Garanhuns, 12 de abril de 2003
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ENTREVISTA
 

Advogados têm mais espaço em Garanhuns

Quem vê Ana Cláudia Livino, uma morena alta, de largo sorriso e 27 anos de idade, nem imagina que ela é advogada. Mas é, e das mais eficientes e desembaraçadas, embora esteja atuando como profissional há relativamente pouco tempo. Trabalha principalmente nas áreas trabalhista e criminalista, explicando que não vive a "defender bandidos", como muita gente poderia pensar.

Ana Cláudia só fez nascer em Brasília e veio morar em Garanhuns. Aqui, na cidade das flores, viveu sua infância e juventude, estudando no Colégio XV de Novembro. Fez Direito em Caruaru, indo e voltando da capital do Agreste todos os dias, mas com certeza o sacrifício parece ter valido a pena.

Garanhuns ganhou uma boa advogada, uma mulher independente, capaz de falar sobre sua profissão com paixão, desfazendo preconceitos e orientando os que desejam seguir seu caminho. Nesta entrevista ao Correio, Dra. Cláudia explica didaticamente quais os vários campos do Direito, garante que na Suíça Pernambucana existem atualmente bons profissionais e se coloca inteiramente a favor da instalação do curso de ciências jurídicas que vem sendo pleiteado pela FAGA. A entrevista e a edição final são de Roberto Almeida.


CORREIO - Como está o mercado de Direito em Garanhuns e no Agreste?

ANA CLÁUDIA - O mercado do Direito em Garanhuns e região está muito profícuo. Nós temos muitos profissionais de bom nível, pessoas estabelecidas na cidade há muitos anos e outros mais jovens, mas que também desenvolvem uma atividade bem relacionada com o código de ética e com as normas determinadas pela Ordem dos Advogados do Brasil, sempre com o objetivo de ajudar a população, de esclarecer o povo não somente sobre os seus direitos, mas também a respeito dos seus deveres de cidadãos.

CORREIO - A Sra. diria que Garanhuns tem bons profissionais no campo do Direito? Temos homens e mulheres bem capacitados nesta área?

ANA CLÁUDIA - Com toda certeza. E é bom fazer essa ressalva, porque temos profissionais capacitados entre os homens e também entre as mulheres. Como falei temos pessoas já estabelecidas na cidade que vêm fazendo um trabalho de muita competência, reconhecido com louvor. Graças a Deus e ao trabalho da Ordem dos Advogados, OAB, Garanhuns tem sido uma cidade muito bem servida nesse nosso campo.

CORREIO - Mas existe alguma problema, tem advogado demais aqui na cidade ou, pelo contrário, existem algumas lacunas?

ANA CLÁUDIA - Em Garanhuns, como em todo o mundo, está havendo a necessidade de especialização em algumas áreas. Direito não é somente direito. Você é advogado porque atua numa área ou outra. Foi-se há muitos anos o tempo em que o advogado era uma espécie de "clínico geral". Temos a necessidade de se especializar em algumas áreas para poder atender os interesses com melhores possibilidades. Sendo assim algumas área têm sofrido um pouco da necessidade de bons profissionais. Existem áreas muitos novas, como o Direito Internacional e o Direito da Informática que precisam de profissionais.

CORREIO - No interior existiria campo para essas áreas?

ANA CLÁUDIA - Em alguns lugares, em algumas colocações, sim. Em todos os lugares acontecem processos que necessitam de especializações. Em Garanhuns poderíamos precisar sim desses novos profissionais. Hoje nós temos excelentes criminalistas, trabalhistas, tributaristas e civilistas muito bons. Mas como em todo lugar nós sofremos de carências em determinadas especialidades.

CORREIO - Nessas áreas novas portanto teríamos carências. E quais são as áreas que estão saturadas na cidade?

ANA CLÁUDIA - Eu não poderia dizer saturadas, como muita gente. Mas com muitos profissionais trabalhando bem poderia citar as áreas civel e trabalhista.

CORREIO - A Sra. diria que sempre existe lugar para o bom profissional?

ANA CLÁUDIA - Todo profissional que tenha competência ele se estabelece, ele não teme concorrência. E o mercado é muito aberto para todo aquele que é bom, principalmente para quem gosta de estudar e se atualizar. Para ele não é importante apenas ganhar dinheiro, trabalhar por trabalhar. É necessário estudar, atualizar-se sempre e aprender cada vez mais.

