COLUNAS

 

CORREIO CULTURAL

Carlos Janduy


Concretismo - 50 anos do movimento que revolucionou a poesia mundial

Tirando o nome de uma palavra misteriosa, utilizada pelo trovador provençal Arnault Daniel e comentada por Ezra Pound no XX dos seus Cantares, e que posteriormente descobriram significar "antídoto do tédio", três jovens paulistas, com pouco mais de 20 anos de idade, formaram, em 1952, o grupo Noigandres, que acabaria por revolucionar a poesia mundial. Reagindo contra o formalismo academicista da retrógrada geração de 45, e procurando recuperar o espírito permanentemente revolucionário de 1922, Décio Pignatari e os irmãos Haroldo e Augusto Campos investigaram, ao mesmo tempo que outros jovens o faziam na europa, como o suíço Eugen Gomringer, as possibilidades de uma poesia que fosse além do verso e procurasse novas formas de expressão.

Demonstrando uma riqueza cultural descomunal, que em nada ficava devendo aos seus contemporâneos europeus ou americanos, e, por isso mesmo, livres da xenofobia covarde ou do complexo de inferioridade subserviente - os dois opostos complementares que sempre marcaram (e marcam) a maioria dos intelectuais e escritores brasileiros - propõem-se, desde o início, a realizar a proeza sonhada pelo "antropófago" Oswald de Andrade: produzir, no Brasil, uma literatura de teor, qualidade e importância universais.

No célebre ensaio Tradition and the Individual Talent, de 1917, T. S. Eliot já apontava que todo artista que se tornou definitivamente significativo teve de encontrar meios de se inserir na tradição. Para tal, logo descobriram os jovens componentes do Noigandres, é necessário conhecê-la a fundo, principalmente para vislumbrar, dentro da própria tradição, formas de reestruturá-la, acrescentando algo de novo, muitas vezes sintetizando e tornando conscientes - e mesmo programáticos - processos freqüentemente apenas esboçados e apontados por artistas do passado. Assim, passaram a estudar com afinco os momentos mais inventivos e radicais da produção poética nas diversas línguas que dominavam ou que, na sua curiosidade inquieta, passaram a estudar. Acabaram por sintetizar a essência de experiências que combinavam a palavra e a visualidade, como as de Símias de Rodes, poeta grego do período alexandrino, as dos poetas metaphysical ingleses Robert Herrick e George Hebert, assim como seu contemporâneo Gregório de Matos, os calligrammes de Apollinaire, as experimentações tipográficas do Un Coup de Dés de Mallarmé e dos poemas mais radicais de e. e. Cummings, ou mesmo, no Brasil, os poemas de Oswald de Andrade que já uniam palavras e grafismo.

Mesclaram ainda o estudo desses e de inúmeros outros poetas do passado à observação atenta da arte mais inovadora produzida então no mundo: tanto por artistas plásticos, como Theo Van Doesburg e Max Bill, ou, no Brasil, pelo grupo Ruptura, que lançara o seu Manifesto exatamente em 1952, quanto por músicos revolucionários, como Anton Webern, Schönberg e Pierre Boulez. Os estudos de Ernest Fenellosa sobre os ideogramas chineses forneceram uma formidável sustentação teórica para a defesa da concisão e da capacidade de síntese na poesia, já então representadas, no Brasil, por João Cabral de Melo Neto.

Assim, em 1953, Augusto de Campos, aos 22 anos, compõe uma série de poemas coloridos e dispostos de maneira original na página. Inspirados na música de vanguarda de Anton Webern, os textos de Poetamenos podem ser considerados os primeiros exemplos da poesia concreta. No final de 1956, o grupo Noigandres organiza, com artistas plásticos e outros poetas que aderem ao movimento, uma exposição em São Paulo, transposta no início de 1957 para o Rio de Janeiro, em que a poesia concreta é lançada para o Brasil e para o mundo. (...)

Fonte: Revista Continente Multicultural

 

Nelson Ferreira: Cem Anos de Nascimento

Dia 2 de dezembro de 2002 marcou o centenário de nascimento de Nelson Ferreira, um dos nossos mais representativos compositores. Sua obra musical só é comparada a do grande mestre Capiba. O compositor e maestro nasceu na cidade de Bonito-PE, em 02 de dezembro de 1902.
Ao lado de Capiba, foi um dos mais importantes compositores de frevo do Nordeste. Entre as suas canções mais famosas estão "Evocação nº 1", que em 1957 foi sucesso até mesmo no carnaval carioca; 'Borboleta não é ave"; "Coração, ocupa teu posto"; "Chora, palhaço", etc.

