Garanhuns, 29 de março de 2003
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ENTREVISTA
 

Luís Carlos avalia se vale a pena entrar na politica

Natural de Calçado, a pouco mais de 20 quilômetros de Garanhuns, Luís Carlos Oliveira, 57 anos, está na Suíça Pernambucana há 40 anos. Formado em Ciências pela Faculdade de Formação de Professores da cidade, "seu Luís da Farmácia", como é conhecido por muitos, é comerciante desde que chegou por aqui, exercendo muitas vezes quase o papel de médico, em seu estabelecimento na Avenida Santo Antônio.

Luís Carlos confessa que está no ramo esse tempo todo por uma questão de sobrevivência, mas se mostra satisfeito com o trabalho desenvolvido na cidade, em contato com pessoas de várias classes sociais. Eleito recentemente para um novo mandato na Câmara dos Dirigentes Lojistas, CDL, o empresário concordou em falar ao Correio sobre sua atividade comercial, os projetos na CDL e política local.

Demonstrando um certo temor em entrar na política, Luís Carlos considera essa atividade como "uma doença", por isso avalia com muito cuidado a possibilidade de ser convidado a se candidatar à prefeitura do município. Em relação ao Governo atual de Garanhuns, ele é taxativo: considera Silvino Andrade o melhor administrador da cidade nos últimos 40 anos. A edição final da entrevista é de Roberto Almeida.


CORREIO - Por que o Sr. decidiu assumir novamente a direção da Câmara dos Dirigentes Lojistas?

LUÍS CARLOS - Decidimos porque ao término do nosso último mandato alguns projetos ficaram pendentes. E como essas propostas necessitavam de bastante ousadia resolvemos colocar novamente o nosso nome para avaliação dos sócios da entidade classista.

CORREIO - Quais são os seus principais projetos agora à frente da CDL local?

LUÍS CARLOS - Como dissemos no dia da posse, nossos principais projetos são: resgatar as principais festas do comércio local, como Natal, São João e Santo Antônio, e dar mais ênfase à festa de São Sebastião. Toda proposta de festa que contribua com o fortalecimento do comércio de Garanhuns terá o apoio da CDL.

CORREIO - O Sr. considera que atualmente é grande a crise no comércio da cidade?

LUÍS CARLOS - Veja, a crise não é grande só no comércio de Garanhuns. A crise existe em todo comércio da região. As casas comerciais hoje funcionam basicamente durante 15 dias, ou seja, do primeiro dia útil até o décimo quinto dia útil. O movimento se dá só na primeira quinzena. Na segunda quinzena os negócios no comércio caem de 60 a 70%.

CORREIO - O que fazer para sair da crise?

LUÍS CARLOS - A solução é o país como um todo voltar a crescer. Consequentemente a região do Agreste Meridional também seria beneficiada. É preciso dar condições ao homem do campo para que ele volte a plantar, dar condição ao pequeno e ao médio comerciante de modo que ele tenha acesso à rede bancária com juros baixos, evitando que ele pague suas duplicatas atrasadas e termine muitas vezes no cartório de protesto.

CORREIO - Garanhuns se desenvolve num ritmo ideal, em sua concepção, os estamos em passos lentos?

LUÍS CARLOS - Eu acredito que estamos em passos lentos. Porque uma cidade que vive dos aposentados rurais, do Estado, da Federação e do Município, além dos ativos desses órgãos na verdade nós não podemos ter muitas perspectivas. Nós temos de abrir leques, criar alternativas para que o comércio possa se desenvolver.

CORREIO - E quais seriam essas alternativas?

LUÍS CARLOS - Nós temos de buscar as alternativas para qual Garanhuns se propõe. É o investimento no turismo, a volta do plantio do café, o fortalecimento das cooperativas da região. Tudo isso para incrementar e fortalecer o comércio não só local como da região.

CORREIO - Qual a sua avaliação do Governo Silvino Andrade?

LUÍS CARLOS - Eu me sinto à vontade para falar sobre isso porque já estou em Garanhuns há 40 anos. Acredito que a atual administração realmente é voltada para o engrandecimento do município e para as grandes obras da cidade. É um governo em que a gente vê a transparência, que tem trabalhado bastante, por isso considero que Silvino é o maior administrador de nossa cidade nesses últimos tempos.

CORREIO - O Sr. admite disputar a prefeitura caso seja convidado por algum grupo, especificamente pelo do prefeito Silvino?

LUÍS CARLOS - Essa resposta eu já dei a alguns órgãos da imprensa local, tanto falada quanto escrita. E volto a repetir que é prematuro falar em candidatura. Eu não pertenço a nenhum partido político e se um dia chegar a disputar um cargo, seja no Legislativo ou Executivo terei que pensar bastante. Política, você sabe, para aqueles que já entraram, que estão inseridos nela, é como uma doença. Eu como empresário temo entrar neste campo e caso decida dar este passo tenho de ponderar bastante se esse sacrífico vale a pena, ouvindo inclusive minha família.