CORREIO - Com relação a essa questão das áreas do Direito, vamos procurar esclarecer uma coisa aqui sobre os advogados criminalistas. Dra., quem atua nesse campo vive só defendendo bandido?

ANA CLÁUDIA - É uma colocação interessante. E é muito importante que a gente esclareça esse ponto. Primeiro vamos definir o que é o que é um criminoso. Bandido é uma colocação um tanto pejorativa e inferior aquele que comete um delito. Muitas vezes um cidadão de bem, um cidadão que tem o seu trabalho e residência fixa, que tem a sua família e o seu nome estabelecido na sociedade, por um descuido seu ou de uma terceira pessoa, ou por uma outra situação que não dependia dele comete um delito. E muitas vezes ele passa a ser encarado como um bandido, como um criminoso, como uma pessoa que merece ser separado da sociedade. Talvez não devessemos tratar de bandidos, mas de pessoas que cometem delitos. O advogado criminalista hoje muitas vezes trabalha ao lado da família ou das famílias das vítimas. E também temos atuado muito ao lado do Ministério Público.

CORREIO - Recentemente o ministro da Justiça, Thomas Bastos, disse que querem transformar o Fernandinho Beira Mar como um pop star, coisa que ele não é. O bandido às vezes é transformado numa celebridade. Como a Sra. analisa essa observação do ministro?

ANA CLÁUDIA - Achei uma colocação muito boa, muito justa e própria para aquele momento. O Fernandinho Beira Mar cometeu crimes e deve ser punido. Mas ele não é um ator, não é um artista e por isso não merece tanta atenção. Existem muitos outros que cometeram os mesmo crimes do Beira Mar e merecem estar na cadeia.

CORREIO - Voltando a área do Direito Trabalhista: é verdade que em Garanhuns muitos empregados temem lutar por seus direitos com medo da represália do patrão? Esse temor é justificado?

ANA CLÁUDIA - Assim como esclarecemos há pouco a área do Direito Criminal, devemos esclarecer esses pontos do campo trabalhista. Acontece muito, não somente em Garanhuns mas em todo o interior esse medo do trabalhador ficar com medo de reclamar os seus direitos para não ficar marcado. Ora, o trabalhador tem todo o direito de reclamar na Justiça do Trabalho, mas é bom lembrar que ele também tem obrigações e por isso deve reivindicar o que é justo. Portanto não se pode falsear os fatos, pedir além, dando fundamentos errados. Neste caso ele também poderá ser punido. Eu tenho a visão de que o acordo é sempre a melhor solução, desde que esse não seja injusto ou imoral para o empregado e que também não penalize o empregador.

CORREIO - Pelo que a Sra. disse até agora existem muitas opcões para quem deseja tornar-se advogado. Todas essas áreas que foram citadas e mais os concursos para juiz, promotor, etc. O que a advogada Ana Cláudia diria a quem pensa em fazer Direito?

ANA CLÁUDIA - A primeira coisa que gostaríamos de ressaltar é que o advogar é uma arte. É um dom. Necessita de dedicação, de esforço e abnegação. Muitas vezes nós abrimos mão de muita coisa para exercer a profissão. Abrimos mão de um certo conforto, do contato com a família para poder advogar. Além disso a profissão requer um pouco de estudo. Quem se destaca é exatamente aquele que estuda, que se informa, que aprende. Quem pensa em fazer Direito eu dou esse conselho:se dedique, estude, se esforce e tenha dedicação total a profissão, que é bonita mas também tem as suas agruras, muitas dificuldade. E muitas vezes nós nos deparamos com a vagarosidade da justiça, recursos que achamos que não coubessem naquele momento e a própria falta de estrutura da sociedade e do poder judiciário.

CORREIO - Como a Sra. se posiciona a respeito da luta pela implantação de um curso de Direito em Garanhuns? Temos realmente condiçõees de ter esse curso?

ANA CLÁUDIA - É uma luta na qual eu me engajo. Sou favorável ao curso e me coloco, assim como à OAB local, sobre à presidência do Dr. José Alberto, à disposição para esclarecimentos a esse respeito. Hoje Garanhuns tem uma população que suporta uma faculdade de Direito, o município teme um nível financeiro que comporta a instalação do curso. E existe uma grande número de pessoas interessadas em cursar essa faculdade na cidade. Existem dificuldades econômicas na região, no Brasil e no mundo que podem encarecer a instalação da Faculdade, mas acho muito viável e acho que ela quando chegar já chegará com atraso, porque é um anseio da comunidade há muito tempo.