COLUNAS

 

CORREIO CULTURAL

Carlos Janduy


Ano Novo, Velhas Expectativas

Estamos beirando janeiro e como sempre esse clima festivo nos envolve da velha esperança de dias melhores. Traçamos metas de crescimento pessoal, prometemos a nós mesmos dar importância às coisas que realmente valem à pena e mergulhamos sem medo no mar da realidade antes mesmo do segundo dia do ano. De qualquer forma é muito bom esse período de reflexão, pois o calendário sempre nos alerta que devemos recarregar as forças para continuar vivendo o que podemos, da melhor maneira possível.

Este final de ano, confesso que consigo sentir que paira no ar um esboço diferente para o ano que se avisinha, e como eu disse no poema "Um Natal Diferente", publicado na última edição deste períodico, não adiantará de nada se essa esperança que ora sentimos, realmente não for diferente. Tudo leva a crer que essa esperança emana da maioria do povo brasileiro. Assim sendo, acreditamos que a energia positiva é bem maior do que todas aquelas que sentimos nessas dezenas de anos de decepções que, por acomodação ou não, tivemos que engolir.

Algo de novo precisa acontecer. Que seja paulatinamente, não importa, pois é explícita a bola de neve escura que tem avançado sobre nossas cabeças e não será de uma hora pra outra que ela será desmanchada.

Nem tudo está perdido e ai de nós se não acreditarmos nesta possibilidade, por isso um feliz ano novo pra todos nós que acreditamos na vida cheia de possibilidades que nos desafiam diariamente a correr riscos de tentar alguma coisa nova; de vermos as coisas de um modo diferente. Que aprendamos a mudar e crescer, para aproveitar a preciosa dádiva do que somos e do que sabemos; porque somente quando tentamos é que descobrimos o que podemos fazer. Não esperemos até amanhã para descobrir algo novo. Somos especiais e merecemos o melhor que a vida pode nos dar.


O Home e a Montanha

Ao amigo Roberto Almeida

Com dificuldade,
Um homem conseguiu escalar
Uma famosa montanha,
E gritou aos quatro cantos
A façanha alcançada,
Mas descuidou-se
E esqueceu de renovar
O ar dos seus pulmões.
Quando se deu conta
Do que podia ver lá de cima,
Não conteve e desceu
Na enxurrada de suas lágrimas.
No dia seguinte,
Com mais dificuldade ainda,
Voltou a escalar a mesma montanha.
Antes de desfrutar a paisagem,
Respirou o ar das alturas,
Dosou as lágrimas
E ficou lá para sempre.
Um dia,
Seu esqueleto foi encontrado
Por dois alpinistas,
Que se entreolharam rapidamente
E sem nenhum comentário
Enterraram os restos mortais
Do homem, que não era alpinista,
Mas que subiu a montanha
Para morrer feliz.

(Poema transcrito do livro Tempo dos Versos)