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Advogados têm mais espaço em Garanhuns
Quem vê Ana Cláudia Livino, uma morena alta, de largo
sorriso e 27 anos de idade, nem imagina que ela é advogada.
Mas é, e das mais eficientes e desembaraçadas, embora
esteja atuando como profissional há relativamente pouco tempo.
Trabalha principalmente nas áreas trabalhista e criminalista,
explicando que não vive a "defender bandidos",
como muita gente poderia pensar.
Ana Cláudia só fez nascer em Brasília e veio
morar em Garanhuns. Aqui, na cidade das flores, viveu sua infância
e juventude, estudando no Colégio XV de Novembro. Fez Direito
em Caruaru, indo e voltando da capital do Agreste todos os dias,
mas com certeza o sacrifício parece ter valido a pena.
Garanhuns ganhou uma boa advogada, uma mulher independente, capaz
de falar sobre sua profissão com paixão, desfazendo
preconceitos e orientando os que desejam seguir seu caminho. Nesta
entrevista ao Correio, Dra. Cláudia explica didaticamente
quais os vários campos do Direito, garante que na Suíça
Pernambucana existem atualmente bons profissionais e se coloca inteiramente
a favor da instalação do curso de ciências jurídicas
que vem sendo pleiteado pela FAGA. A entrevista e a edição
final são de Roberto Almeida.
CORREIO - Como está o mercado de
Direito em Garanhuns e no Agreste?
ANA CLÁUDIA - O mercado do Direito
em Garanhuns e região está muito profícuo.
Nós temos muitos profissionais de bom nível, pessoas
estabelecidas na cidade há muitos anos e outros mais jovens,
mas que também desenvolvem uma atividade bem relacionada
com o código de ética e com as normas determinadas
pela Ordem dos Advogados do Brasil, sempre com o objetivo de ajudar
a população, de esclarecer o povo não somente
sobre os seus direitos, mas também a respeito dos seus deveres
de cidadãos.
CORREIO - A Sra. diria que Garanhuns tem bons
profissionais no campo do Direito? Temos homens e mulheres bem capacitados
nesta área?
ANA CLÁUDIA - Com toda certeza. E é
bom fazer essa ressalva, porque temos profissionais capacitados
entre os homens e também entre as mulheres. Como falei temos
pessoas já estabelecidas na cidade que vêm fazendo
um trabalho de muita competência, reconhecido com louvor.
Graças a Deus e ao trabalho da Ordem dos Advogados, OAB,
Garanhuns tem sido uma cidade muito bem servida nesse nosso campo.
CORREIO - Mas existe alguma problema, tem advogado
demais aqui na cidade ou, pelo contrário, existem algumas
lacunas?
ANA CLÁUDIA - Em Garanhuns, como em
todo o mundo, está havendo a necessidade de especialização
em algumas áreas. Direito não é somente direito.
Você é advogado porque atua numa área ou outra.
Foi-se há muitos anos o tempo em que o advogado era uma espécie
de "clínico geral". Temos a necessidade de se especializar
em algumas áreas para poder atender os interesses com melhores
possibilidades. Sendo assim algumas área têm sofrido
um pouco da necessidade de bons profissionais. Existem áreas
muitos novas, como o Direito Internacional e o Direito da Informática
que precisam de profissionais.
CORREIO - No interior existiria campo para essas
áreas?
ANA CLÁUDIA - Em alguns lugares, em
algumas colocações, sim. Em todos os lugares acontecem
processos que necessitam de especializações. Em Garanhuns
poderíamos precisar sim desses novos profissionais. Hoje
nós temos excelentes criminalistas, trabalhistas, tributaristas
e civilistas muito bons. Mas como em todo lugar nós sofremos
de carências em determinadas especialidades.
CORREIO - Nessas áreas novas portanto
teríamos carências. E quais são as áreas
que estão saturadas na cidade?
ANA CLÁUDIA - Eu não poderia
dizer saturadas, como muita gente. Mas com muitos profissionais
trabalhando bem poderia citar as áreas civel e trabalhista.
CORREIO - A Sra. diria que sempre existe lugar
para o bom profissional?
ANA CLÁUDIA - Todo profissional que
tenha competência ele se estabelece, ele não teme concorrência.
E o mercado é muito aberto para todo aquele que é
bom, principalmente para quem gosta de estudar e se atualizar. Para
ele não é importante apenas ganhar dinheiro, trabalhar
por trabalhar. É necessário estudar, atualizar-se
sempre e aprender cada vez mais.
CORREIO - Com relação a essa questão
das áreas do Direito, vamos procurar esclarecer uma coisa
aqui sobre os advogados criminalistas. Dra., quem atua nesse campo
vive só defendendo bandido?
