os
nossos advogados. Estamos trazendo cursos e preparando os nossos
profissionais para o seu dia-a-dia junto as comarcas vizinhas.
CORREIO - Quantos advogados existem atualmente
em Garanhuns e quantos efetivamente participam da vida da OAB?
ZÉ ALBERTO - A subseccional de Garanhuns
tem cerca de 200 advogados e pelo menos 120 profissionais militantes
que vivem à mercê dos juízes, atuando como profissionais
do ramo do Direito, aqui e nas comarcas vizinhas.
CORREIO - Por que à mercê dos juízes?
Os advogados e os promotores não são indepentes?
ZÉ ALBERTO - Quando eu falei à
mercê dos juízes eu quis na verdade dar ênfase
à qualificação dos magistrados, porque cabe
a eles julgar. Mas não existe diferença entre promotor,
juiz e advogado. Todos somos iguais e formamos o tripé da
justiça. Essa não será possível sem
qualquer um deles.
CORREIO - O Sr. falou aí de cursos que
têm sido patrocinados pela OAB local. Que cursos são
esses e que importância têm eles para os advogados aqui
da cidade?
ZÉ ALBERTO - Nós trouxemos aqui
para Garanhuns e terminamos no final de 2002, o primeiro pós-graduação
em processo civil, penal e trabalhista. Mesmo sem uma faculdade,
pois tivemos que usar uma faculdade do Rio Grande do Norte para
que isso fosse feito. Trouxemos também cursos de atualização
do novo código civil, promovemos palestras a respeito do
Direito Penal e outros cursos. Tudo isso para fortalecer e garantir
mais qualidade ao trabalho dos nossos profissionais, que assim poderão
servir melhor à população.
CORREIO - Há, portanto, essa preocupação
com a qualificação. O Sr. diria que os profissionais
locais são tão qualificados quanto os da capital?
ZÉ ALBERTO - Eu diria que sim. Acredito
que os nossos advogados podem trabalhar em qualquer comarca, em
qualquer instância ou tribunal. Porque eles são dignos
e sábios para resolver as questões que abraçarem.
CORREIO - Com relação a esse trabalho
que é feito pela OAB local criando comissões... O
que são realmente essas comissões e qual sua importância
para a cidade?
ZÉ ALBERTO - As comissões foram
criadas pela secção de Pernambuco. Nós temos
aqui uma subcomissão que possibilita a população
melhorias nos seus direitos. Podemos dar como exemplo a situação
dos usuários do Banco do Brasil. Sabemos que os clientes
do BB chegam a esperar numa fila até cinco horas para resolver
um pequeno problema, quando existe uma lei municipal determinando
um tempo muito menor. Preocupada com isso e outros aspectos existentes
em nossa região, como é o caso dos fatos envolvendo
a Telemar , que ocupa as pequenas causas quase um dia por semana,
OAB resolveu, através dessa subcomissão dos Direitos
do Consumidor entrar com ações coletivas e temos certeza
que solucionaremos esses problemas.
CORREIO - E com relação à
Comissão de Meio Ambiente e Política Agrária.
Quais são os serviços que ela presta à população?
ZÉ ALBERTO - Olhe, nós sabemos
que Garanhuns tem uma grande riqueza de águas. Dentre de
10 anos, pelo que afirmam os especialistas, corremos o risco de
não ter mais água potável no mundo em quantidade
suficiente. No caso específico de nossa cidade, as fontes
de água como Serra Branca, São Luiz e outras estão
precisando de cuidados para que não fiquem imprestáveis
para o consumo humano. A OAB entende que é um direito seu
e do cidadão lutar pela preservação dessas
fontes, por isso foi criada essa comissão, vinculada às
questões do meio ambiente e da política agrária.
Existem problemas aqui que o povo desconhece, como o dos quilombolas.
Estou falando de política agrária e não de
política ou reforma fundiária. São coisas diferentes.
Estamos tratando do agricultor junto à terra, trabalhando,
recebendo o que lhe é de direito e vendendo a sua mercadoria.
A questão nossa não é buscar terras e sim meios
que permitam ao agricultor se manter na terra.
CORREIO - Se alguém precisar da OAB para
resolver alguma questão relativa aos seus direitos de cidadão
ou ligada ao problema da terra, o que ele deve fazer?
ZÉ ALBERTO - Esse serviço não
é prestado ao indíviduo, a não ser excepcionalmente.
O trabalho é feito pelo coletivo. Uma ação
contra a Telemar, por exemplo, deve ser de uma população
que está sendo mal atendida pela Empresa. É feito
o pedido ao juiz ou quem de direito que resolva a situação
da coletividade.
CORREIO - Tem se falado muito no novo Código
Civil Brasileiro. Que avanços o novo código trouxe
para a população?
ZÉ ALBERTO - O novo Código Civil
traz várias inovações, nas áreas do
casamento, de sucessão e de danos e indenizações.
Ele nos traz um direito mais próximo da nossa realidade.
É mais subjetivo e menos objetivo. Como tudo evolui havia
numa necessidade muito grande desse código, apesar do belíssimo
conjunto de leis de 1916. É uma obra rara, mas que já
não servia para a sociedade atual. Só que estamos
andando numa velocidade muito rápida e o novo Código
já precisa de alguns ajustes, algumas emendas.
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