Garanhuns, 29 de março de 2003
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CORREIO CULTURAL

Carlos Janduy


Jesus Alegria dos Homens - 2ª parte

Os trabalhos de preparação para a Paixão de Cristo do Alto do Magano, continuam a todo vapor. A Infraestrutura, a renovação de boa parte do guarda-roupa, a regravação de todo o espetáculo, utilizando os meios mais modernos possíveis para um melhor som, estão sendo feitas para a temporada deste ano.

Além da estréia de Pedro Afonso como Cristo, teremos novidades nos papéis de Adão e Eva, que serão vividos este ano por Paulo Roberto e Suelene Rufino, que já participa da peça há vários anos, fazendo parte da multidão e a personagem que serve a Pilatos na hora em que ele lava as mãos.

Já no papel de Maria, a responsabilidade fica por conta da jovem atriz Mary Habeck, natural de Xinguara - Pará, que foi descoberta por Gerson Lima, quando interpretava uma nordestina, na peça A Procissão, em 2001. Radicada agora em Garanhuns, Mary tem a oportunidade de realizar o sonho de ser integrante do elenco de Jesus Alegria dos Homens. Para ela, interpretar Maria é uma honra e uma responsabilidade muito grande, mas que vai fazer de tudo para corresponder às expectativas do diretor Gerson Lima, que, segundo ela, é muito exigente, fazendo com que o ator se empenhe muito mais na sua atuação. A atriz é disciplinada e de fácil relacionamento com os demais atores, o que contribui bastante para interpretar a Mãe de Jesus.

Luciano André, que participou o ano passado, fazendo um dos Sacerdotes, este ano interpretará Pôncio Pilatos, que ficou marcado na história da humanidade, principalmente pelo seu ato de ter lavado as mãos, demonstrando uma indiferença que levou Jesus à crucificação. Luciano é componente do Grupo Diocesano de Artes e traz consigo uma boa bagagem para viver o papel do Governador da Judéia.

Quem está de volta ao espetáculo é Eraldo Rodrigues, um dos maiores nomes da arte cênica de Garanhuns e uma das figuras mais carismáticas que já conheci. Ele interpretará Herodes, papel vivido por muito tempo pelo ator e diretor Breno Fittipaldi, que por motivo de força maior, desde o ano passado não está podendo participar do elenco, o que deixou triste não só a ele, mas também todos que fazem o espetáculo.

Para Eraldo, voltar à peça é motivo de muita alegria, uma vez que o seu trabalho o distanciou dos palcos durante um longo tempo. Mesmo assim o ator não hesitou em aceitar o convite para voltar à cena.

O elenco e a diretoria do espetáculo ficaram em festa ao saber de sua participação este ano, pois o seu bom humor, sua presença de espírito, sua potencialidade e seu relacionamento humano fazem dele uma pessoa muita querida por todos.


A farra de Herodes

Talvez o momento de maior volúpia em todo enredo da Paixão de Cristo seja mesmo o do Bacanal de Herodes, quando Cristo é levado a sua presença, narra-se o instante de uma grande festa, em que o consumo de bebida e comida, além de outras práticas carnais chegavam ao exagero de demorarem semanas.

Esse clima é vivido no espetáculo, reservando-se os limites da encenação, que tenta passar para o público esse fato do drama.

Um grupo de bailarinas, dirigido pela coreógrafa Graciete Rufino, complementa a cena, com um belo cenário realista, contendo inclusive um lago artificial. A coreografia expressa a linguagem da dança do ventre e suas nuances sensuais. Quem for ao espetáculo este ano verá essa cena se desenvolver com beleza e plasticidade, tendo como moldura, os efeitos visuais das luzes e a trilha sonora do vozerio dos convidados de Herodes em sua extravagante farra.


Os antagônicos da peça

O drama da Paixão é pontilhado pelos antagônicos Caifás e Anás que ajudaram a condenar Jesus. Na peça, esse aspecto é vivido por Fernando Lima - que também divide a direção de produção com Jefson Fittipaldi e Rosinaldo Sales - e este colunista, que também tem o difícil encargo de co-dirigir o espetáculo.

Para mim, Anás e Caifás foram também vetores da história. Viver o personagem Anás, é mais que uma responsabilidade cênica, pois é sempre certa a reação do público em perceber as calúnias levantadas contra Jesus.

Já Fernando Lima, que interpreta Caifás, acredita que, ao contrário de Judas os Sumos Sacerdotes ficaram impunes dos seus atos de desagravo, pois o alívio do público vem com o enforcamento de Judas, enquanto Caifás e Anãs saem ilesos de suas tramas.


Mais investimentos

Para a direção de produção, um dos grandes investimentos este ano é para atender melhor o público. Contatos já foram mantidos com a empresa de ônibus São Cristóvão, para disponibilizar coletivos especiais para os bairros mais distantes, onde as pessoas vão adquirir os seus ingressos casados, ou seja, com direito a passagem de ida e volta, para assistir ao espetáculo. Em breve, a diretoria do evento estará divulgando local e preço, para compra desses ingressos.

As mensagens publicitárias dos apoiadores do evento, serão incrementadas com tecnologia de produção e exibidas em telão, medindo 8 X 6 m, o mesmo que fará a transmissão simultânea do espetáculo, proporcionando ao público a possibilidade de acompanhar todas as cenas da peça.