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HUMOR

Raulzito


Medo de perder a virgindade

Graças a Deus terminou a eleição e agora posso dedicar-me à sociologia, à filosofia e à psicologia. Posso ler Freud e examinar meus medos.

Aliás, o grande legado da última campanha política foi com certeza o depoimento de Regina Duarte num certo programa de televisão, quando ela além de provar que é excelente atriz trouxe de volta a preocupação com a economia num sentido mais profundo, o existencial, o "ser ou não ser eis a questão".

Eu, apesar de tudo, e mesmo depois da manifestação soberana do povo, tenho medo e vejo que muitas outras pessoas também o têm.

Uma amiga minha, de apenas 18 anos de idade, apesar da pílula, da camisinha e das novelas de televisão, com cenas de sexo explícito, tem medo de perder a virgindade.

Deve ser complicado isso, para a mulher. Será que perder a virgindade dói tanto quanto perder uma eleição?

Outra amiga, essa quarentona, tem medo de baratas, de ratos e de cobras. À noite, muitas vezes, não consegue dormir pensando que algum bicho nojento pode aparecer e subir em cima da cama.

Tadinha dela, antes a Regina, que só tem medo do Lula, da inflação e de perder as benesses que conseguiu junto aos bichos tucanos.

Melhor também a Paloma, que só tem medo do vampiro. Mas será que ainda tem? Afinal o chupa sangue foi derrotado, embora não lhe tenham enfiado uma estaca no coração.

Mas não pensem que só as mulheres têm medo. Muitos homens também estão se cagando. Na prefeitura de Garanhuns mesmo, logo depois do resultado das urnas, ainda no primeiro turno, vi numerosos rostos masculinos demonstrando mais medo do futuro do que a primeira dama Aurora Cristina, que afinal de contas revelou-se uma mulher de valor.

Os marmanjos estavam com medo de perder o emprego, já que não tinham conseguido ajudar o chefe.

Tem gente com medo do padre.

Com medo do ginecologista.

Com medo do vice.

Do dono da farmácia.

Medo do proprietário do motel.

Do manda chuva da rádio.

Medo do Correio Político e do Raulzito.

Imagine que tem gente até com medo da Viviane, da Déborah Secco e da Vera Fischer.

É o medo da beleza da mulher, dos olhos danados, da sensualidade, do pecado, da punição de Deus.

E medo de levar gaia.

Por amor de Deus, esqueçamos a campanha, a eleição e a política. Vamos pensar profundo, para dentro, recorrendo se possível ao divã.

Que Freud possa explicar e ajudar cada um de nós. Afinal, como a Regina - que embalou a minha adolescência com a sua cara de namoradinha do Brasil - eu também tenho medo.