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Eliane Simões revela o segredo da Faga
Bonita, elegante, simpática, inteligente. Eliane Simões
Vilar, 48 anos, natural do Recife, é uma mulher de personalidade
forte, que dirige com eficiência reconhecida pela comunidade
a Autarquia de Ensino Superior de Garanhuns, Aesga. A entidade é
responsável pela manutenção da Faculdade de
Administração do município, a Faga. Uma instituição
que tem se desenvolvido de maneira surpreendente, nos últimos
anos, graças sobretudo aos esforços da presidente
da Aesga.
Eliane chegou à cidade 20 anos atrás e já
se considera garanhuense de coração, mesmo sem nunca
ter recebido nenhum título de cidadania dos vereadores do
município. Na capital do Estado, onde nasceu, a professora
estudou sociologia na Unicap e fez pós-graduação
em Antropologia na UFPE, Psicologia Social na UPE e está
terminando o seu mestrado em Educação pela Universidade
de Lisboa.
Trabalhou na Universidade Católica de Pernambuco inicialmente
na área de pesquisa e depois veio para Garanhuns, como professora,
terminando por assumir os destinos da Aesga e consequentemente da
Faga. Mas continua em sala de aula, em contato direto com os alunos,
que lhe dão substância para sempre ir em frente, na
luta pelo crescimento da Faculdade de Administração
e do próprio município de Garanhuns.
Nesta entrevista ao Correio Sete Colinas, Eliane Vilar fala sobre
o processo de educação no Brasil, em Pernambuco e
em Garanhuns, em particular. Revela porque o curso de Direito não
foi implantado na Suíça Pernambucana este ano e garante
que a Faga vive exclusivamente das mensalidades dos alunos, sem
dar despesas a prefeitura.
CORREIO - Como é que a Sra. vê
a situação da educação no Brasil, no
momento atual?
ELIANE - Com muita preocupação.
A educação no país precisa realmente de uma
reestruturação. Nós vemos hoje as universidades
com muitas dificuldades, até por conta da educação
fundamental, onde existem sérias deficiências. Nós
esperamos que o novo ministro reformule o sistema atual, dando um
pouco mais de atenção a área, pois estamos
precisando disso.
CORREIO - O Governo deve investir mais
na educação de base ou no ensino superior?
ELIANE - Certamente em todas as instâncias
da educação, mas considero que a base é fundamental
para que as pessoas possam ter uma boa educação superior.
Pelo menos para que os alunos possam ter uma boa absorção
do que tiveram no seu tempo acadêmico.
CORREIO - E quanto à Educação
no Estado de Pernambuco, qual a sua avaliação?
ELIANE - Tão caótica como
no Brasil como um todo. Vemos o problema com bastante preocupação,
pois apesar de alguns avanços temos ainda muito para conseguir,
muito para conquistar.
CORREIO - Na sua opinião o professor
ainda é mal remunerado ou a situação já
melhorou um pouco?
ELIANE - Ele é mal remunerado
e o seu trabalho não é reconhecido. Aliás isso
é uma questão histórica no Brasil. Desde muito
tempo existe isso, de o professor não ter o seu reconhecimento
da forma que deveria. E não acredito que essa situação
mude a curto prazo não.
CORREIO - Particularmente no caso de Garanhuns
como está a situação do setor?
ELIANE - Temos tido avanços em
Garanhuns, uma vez que temos uma secretária de Educação
do município atuante. Esperamos que apesar das dificuldades
que ela enfrenta - naturalmente a missão é complicada
e difícil - Girlane consiga superar as limitações
que existem.
CORREIO - A Sra. acha que Garanhuns já
mereceria um maior número de instituições de
ensino de nível superior?