ANA CLÁUDIA - É uma colocação
interessante. E é muito importante que a gente esclareça
esse ponto. Primeiro vamos definir o que é o que é
um criminoso. Bandido é uma colocação um tanto
pejorativa e inferior aquele que comete um delito. Muitas vezes
um cidadão de bem, um cidadão que tem o seu trabalho
e residência fixa, que tem a sua família e o seu nome
estabelecido na sociedade, por um descuido seu ou de uma terceira
pessoa, ou por uma outra situação que não dependia
dele comete um delito. E muitas vezes ele passa a ser encarado como
um bandido, como um criminoso, como uma pessoa que merece ser separado
da sociedade. Talvez não devessemos tratar de bandidos, mas
de pessoas que cometem delitos. O advogado criminalista hoje muitas
vezes trabalha ao lado da família ou das famílias
das vítimas. E também temos atuado muito ao lado do
Ministério Público.
CORREIO - Recentemente o ministro da Justiça,
Thomas Bastos, disse que querem transformar o Fernandinho Beira
Mar como um pop star, coisa que ele não é. O bandido
às vezes é transformado numa celebridade. Como a Sra.
analisa essa observação do ministro?
ANA CLÁUDIA - Achei uma colocação
muito boa, muito justa e própria para aquele momento. O Fernandinho
Beira Mar cometeu crimes e deve ser punido. Mas ele não é
um ator, não é um artista e por isso não merece
tanta atenção. Existem muitos outros que cometeram
os mesmo crimes do Beira Mar e merecem estar na cadeia.
CORREIO - Voltando a área do Direito
Trabalhista: é verdade que em Garanhuns muitos empregados
temem lutar por seus direitos com medo da represália do patrão?
Esse temor é justificado?
ANA CLÁUDIA - Assim como esclarecemos
há pouco a área do Direito Criminal, devemos esclarecer
esses pontos do campo trabalhista. Acontece muito, não somente
em Garanhuns mas em todo o interior esse medo do trabalhador ficar
com medo de reclamar os seus direitos para não ficar marcado.
Ora, o trabalhador tem todo o direito de reclamar na Justiça
do Trabalho, mas é bom lembrar que ele também tem
obrigações e por isso deve reivindicar o que é
justo. Portanto não se pode falsear os fatos, pedir além,
dando fundamentos errados. Neste caso ele também poderá
ser punido. Eu tenho a visão de que o acordo é sempre
a melhor solução, desde que esse não seja injusto
ou imoral para o empregado e que também não penalize
o empregador.
CORREIO - Pelo que a Sra. disse até agora
existem muitas opcões para quem deseja tornar-se advogado.
Todas essas áreas que foram citadas e mais os concursos para
juiz, promotor, etc. O que a advogada Ana Cláudia diria a
quem pensa em fazer Direito?
ANA CLÁUDIA - A primeira coisa que
gostaríamos de ressaltar é que o advogar é
uma arte. É um dom. Necessita de dedicação,
de esforço e abnegação. Muitas vezes nós
abrimos mão de muita coisa para exercer a profissão.
Abrimos mão de um certo conforto, do contato com a família
para poder advogar. Além disso a profissão requer
um pouco de estudo. Quem se destaca é exatamente aquele que
estuda, que se informa, que aprende. Quem pensa em fazer Direito
eu dou esse conselho:se dedique, estude, se esforce e tenha dedicação
total a profissão, que é bonita mas também
tem as suas agruras, muitas dificuldade. E muitas vezes nós
nos deparamos com a vagarosidade da justiça, recursos que
achamos que não coubessem naquele momento e a própria
falta de estrutura da sociedade e do poder judiciário.
CORREIO - Como a Sra. se posiciona a respeito
da luta pela implantação de um curso de Direito em
Garanhuns? Temos realmente condiçõees de ter esse
curso?
ANA CLÁUDIA - É uma luta na
qual eu me engajo. Sou favorável ao curso e me coloco, assim
como à OAB local, sobre à presidência do Dr.
José Alberto, à disposição para esclarecimentos
a esse respeito. Hoje Garanhuns tem uma população
que suporta uma faculdade de Direito, o município teme um
nível financeiro que comporta a instalação
do curso. E existe uma grande número de pessoas interessadas
em cursar essa faculdade na cidade. Existem dificuldades econômicas
na região, no Brasil e no mundo que podem encarecer a instalação
da Faculdade, mas acho muito viável e acho que ela quando
chegar já chegará com atraso, porque é um anseio
da comunidade há muito tempo.
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