Garanhuns, 12 de abril de 2003
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A Garanhuns que está dando certo

Núbia Kênia


Foi-se o tempo em que as mulheres de Garanhuns não tinham a quem recorrer nos momentos de necessidade, quando muitas vezes eram tratadas como sexo frágil, e taxadas, por alguns, de classe desunida, que não tinha quem ouvisse suas angústias e frustrações. Esse tempo realmente acabou, quando há nove anos, um grupo dessas mulheres resolveu se reunir e criar o CEAMUG (Centro Associativo das Mulheres de Garanhuns), que, hoje, instalado numa casa simples de 150 metros quadrados, no bairro do Indiano, está mudando a cara sócio-econômica das mulheres da cidade, proporcionando uma realidade menos cruel do que enfrentamos nesse mundo de constante crise.

Até então, o centro associativo funciona sem nenhuma ajuda financeira, apenas com algumas parcerias, mais mesmo assim já profissionalizou mais de 100 pessoas, na grande maioria mulheres, que enfrentavam o desemprego ou a submissão masculina. Este é o caso da dona de casa Maria do Socorro. Ela nos conta que antes se associar a CEAMUG vivia em casa, fazendo os trabalhos domésticos e enfrentando dificuldades financeiras, pois o que o marido ganhava não dava para cobrir as despesas mensais do casal com seus dois filhos. "Este centro é uma benção. Estava muito depressiva. Procurei o centro e hoje sou outra pessoa. Aqui me sinto amada, querida. Me sinto gente. Encontrei apoio psicológica e ainda consegui fazer cursos que estão ajudando na minha renda e aumentando minha auto- estima", confessa a Cícera Frazão, que hoje, além de dona de casa fez o curso de arte culinária e trabalha com encomendas de doces e salgados.

Como Cícera Frazão dezenas de mulheres vem sendo assistidas pela entidade, que também desenvolve reuniões onde é discutida a qualidade de vida. Além disso, as associadas dispõem de assistência médica, orientação jurídica, ajuda psicológica, planejamento familiar, distribuição de preservativos, e podem participar dos cursos profissionalizantes de corte e costura, artesanatos, arte culinária, informática, cabeleireiro, manicure, oferecidos diariamente.

De acordo com a Relações Públicas e vice presidente da casa, Márcia Mendes Viana, a administração do centro está formando turmas para os cursos de floricultura e confecção de chocolate, para ajudar a incrementar a renda nesta páscoa. "É muito gratificante vê pessoas que chegam aqui, muitas vezes depressivas e desiludida da vida, em pouco tempo se renovar, encontrar um novo rumo. Temos como objetivo principal profissionalizar e capacitar as mulheres para o mercado de trabalho, visando desenvolver o seu potencial para que ela integre a sociedade, na parte política e civil, como cidadã ", explica Márcia.

Outra ação desenvolvida pelo centro, que vem crescendo dia a dia, é o apoio a mulher que sofre violência doméstica. Segundo a presidente, Iva Pereira Costa, nesses casos a mulher não é levada muito a sério, pois na maioria das vezes pouco se tem feito para resolver a situação. "Quando ela procura uma delegacia, a queixa é registrada e a mulher é orientada a voltar para casa e aguardar. Diante desse quadro estamos tentando ajudá-las mais. Apesar dos esforços contínuos, ainda trabalhamos pouco em relação ao que queríamos, devido a pouca estrutura que ainda temos. Mantemos uma parceria com uma advogada, que está buscando apoio junto ao Ministério Público de Garanhuns, para que possamos nos unir mais e dá uma atenção especial as mulheres que são violentadas, como também a seus filhos. Estamos lutando para a implantação da Delegacia da Mulher em Garanhuns, para que o acompanhamento a essas mulheres será mais direcionado", explica Iva, que é Bacharel em Ciências Contábeis e por muitos anos desencadeou muitas lutas na FETAPE (Federação dos Trabalhadores Rurais), onde trabalhou.

