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A Garanhuns que está dando certo
Núbia Kênia
Foi-se o tempo em que as mulheres de Garanhuns não tinham
a quem recorrer nos momentos de necessidade, quando muitas vezes
eram tratadas como sexo frágil, e taxadas, por alguns, de
classe desunida, que não tinha quem ouvisse suas angústias
e frustrações. Esse tempo realmente acabou, quando
há nove anos, um grupo dessas mulheres resolveu se reunir
e criar o CEAMUG (Centro Associativo das Mulheres de Garanhuns),
que, hoje, instalado numa casa simples de 150 metros quadrados,
no bairro do Indiano, está mudando a cara sócio-econômica
das mulheres da cidade, proporcionando uma realidade menos cruel
do que enfrentamos nesse mundo de constante crise.
Até então, o centro associativo funciona sem nenhuma
ajuda financeira, apenas com algumas parcerias, mais mesmo assim
já profissionalizou mais de 100 pessoas, na grande maioria
mulheres, que enfrentavam o desemprego ou a submissão masculina.
Este é o caso da dona de casa Maria do Socorro. Ela nos conta
que antes se associar a CEAMUG vivia em casa, fazendo os trabalhos
domésticos e enfrentando dificuldades financeiras, pois o
que o marido ganhava não dava para cobrir as despesas mensais
do casal com seus dois filhos. "Este centro é uma benção.
Estava muito depressiva. Procurei o centro e hoje sou outra pessoa.
Aqui me sinto amada, querida. Me sinto gente. Encontrei apoio psicológica
e ainda consegui fazer cursos que estão ajudando na minha
renda e aumentando minha auto- estima", confessa a Cícera
Frazão, que hoje, além de dona de casa fez o curso
de arte culinária e trabalha com encomendas de doces e salgados.
Como Cícera Frazão dezenas de mulheres vem sendo
assistidas pela entidade, que também desenvolve reuniões
onde é discutida a qualidade de vida. Além disso,
as associadas dispõem de assistência médica,
orientação jurídica, ajuda psicológica,
planejamento familiar, distribuição de preservativos,
e podem participar dos cursos profissionalizantes de corte e costura,
artesanatos, arte culinária, informática, cabeleireiro,
manicure, oferecidos diariamente.
De acordo com a Relações Públicas e vice presidente
da casa, Márcia Mendes Viana, a administração
do centro está formando turmas para os cursos de floricultura
e confecção de chocolate, para ajudar a incrementar
a renda nesta páscoa. "É muito gratificante vê
pessoas que chegam aqui, muitas vezes depressivas e desiludida da
vida, em pouco tempo se renovar, encontrar um novo rumo. Temos como
objetivo principal profissionalizar e capacitar as mulheres para
o mercado de trabalho, visando desenvolver o seu potencial para
que ela integre a sociedade, na parte política e civil, como
cidadã ", explica Márcia.
Outra ação desenvolvida pelo centro, que vem crescendo
dia a dia, é o apoio a mulher que sofre violência doméstica.
Segundo a presidente, Iva Pereira Costa, nesses casos a mulher não
é levada muito a sério, pois na maioria das vezes
pouco se tem feito para resolver a situação. "Quando
ela procura uma delegacia, a queixa é registrada e a mulher
é orientada a voltar para casa e aguardar. Diante desse quadro
estamos tentando ajudá-las mais. Apesar dos esforços
contínuos, ainda trabalhamos pouco em relação
ao que queríamos, devido a pouca estrutura que ainda temos.
Mantemos uma parceria com uma advogada, que está buscando
apoio junto ao Ministério Público de Garanhuns, para
que possamos nos unir mais e dá uma atenção
especial as mulheres que são violentadas, como também
a seus filhos. Estamos lutando para a implantação
da Delegacia da Mulher em Garanhuns, para que o acompanhamento a
essas mulheres será mais direcionado", explica Iva,
que é Bacharel em Ciências Contábeis e por muitos
anos desencadeou muitas lutas na FETAPE (Federação
dos Trabalhadores Rurais), onde trabalhou.
