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HUMOR

Raulzito


Coluna Social

A direção da Rádio Marano resolveu fazer uma confraternização de final de ano. Antes da festa uns 15 dias, foi discutido o local em que ocorreria a boca livre e três opções foram colocadas: o cachorro quente do azevedo, a zona do chopp ou a choparia Maria Bonita.

Os três botecos foram rejeitados. Azevedo foi vetado por causa do excesso de cuminho, a zona ninguém quis porque o ano passado a festança já ocorrera por lá (e zona por zona os homens preferem a da Maria Gorda) e Maria Bonita ficou de fora porque uns cagões do microfone ainda têm medo de Lampião.

Então a Guiomar, que sabe das coisas, e até merecia uma vaga no ministério de Lula, embora não dê pra viver com oito mil por mês, determinou que a comilança e a bebança ia ser no Restaurante Monte Sinai.

Além de ter nome bíblico, ainda tem a polícia militar por perto, e assim a nobre equipe da emissora de Dr. Tinoco estaria totalmente protegida.

E assim foram todos, num sábado à noite, com direito a brincadeiras, discursos e fotos tiradas na digital do Juca. Hélder Ferreira e Robson Carvalho, convidados, preferiram cobrir casamentos e formaturas, que dá mais dinheiro.

O primeiro a chegar foi Tiago Salsicha, quase dois metros de altura, um metro e meio só de pescoço, e uma ansiedade enorme pela presença no evento do secretário Jorge Branco, que terminou não aparecendo, para tristeza do apegado repórter.

Depois chegaram o Tony Duran, o Dalton Monteiro, Edson, Glácio, Edson, Roberto Almeida, Arnaldo, Daniel, Edinaldo e, claro, Guiomar, a quem caberia a nobre tarefa de administrar a conta.

Estiveram ainda no Monte Santo, digo Monte Sinai, o diretor da Rádio, Tinoco Filho, o Marcelo Teixeira, da área de vendas, Léo (idem) e o já citado técnico Juca Pádua.

Como Kitty Lopes e Saulo Paes, colunistas de gabarito internacional, não puderam estar presentes, pois tinham compromissos com gente mais graúda, fui improvisado colunista social pela primeira vez na minha vida.

Imagine só. O Raulzito fazendo coluna social.

Como não tenho costume, não prestei atenção na roupa e muito menos no penteado das mulheres. Acredito que estavam todas vestidas, assim como seus respectivos esposos.

Quando a comida saiu, perto da meia noite, tinha gente dando desmaio, outros estavam ficando bêbados e com certeza estavam quase todos lisos, pois jornalista e radialista é uma classe deveras fudida.

Mas a comida saiu e todos puderam tirar a barriga da miséria. Edinaldo, educadamente, fez o maior prato da noite, se fosse na balança do Chalé o prato dele ia dar uns cinco quilos ou cerca de 50 reais. Mas ele jurou que estava sem apetite. E ainda reclamou porque não tinha mortadela

Marcelo, que só pensava em beber, uma dose de uísque atrás da outra, terminou foi se embriagando mesmo e, como todo cara cheio dos paus, danou-se a conversar merda. Mas vocês já sabem: o cu de bêbado não tem dono, por isso te cuida Marcelinho!

Ao contrário de Marcelo, Tony não bebeu nada. Só suco de acerola. Tomou uns oito copos, com bastante açúcar, e ainda assim ficou tonto.

Salsicha ficou triste porque não pôde dar uns flashes e caprichou no camarão, assim como o chefão Roberto Almeida, que depois do segundo prato e da sobremesa resolveu dar o seu ponto de vista a respeito do cardápio:

- Olhe, tá feito o ministério de Lula. Umas coisas estão boas demais, outras são tão polêmicas quanto o Gilberto Gil.

Dalton, com o seu jeitão meio macrobiótico, só comeu verdura, Edson relembrou seus tempos na feira de Alagoinha e Daniel ficou o tempo todo lamentando porque não serviam feijão.

Glácio bebeu todas a que tinha direito, mas como sempre não perdeu a tranquilidade. O apresentador do Jornal Marano é como o Palotti, não se aperreia com nada e tira sarro com tudo, principalmente com o ministério barbudo do Lulinha Paz e Amor. Uma figura.

Bom, quando terminou o rega bofe, cada um pegou o seu carrinho - com exceção de Glácio/Inês e Tinoquinho todo mundo só tem carrinho mesmo - passou de passagem pelo pólo dos maconheiros e tomou o caminho de casa.

Verdade que teve gente voltando a pé, pelo menos um ainda foi em Manoel Chéu de bicicleta e Salsicha, que é novo, foi rezar com a namorada lá no Alto do Columinho.

Roberto Almeida, pragmático como sempre, ficou satisfeito. Segundo ele com a volta da inflação, feijão custando mais de dois reais um quilo, é importante ter uma confraternizaçãozinha dessas de vez em quando para economizar uns trocados.

Quanto a mim, Raulzito, a quem coube a tarefa de escrever essas linhas, também comi camarão, arroz a grega, peru e outros troços lá que não sei o nome. Gostei tanto que vou pedir ao Jorge ou a Tinoco para me contratarem em definitivo. Já pensou, eu no Jornal Marano todo dia? Ao lado de pescoção eu faria uma dupla de dois imbatível e a audiência, que já é grande, duplicaria.

Seria a grande chance de pelo menos empatar com a ronda.

Enfim, só faltou o pessoal da Blitz 102. Marcelo, Marcos e Elias fizeram questão de faltar, por considerar a confraternização brega demais e eles só gostam de MPB. Perderam o camarão, é verdade, mas mantiveram o prestígio de promover o melhor pop da cidade.

Que venha 2003, com outras festinhas assim. Um abraço pra todo mundo.