FUTURO- Diante da situação vivenciada as necessidades aos poucos cresceram e o projeto também. As dirigentes da CEAMUG revelam que o trabalho da associação não fica por aí, pois estão engajadas em desenvolverem núcleos anexos do órgão para serem sediados em outros bairros da cidade. "Queremos desenvolver o cooperativismo e não o associativismo, fazendo com que as mulheres desenvolvam esse lado de trabalho, cada uma recebendo através do seu próprio esforço. Sendo assim, vamos criar Centros de: Cabeleireiro, Beleza da Mulher, Costura, Arte Culinária e o Centro de Artesanato. Abrangendo não só o Indiano, mais outros bairros", esclarece a tesoureira do centro, Rosângela Araújo, que também é monitora de cursos. Ela ainda nos conta que posteriormente o grupo que integra a Associação tem a intenção de criar a AMUGAM, isto é, um centro que cubra todo Agreste Meridional.

Mas para que esse trabalho tenha êxito, o grupo que preside a CEAMUG está pleiteando para conseguir trazer recursos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) para que o trabalho tenha maior expansão. "O FAT tem uma linha de crédito destinada as associações, mas devido a um grande jogo de interesses só as grandes associações tem acesso a esses recursos. As dificuldades não vão nos abater, essa linha de crédito vai chegar até a CEAMUG para que nosso trabalho seja fortalecido", ressalta Iva Costa.

LAZER- O centro não é só voltado para o trabalho, mas também para o lazer, quando no último dia 08 de Março foi comemorado em grande estilo, o Dia Internacional da Mulher. Durante o evento, realizado no CAIC, foi montada uma programação toda especial, diferente dos demais anos, chamando a atenção da comunidade. "Apresentamos peças confeccionadas por nós, como roupas e artesanatos. Além disso, houve desfile de penteados entre outros. Me senti uma artista, podendo apresentar para o público o fruto do meu trabalho. Isto é maravilhoso", diz muita emocionada Josefa Cardoso, que é monitora do curso de corte e costura.

E para incrementar ainda mais o trabalho desenvolvido pelo local, o CEAMUG vai realizar, no primeiro domingo de Maio, uma programação especial em antecipação ao Dia das Mães, prevista para acontecer no Seminário São José.

UNIÃO- "Nós precisamos, cada vez mais, nos unir, porque o nosso objetivo é em busca de dias melhores, de uma melhor participação na sociedade, tendo consciência do que queremos, e que juntas podemos fazer muito mais para melhorar nossa comunidade e nossa casa. Pois se nós ficarmos bem dentro de nossa família, todas as coisas darão certo, porque teremos uma nova entendimento, daquilo que é ser mulher, do que poderemos fazer. Qualquer coisa que a mulher de Garanhuns precise ela pode telefonar ou aparecer na associação, estaremos de braços abertos para recebê-la", enfatiza a vice presidente Márcia Viana.

Além da população do Indiano, o centro, também atende pessoas oriundas de todos os bairros cidade, como também da zona rural a exemplo dos sítios Papaterra, São Vicente, Maçaranduba, que já receberam o grupo da CEAMUG para explanação de palestras. Os homens e filhos das mulheres associadas também podem participar dos cursos oferecidos. O trabalho desenvolvido pela entidade é tão expressivo que contagiou representantes de outras cidades como Capoeiras, Paranatama e Jucatí que solicitaram um núcleo de mulher nas suas respectivas cidades.

APOIO-"Estamos trabalhando com nossos próprios recursos, e para dá uma melhor qualidade a nosso serviços precisamos de parcerias e ajuda de todos. Para fazer a política pública social, infelizmente ainda é muito difícil", concluí Márcia.

As pessoas interessadas em participar desse trabalhe, tornando-se um associado deve procurar o CEAMUG, na Rua Diário de Pernambuco, 235, Indiano, no horário de 8:00 horas até às 22:00 horas, levando xerox de RG, CPF e comprovante de residência, ou ligar para o telefone (87) 3762 5608.