Garanhuns, 15 de março de 2003
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ENTREVISTA
 

Tenente-coronel Plínio defende polícia comunitária

Dono de um curriculum invejável, o Tenente Coronel, Plínio Chaves de Arruda, 46 anos, já atuou em várias cidade do interior pernambucano, como Caruaru, Pesqueira, Arcoverde, Bom Conselho, Petrolândia, Serra Talhada, e a própria Garanhuns, onde morou por 10 anos. Na capital foi Comandante da Rádio Patrulha, Chefe do Estado Maior do Comando de Policiamento do Interior, e Chefe do Estado Maior da 2ª Seção do Estado Maior Geral), Membro da Interventoria da Mesa Diretora da Câmara de Vereadores de Jaboatão dos Guararapes, comandante da Companhia Independente de Policiamento de Guardas de Estabelecimento Prisionais, subcomandante do 16º BPM, Comandante do 17º BPM, e desde do dia 18 de fevereiro assumiu o comando do 9º BPM.

Nascido em Recife, o tenente-coronel Plínio é casado com a garanhuense Mônica Vânia de Oliveira, com tem dois filhos. Quando morou nesta cidade, fez o curso de Administração na FAGA, e foi aqui, em 1994, que foi promovido a major da Polícia Militar. Agora tem mais um desafio, dessa vez à frente do 9º BPM. O comandante da Batalhão local da PM recebeu nossa reportagem e durante quase uma hora falou de suas intenções para combater o crime na cidade e região, das suas diretrizes de trabalho e definiu qual deve ser o verdadeiro papel do policial militar. A edição final do texto da entrevista é da jornalista Núbia Kênia.


CORREIO - O que muda na PM com a chegada do senhor no comando?

CORONEL PLÍNIO - Muda a Polícia Militar de Pernambuco como um todo. A corporação muda no sentido que ela (PM) ganha mais um oficial que tem interesse de trabalhar pela causa pública, porque eu tenho zelo com o povo do Agreste, especialmente de Garanhuns, onde fiz um laço fraterno. É uma cidade da qual sempre gostei, por isso mesmo, pelos meus serviços prestados me foi concedido, em 1999, um título de Cidadão de Garanhuns.

CORREIO - O senhor encontrou muitos problemas no 9º Batalhão?

CEL. PLÍNIO - Em qualquer batalhão encontramos problemas, por conta de administração, mas nada irregular. Estamos dando uma nova direção na parte administrativa, fazendo cumprir o que é determinado pela Lei, e na parte operacional, a visibilidade do policiamento na cidade, procurando mostrar a polícia na proteção do povo, não só de Garanhuns, como também de todo Agreste Meridional.

CORREIO - Quais as principais diretrizes do seu trabalho?

CEL. PLINÍO - Essa é minha preocupação e da Polícia Militar de Pernambuco, a intensificação do policiamento, colocar os soldados nas ruas. O policial tem que estar visível para que o povo veja, e não só veja. Ele tem que estar atuando, abordando, ele tem que procurar saber o que está acontecendo a seu redor, para atender o cidadão.

CORREIO - Recentemente presenciamos uma revista de uma guarnição da PM, numa mercearia da cidade, onde um policial apontou uma pistola para os presentes. É certa essa atitude?

CEL. PLÍNIO - Eu não digo que é certo, que é correto não. É difícil para o soldado, às vezes, atuar nessas circunstâncias. Vamos supor que naquela casa, um local calmo, tranqüilo, realmente tivesse algum bandido, algum seqüestrador que fosse capaz de praticar um assalto. Para que ele se sinta acuado e facilmente detido é necessário que o policial aponte a arma como se já tivesse de frente com o bandido, querendo intimidá-lo e desarmá-lo. É preciso que apuremos se esses policiais são realmente policiais fardados da PM de Pernambuco, ou do 9º Batalhão, ou se é PM oriunda de Caruaru, Belo Jardim, em busca de um elemento que está fugindo, e que se torna perigoso se você não chega logo apontando a arma. Porque você não sabe quem está do lado de lá. Infelizmente numa ação dessas é muito fácil a pessoa analisar, julgar e condenar. Já aconteceram coisas semelhantes e o povo aplaudiu, porque, de repente, naquela residência que funcionava um bar tinha um bandido.