FUTURO- Diante da situação vivenciada as necessidades
aos poucos cresceram e o projeto também. As dirigentes da
CEAMUG revelam que o trabalho da associação não
fica por aí, pois estão engajadas em desenvolverem
núcleos anexos do órgão para serem sediados
em outros bairros da cidade. "Queremos desenvolver o cooperativismo
e não o associativismo, fazendo com que as mulheres desenvolvam
esse lado de trabalho, cada uma recebendo através do seu
próprio esforço. Sendo assim, vamos criar Centros
de: Cabeleireiro, Beleza da Mulher, Costura, Arte Culinária
e o Centro de Artesanato. Abrangendo não só o Indiano,
mais outros bairros", esclarece a tesoureira do centro, Rosângela
Araújo, que também é monitora de cursos. Ela
ainda nos conta que posteriormente o grupo que integra a Associação
tem a intenção de criar a AMUGAM, isto é, um
centro que cubra todo Agreste Meridional.
Mas para que esse trabalho tenha êxito, o grupo que preside
a CEAMUG está pleiteando para conseguir trazer recursos do
FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) para que o trabalho tenha maior
expansão. "O FAT tem uma linha de crédito destinada
as associações, mas devido a um grande jogo de interesses
só as grandes associações tem acesso a esses
recursos. As dificuldades não vão nos abater, essa
linha de crédito vai chegar até a CEAMUG para que
nosso trabalho seja fortalecido", ressalta Iva Costa.
LAZER- O centro não é só voltado para o trabalho,
mas também para o lazer, quando no último dia 08 de
Março foi comemorado em grande estilo, o Dia Internacional
da Mulher. Durante o evento, realizado no CAIC, foi montada uma
programação toda especial, diferente dos demais anos,
chamando a atenção da comunidade. "Apresentamos
peças confeccionadas por nós, como roupas e artesanatos.
Além disso, houve desfile de penteados entre outros. Me senti
uma artista, podendo apresentar para o público o fruto do
meu trabalho. Isto é maravilhoso", diz muita emocionada
Josefa Cardoso, que é monitora do curso de corte e costura.
E para incrementar ainda mais o trabalho desenvolvido pelo local,
o CEAMUG vai realizar, no primeiro domingo de Maio, uma programação
especial em antecipação ao Dia das Mães, prevista
para acontecer no Seminário São José.
UNIÃO- "Nós precisamos, cada vez mais, nos unir,
porque o nosso objetivo é em busca de dias melhores, de uma
melhor participação na sociedade, tendo consciência
do que queremos, e que juntas podemos fazer muito mais para melhorar
nossa comunidade e nossa casa. Pois se nós ficarmos bem dentro
de nossa família, todas as coisas darão certo, porque
teremos uma nova entendimento, daquilo que é ser mulher,
do que poderemos fazer. Qualquer coisa que a mulher de Garanhuns
precise ela pode telefonar ou aparecer na associação,
estaremos de braços abertos para recebê-la", enfatiza
a vice presidente Márcia Viana.
Além da população do Indiano, o centro, também
atende pessoas oriundas de todos os bairros cidade, como também
da zona rural a exemplo dos sítios Papaterra, São
Vicente, Maçaranduba, que já receberam o grupo da
CEAMUG para explanação de palestras. Os homens e filhos
das mulheres associadas também podem participar dos cursos
oferecidos. O trabalho desenvolvido pela entidade é tão
expressivo que contagiou representantes de outras cidades como Capoeiras,
Paranatama e Jucatí que solicitaram um núcleo de mulher
nas suas respectivas cidades.
APOIO-"Estamos trabalhando com nossos próprios recursos,
e para dá uma melhor qualidade a nosso serviços precisamos
de parcerias e ajuda de todos. Para fazer a política pública
social, infelizmente ainda é muito difícil",
concluí Márcia.
As pessoas interessadas em participar desse trabalhe, tornando-se
um associado deve procurar o CEAMUG, na Rua Diário de Pernambuco,
235, Indiano, no horário de 8:00 horas até às
22:00 horas, levando xerox de RG, CPF e comprovante de residência,
ou ligar para o telefone (87) 3762 5608.
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