Garanhuns, 15 de fevereiro de 2003
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OPINIÃO
 

A pérfida Garanheta

José Cruz Filho


Vibrei, e a Deus rendi louvores quando soube que a Câmara Municipal estava se movimentando, através de um bom grupo de Vereadores, para extinguir esse carnaval fora de época que tem um nome quase pernóstico, quase ofensivo à dignidade do valoroso povo de Garanhuns, chamado garanheta. Mas... parece que, de fato, nada aconteceu!

Embora recente em Garanhuns (2002 foi a primeira garanheta que presenciei), voltando depois de um "tempão" no sul do país , pelo que se comenta, pelo que consegui observar pessoalmente e pelos resultados que constatei, trata-se de uma perfídia ao povo das Sete Colinas. O testemunho de uma senhora garanhuense que disse ter entrado em um bloco para acompanhar a filha e jamais o fará e vai tentar dissuadir a filha para nunca mais participar, pelas " coisas horrorosas" que viu, comprova a perfídia que se arma, a cada ano, para o povo de Garanhuns. Um amigo da minha família disse que viu um casal explicitamente fazendo sexo em uma praça da cidade. Uma outra família nos informou ter sido roubada por "garanhetos" de fora. Gente que vem da capital e de outras cidades e até da região fronteiriça de Alagoas para, como dizem os sulistas, "aprontar" na nossa querida cidade que vira, segundo aquela família, um pedaço do inferno naqueles dias. É outro exemplo real de perfídia que traz a pérfida garanheta.

O carnaval fora de época existe em várias cidades do país mas, por outro lado, já está acabando em muitas dessas várias que o realizam. E o motivo é a perfídia que encenam e materializam. Poucos são os prefeitos, inclusive o atual de Garanhuns, que gostam de ver o estado em que ficam as ruas e avenidas de suas cidades após um carnaval fora de época. E o susto que tomam quando vêem o orçamento dos reparos, reformas e reconstruções, por causa dos danos ao patrimônio público ocorridos?! E a tristeza quando ouvem pelo rádio ou vêem pela televisão o número de acidentes com casos fatais, assassinatos, prisões, e lamentações de famílias e mais famílias que são seus munícipes, pelos prejuízos físicos, morais, sociais e financeiros que tiveram?! São resultados autênticos da perfídia.

E quando os prefeitos voltam aos seus gabinetes e levantam os resultados sócio-econômicos da festa, "empalidecem" pelo montante dos prejuízos à sociedade local constatados, em muitos casos !

No caso de Garanhuns, houve o turismo de eventos, que é uma categoria rentável para o Município. Mas, o que se sabe é que a tal garanheta está totalmente "nas mãos de outros " e, por isso, nada sobra para a cidade. Os investimentos são todos carreados para fora do Município, restando apenas a alegria, nas noites de movimentação festiva que, certamente trazem momentos diferentes para o povo, combatendo um pouco a monotonia do dia- a- dia, mas fica nisso e somente nisso.

Aí está a jogada pérfida da festa. Na última edição, nem os hotéis chegaram a lotar, porque o público é de utilitários de barracas. As presenças importantes foram como sinais de relâmpago, que pouco, muito pouco deram nome à cidade. Valeu a movimentação da imprensa, notadamente a falada, mas pouco impressionou pelos constantes "flashes" e noticiários de coisas negativas, tendo como caso pior o lamentável assassinato do estudante Ricardo, de notório conhecimento da comunidade.

Dizem os economistas, piorando esse quadro, que mais de um milhão de reais foram desviados, não proporcionando ao Município de Garanhuns uma boa entrada de riqueza, o que é o ideal em uma promoção de um evento festivo. No campo social: famílias desagregadas, famílias frustradas com feridas que jamais sararão! Afinal, o percentual de caos é muito maior do que o percentual de alegria e aí está a perfídia, isto é, a traição de propósitos ao povo de Garanhuns.

O que fazer? Está chegando outra por aí. Para a saúde física, moral e espiritual do nosso povo, particularmente da nossa juventude, opino por substituir essa festa louca por outra, com outro caráter e com outros propósitos e, assim, encerrar de uma vez por todas a cena pérfida, respeitando mais o povo.


José Cruz Filho é pastor Evangélico