ELIANE - Certamente, porque Garanhuns
tem essa vocação. E nós sabemos que investimos
muito pouco no ensino superior no município, onde a demanda
é muito grande. Existe uma demanda reprimida e vemos isso
aqui na nossa instituição, que faz um vestibular muito
concorrido. E quando conversamos com pessoas de outras instituições,
inclusive na capital, percebemos que elas ficam surpresas com o
números de vestibulandos da Faga. Isso deixa claro que Garanhuns
e a região têm um campo vasto para ser explorado. Infelizmente
não temos conseguido avançar muito por conta das limitações
burocráticas.
CORREIO - Muita gente defende a instalação
de novos cursos superiores na cidade, principalmente os políticos.
A dificuldade em trazer esses cursos decorre só da burocracia?
ELIANE - A burocracia é muito
grande. Nós enfrentamos uma verdadeira barreira, tanto no
MEC quanto no Conselho Estadual de Educação. Até
para que eles analisem a proposta de um curso é difícil.
Nós temos várias propostas de cursos universitários
no Conelho e há dois anos esperamos uma definição.
Esses documentos estão nas mãos dos conselheiros,
não sabemos que tipo de análise é feita...
Mas sabemos que por trás de tudo isso existe um processo
político. Muitos municípios conseguem passar na frente
por conta dessa ingerência política. Infelizmente isso
acontece.
CORREIO - No caso específico da luta
pela implantação do curso de Direito, na Faga, o que
aconteceu que não saiu este ano, conforme era intenção
sua e do prefeito Silvino Andrade?
ELIANE - Veja bem. Essa é uma questão que nos frustra
muito e ao mesmo tempo nos impele a uma luta maior. Nós estamos
com todo processo pronto, inclusive com o nome de todo professorado
analisado. Infelizmente o Estado não conseguiu ainda retirar
os seus 1600 alunos, que não sabe onde colocá-los.
A diretora da DRE, professora Cleonice, informou que existe uma
negociação em torno do prédio da Garanhuns
Motor, mas enquanto o Colégio Municipal não for cedido
e não procedermos as adequações necessárias,
com as instalações ncessarárias para a instalação
do Curso de Direito, não poderemos avançar com o projeto.
CORREIO - Então a dificuldade seria
mais de ordem local, atualmente?
ELIANE - De ordem local por conta dessa
questão das instalações físicas. Entretanto
nós temos agora outro agravante, por conta da mudança
de governo. Mudou o ministro da Educação e não
sabemos ainda como vão ficar no MEC esses processos de instalação
dos cursos de nível superior. Certamente durante seis meses
tudo ficará suspenso. Esperamos que se dê continuidade
ao trabalho do ministro Paulo Renato, que entendia ser importante
a interiorização do ensino superior no país.
CORREIO - Mesmo sem o curso de Direto
a gente nota que a Faga é uma instituição que
tem se expandido muito, nos últimos tempos. Então
queria que a Sra. falasse um pouco da situação da
Faculdade, dos cursos de Administração, de Marketing
e de Turismo?
ELIANE - Pois é. Nós hoje
temos três linhas de formação funcionando, temos
1200 alunos, isso é uma coisa que nos deixa muito felizes.
Mas há também uma preocupação porque
está faltando até espaço físico. Este
ano o prefeito nos cedeu duas salas do Colégio Municipal,
estamos construindo a biblioteca central e tudo isso é feito
com o dinheiro das mensalidades dos alunos. Em 2003 estamos lançando
também o curso sequencial em Ciências Contábeis,
de nível superior, mas feito em um ano e meio e voltado para
os que já estão no mercado de trabalho. E lançamos
os cursos técnicos na área de administração,
incluindo Gestão de Saúde e Gestão Ambiental.
Temos enfim três cursos de pós graduação.
Como se vê é um leque amplo, que atende a demanda de
muitos estudantes.
CORREIO - A Faga precisa de algum recurso
da prefeitura para sobreviver?
ELIANE - Nós temos todo apoio
do poder municipal ao nosso trabalho, mas a prefeitura não
precisa gastar recursos com a Faga, pois dependemos exclusivamente
das mensalidades dos alunos.
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