CORREIO - Aqui em Garanhuns se fala muito em casos de corrupção policial. Alguns PMs viveriam com padrões bem acima do que seu salário lhe permite. Existe orientação de punir essa pessoa se isso realmente acontecer?

CEL. PLÍNIO - Hoje o soldado não ganha mal, em torno de R$ 900,00, pois além do salário fixo ele ganha uma remuneração extra que se chama POGV, que é um serviço extra feito na hora de folga, para que ele possa ajudar no policiamento. Quando trabalha no presídio ganha entre salário e extra em torno de R$ 1500,00. O soldado, às vezes, tem pouca despesa, é uma pessoa econômica, sua esposa também trabalha, tem parentes (pai, mãe, irmão) que tem condições de ajudá-lo na compra de um veículo. E até pelas facilidades do interior pode fazer um financiamento, uma negociação. Não se pode julgar porque o soldado tem um carro, uma moto, ou porque ele está construindo, que ele está envolvido em corrupção. Tem que ver a origem. Agora, se o PM surgir com evidência, mostrando que é ilícito, é preciso que alguém denuncie, porque, com certeza, a Polícia Militar vai tomar as providências para saber como foi que conseguiu comprar aquele bem. Se for caso de corrupção ele perderá a farda.

CORREIO - Qual deve ser o verdadeiro papel da PM?

CEL. PLÍNIO - Devemos ter consciência de ser um profissional da ordem pública. Se comprometer com a sociedade, procurando trabalhar de uma forma transparente, digna, respeitosa, se inteirando das coisas da comunidade. Não só prender bandidos, mas praticar a polícia comunitária, que significa ajudar um cidadão, socorrer um idoso, evitar abusos por parte de alguns perturbadores da ordem pública, participar de campanhas para ajudar os pobres, informar, participar de assuntos filantrópicos da nossa cidade, patrulhar a área para saber quem são as pessoas de bem e do mal que vivem naquele local. Exercer um papel bom na sociedade. Esse é meu pensamento. Aquele que não tiver nessa linha não conta com meu apoio. O PM é um verdadeiro sacerdote, ele não só cuida da segurança pública com também de outras partes, ele está ali para servir, dar segurança ao povo.

CORREIO - Muitos moradores de Garanhuns acreditam que a criminalidade aumentou por causa da instalação da Cadeia Feminina, pois muitos dos bandidos que fixaram residência na cidade, e aqui estão atuando, principalmente nos bairros próximos ao presídio, são namorados, amantes ou maridos das presas. Qual sua opinião sobre isto?

CEL. PLÍNIO - Como profissional da ordem pública, como policial militar eu tenho a obrigação de atender as determinações das autoridades constituídas, no sentido de colocar o policiamento no presídio, e prender elementos que circulem por perto ou que esteja perturbando. Como cidadão eu acho que Garanhuns não deveria ter aceito esse presídio aqui na cidade. Realmente é problema, e atrai pessoas ruins para a região.

CORREIO - Qual o seu projeto para a Garanheta 2003, para impedir que se repita o índice de violência registrado ano passado, ou ainda é cedo para falar nisso?

CEL. PLÍNIO - Nunca é cedo para combater a violência. Nós já estamos preocupados com isso, é tanto que nos reunirmos com o Ministério Público, Delegaica Regional, Conselho Tutelar, Juizado da Infância e Juventude para que possamos evitar certos abusos, envolvendo menores, prostituição e drogas.

CORREIO - Para finalizar qual a mensagem que daria a população para evitar que a violência aumente?

CEL. PLÍNIO - As famílias devem resgatar a religiosidade dos seus filhos, procurando engajá-los na Igreja, incentivando o estudo e a prática do esporte, e os educando para que eles os respeitem. É daí que saí um homem. Essa é a forma de prevenir, para que ele não entre na marginalidade. A partir do momento que os pais deixam os filhos crescerem à vontade, sem controle, sem rédia, mais na frente quando tiverem com o físico avantajado darão trabalho, a ponto de os agredirem e até matá-los, como temos visto casos recentes onde filho mata pai.