CIDADE

 

Prédio do Banco do Brasil vai a leilão em Garanhuns

Núbia Kênia


Na próxima terça, às 10 h, o município de Garanhuns vai viver um fato inédito na sua história, que está sendo alvo de muitos comentários pelos cantos da cidade. É que pela primeira vez, no País, o prédio de uma agência bancária em atividade será leiloado, pela Justiça do Trabalho. O alvo desta Ação Judicial é o prédio do Banco do Brasil (BB), instalado na Avenida Santo Antônio, que vai a leilão devido o não cumprimento de um débito trabalhista do Banco com 291 funcionários de várias cidades do Agreste Meridional, incluindo São Bento do Una.

Segundo informações da direção do Sindicato dos Bancários, se o leilão for efetivado, só dará para pagar parte da dívida, pois o prédio foi avaliado em R$ $ 2 milhões e 300 mil, e o débito total está em torno de 8 milhões de reais. O leilão vai acontecer na 1ª Vara do Trabalho de Garanhuns, localizado na Rua São Bento, bairro de São José, porém, prevendo que à venda do imóvel não seja algo que pode ser realizado em apenas um dia, a Justiça estendeu o leilão para as seguintes datas: dia 12, 19 e 26 de novembro, e 03 e 10 de dezembro. "Sem dúvida será um desgaste muito grande para o Banco, mas tivemos que solicitar o leilão à Justiça, já que o prédio foi alienado pelo banco nessa dívida. Está foi uma única forma que a Justiça Trabalhista encontrou para que o Banco do Brasil se posicione", ressalta o presidente do Sindicato dos Bancários, Alberto Flávio.

Flávio explica ainda que a dívida refere-se ao Plano Bresser, que entre o período de julho de 1988 a agosto de 1989, suprimiu o valor que, obrigatoriamente, tinha que ser creditados aos salários, isto através de uma Medida Provisória. Esse débito gerou uma grande insatisfação da categoria, fazendo com que os funcionários prejudicados entrassem com uma Ação Trabalhista em 1991, cobrando do Banco a reposição do índice de 26%06 relativo a essa época. Desde entaõ o Banco entrou com três ações rescisórias, mas perdeu todas.

"Tentamos fazer acordos, fizemos duas propostas, mais até hoje o BB não deu nenhuma resposta. Embora os funcionários tenham ganhado a Ação na Justiça, o Banco do Brasil optou em não pagar o débito e pela interposição de recursos protelatórios. Ao invés do Banco pagar e depositar em juízo este valor, o BB ofereceu em garantia o prédio do Banco daqui de Garanhuns. Continua protelando, sempre empurrando para frente, sempre adiando na Justiça com ações que não resultaram em nada. Temos cálculos que informam que nesses onze anos ele (BB) conseguiu recuperar todo o dinheiro, isso só com os juros que cobra do cheque especial do funcionalismo", afirma.

FUNCIONÁRIOS - De acordo com informações levantadas pelo Sindicato desses 291 funcionários que lutam para recuperar o dinheiro "engolido" pelo Plano Bresser, existe algumas pessoas que já faleceram, aposentadas, pessoas na ativa com o salário totalmente defasado, e até pessoas estando em estado do penúria. Uma dessas pessoas é o Wanderlei Pereira, 48 anos, funcionário aposentado do Banco há 4 anos. Ele nos conta que tem cerca de R$ 28 mil reais para receber, e hoje passa por dificuldades financeiras. "Quando estamos na ativa a situação é uma, quando nos aposentamos tudo dificulta. Para sobreviver dou aula de espanhol, e de vez em quando ministro cursos na área de administração. Todo dia venho aqui no sindicato saber como está a negociação. Não vejo a hora disso tudo se resolver", desabafa o funcionário.