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CORREIO CULTURAL

Carlos Janduy


Boi da Macuca promove mais uma grande atração

Neste Sábado (16/11/2002), o Boi da Macuca realiza mais uma grande programação cultural. A partir do meio-dia haverá um concentração na Fazenda do "Capitão" Zé de Oliveira, com muito forró pé-de-serra, saindo, às 16 horas, o cortejo do Boi, para o Povoado de Baixa Grande, onde, às 18 horas, se apresentará o Coral Canto da Boca, da Universidade Federal de Pernambuco, que tem o Prof. Nelson Almeida como regente. Segundo informações de Paulo Henrique, freqüentador assíduo da Macuca, o Coral presenteará a todos que lá comparecerem, um repertório do rico cancioneiro popular brasileiro. Vale à pena conferir!


Lágrimas do Espelho

As lágrimas que não são vistas
Correm pelas marcas de um rosto
Que se nega a secá-las;
Molham o semblante,
Mas não lavam as dores magras
Que não foram previstas.
Merece castigo um coração ingênuo
Que torna-se verso de uma elegia,
Pois é tarde para explicações mornas,
Constrangedoras e até estúpidas.
O que pesa mais agora nos ombros:
As batidas do arrependimento
Ou o infarto das decepções?
Seja o que for, não importa,
Ambas entristecem
E levam á boca, palavras amargas,
Às vezes, imprudentes.
Nos intervalos das ilusões,
A verdade prosterna-se meiga,
Mas viscosa, inconveniente, avassaladora;
Verdade das conveniências,
Tão débil quanto:
"Venha a nós e vosso reino nada".
E por mais que se releve o incômodo,
A extorsão, mais do que irresponsável,
É asquerosa, maquiavélica, imperdoável.
Quantas horas empobrecem um dia
E quantos dias embalam pesadelos noturnos.
Tarefa difícil, mudar um futuro desenhado,
Sem sofrer as conseqüências do livre arbítrio.
O que resta no espelho?
Uma pergunta idiota?
Uma resposta conveniente?
Lágrimas?
Lágrimas...
Ainda bem que elas existem!
Já pensou ter que engolir secas
As agruras da vida?
No verso do espelho há outras lágrimas
Bem mais salgadas do que essas, ora refletidas,
Mas quando o copo é nosso,
Também são nossas as tempestades.
E se o barco naufragar
Nem todo sobrevivente encontra uma ilha,
Para morrer de esperança
Ou ser salvo por um espelho.


"O Elo Maldito"

Pelo título deste comentário, o amigo leitor terá a impressão de que lerá algo a respeito de ufologia ou então sobre alguns tipos de primatas que, segundo estudiosos de nossas origens, eram párias. Desculpem-me, pois faço aqui um pouco de mistério.

Para comprovar o que comento, vou transcrever o que li recentemente na Revista Isto É, datada de 28.08.85. Trata-se da tão misteriosa renúncia do já falecido ex-Presidente da República, Jânio da Silva Quadros, em 1961.

Vejamos, portanto, um trecho da carta-renúncia escrita por ele, em agosto do referido ano.

"Fui vencido pela reação e assim deixo o Governo... Baldaram-se os meus esforços para conduzir esta nação pelo caminho da sua verdadeira libertação política e econômica... Desejei um Brasil para os brasileiros, afrontando nesse sonho a corrupção, a mentira e covardia que subordinaram os interesses gerais aos apetites e ambições de grupos e indivíduos, inclusive do exterior... Sinto-me, porém, esmagado. Forças terríveis levantam-se contra mim e me intrigam ou difamam, até com a desculpa da colaboração (traidores)".

Vinte e quatro anos depois, o ex-presidente foi entrevistado por um repórter da mencionada revista, revelando assim, para toda nação, as tais forças terríveis que o levaram a tomar uma decisão dolorosa para o país, deixando-o a mercê das garras direitas e esquerdas de famintos lobos internos e externos. E então, todos sabem quem ganhou e todos sabem no que deu.

Eis a identificação das "forças terríveis" citadas na tal carta.

"Eu contrariei os Estados Unidos frontalmente no episódio de Cuba. Eu reconheci a União Soviética (extinta) e vários satélites (países que formaram o bloco da Cortina de Ferro) (extinta) da União Soviética. E o senhor (dirigindo-se ao repórter) quer forças terríveis que não essas? Ou quer acrescentar o Jóquei Clube, porque andei proibindo determinadas corridas de cavalos? Ou quer incluir os donos da Loteria Federal, que eu cassei para entregar às Santas Casas de Misericórdia? O senhor não está vendo então nem forças americanas nem européias?

Acho que o simples fato de eu estar liderando um movimento latino-americano, não contrariava em cheio o governo de Washington? O simples fato de eu haver condenado o desembarque na Baía dos Porcos (Cuba) não alcançava esse mesmo governo, também no seu plexo solar? E o fato de eu haver praticamente enfrentado o embaixador dos Estados Unidos em meu gabinete, não representava episódio de conseqüências terríveis? Foram terríveis as forças sim. Se o senhor não sabe sopesá-las experimente dizer a um Heny Ford III, como eu disse: este carro o senhor não fabrica no Brasil. Sabe qual era o carro? Era o Galaxie, que ele pretendia trazer... E assim o americano se despediu de mim, batendo a porta. Foi só o que lhe permiti".

Foi com verdadeira lavagem nas urnas sobre seus oponentes, que este cidadão elegeu-se Presidente do Brasil. Por muito tempo sua imagem foi maculada por este ato, tido por muitos como insano, impatriótico. Será que tentar quebrar grilhões... Elo por elo, é insanidade ou impatriotismo?

Próximo episódio, ou melhor, próxima tormenta, a ALCA (nos moldes deles, para variar).

E Alcântara-MA, como será? Deles também?

O problema não acabou... Mas agora é Lula, sim senhor! (Prof. Luciano Fontes)