Pianista, orquestrador e regente, também compôs operetas, valsas e fox. É autor do Hino Oficial da cidade do Recife, com letra de Manuel Arão. Seu primeiro trabalho como compositor foi a valsinha "Victória", quando ainda tinha 12 anos de idade.

Trabalhou 37 anos na Rádio Clube de Pernambuco e foi, ainda, diretor artístico da extinta gravadora Rozemblit, do Recife. Em 1973, sua obra musical foi condensada em quatro LPs: "Meio Século de Valsas", "Meio Século de Frevo", "Meio Século de Frevo de Rua" e "Meio Século de Frevo de Bloco".

Nelson Ferreira faleceu em Recife, no dia 21 de dezembro de 1976. Em 2002, ele foi o homenageado do carnaval do Recife. Apesar de sua grandeza, infelizmente, o centenário do seu nascimento não foi nem está sendo comemorado (pelo menos até onde eu sei) como realmente deveria ser. Como dizia Luiz Bandeira: "é de fazer chorar..."

 

Professor Rildo Mendonça

Faleceu no último dia 08, o Prof. Rildo José Mendonça, um dos grandes nomes da educação de Garanhuns e da região. Ele nasceu no dia 20 de julho de 1943, no Distrito de Paquevira, município de Canhotinho-PE, onde viveu até os 8 anos de idade. Formou-se em Engenharia Química, pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro; fez Pós-graduação em Programação do Ensino de Matemática, pela FFPG-UPE; onde foi Assessor da Diretoria, Chefe do Departamento de Ciências Exatas e Naturais, Professor da Graduação, do Pós-graduação e Orientador de Monografia. Ministrava aulas também no Diocesano de Garanhuns, no Santa Sofia e no Cursinho Nova Dimensão. Dois dias antes do seu falecimento, colou Grau de Mestrado em Educação de Ciências, pela Universidade Federal Rural de Pernambuco. Ainda este mês, estaria viajando para a Espanha, onde, na Universidade de Burgos, daria continuidade ao seu Curso de Doutorado.

Prof. Rildo foi sepultado, no Distrito onde nasceu, onde também estão os seus pais.

Eu tive a alegria de trabalhar com ele no Diocesano e sei o quanto sua presença era especial. Assim como eu, muita gente que teve a oportunidade de conhecê-lo, sentiu muito a perda desse grande amigo, que será guardado para sempre em nossa memória.

A sua esposa Conceição Soares Mendonça, suas filhas e os demais familiares, as nossas condolências, em nome de todos que fazem o Correio Sete Colinas.

 

Um Natal Diferente

Apesar das nuvens ainda estarem carregadas,
Apesar do sol ainda não invadir nossos sonhos,
Apesar da tormenta de tantos anos cinzentos,
Este ano o Natal será diferente!

Apesar das águas ainda estarem turbulentas,
Apesar das pontes serem estreitas demais,
Apesar dos guias estarem perdidamente distantes,
Este ano o Natal será diferente!

Apesar da irresponsabilidade dos responsáveis,
Apesar do caráter duvidoso desses timoneiros,
Apesar do barco ainda está perdido na tempestade,
Este ano o Natal será diferente!

Será diferente porque a esperança agora tem outra cor,
Porque o Papai Noel agora tem uma história diferente,
Porque a Árvore de Natal agora está piscando forte
Nas casas que não têm lâmpadas nem ao menos velas.

Será diferente porque outras canções serão ouvidas
Por ouvidos cansados de acordes disformes,
Porque o mar não receberá as águas dos rios,
Com intenções injuriosas, impostas indignamente.

Será diferente porque é possível gritar aos quatro cantos
A renascença do Menino-Homem e do Homem-Menino.
Porque não é impossível acreditar na vida
E na essência desta obra que nos foi confiada.

Este Natal será diferente - e precisa ser diferente,
Para que os próximos sejam também diferentes,
No chão, na mesa, nos anseios, nos atos,
No corpo e, principalmente, na cabeça.

Se os próximos Natais não forem diferentes,
Que será daqueles que acreditaram neste poema?
Que será de mim que o escrevi?
Que adiantará este Natal ter sido diferente?