COLUNAS

 

CORREIO CULTURAL

Carlos Janduy


Pe. Adelmar - O Verdadeiro Gigante

A história nos ensina que um homem de verdade se faz através dos seus atos concretos. Pois bem, temos o privilégio de ter conhecido um destes homens de verdade, que com atos concretos, tornou-se um referencial para a Igreja, à educação e toda uma sociedade. No dizer de muitos dos seus eternos alunos: "Um homem que é uma reserva moral".

O Diocesano sente a saudade de seu Diretor Eterno, mas ao mesmo tempo vê em cada canto do Velho Casarão, seus atos concretos de sacerdote e educador. Sacerdote que o tempo não cansou. Celebrou missa diariamente, até os seus 94 anos. Sacerdote que tinha sempre uma palavra de Fé e Esperança. Sacerdote sábio nas palavras e forte nas decisões. Tinha na sua batina preta um símbolo, usando-a como marca indelével da sua personalidade, e sempre com o orgulho e a alegria de quem é ungido pelo Santo Sacramento do Sacerdócio e capaz de conhecer o seu significado.

O educador dispensa comentários. Sério, duro, prático, pragmático, amigo e, acima de tudo, visionário. Conseguiu se antecipar no tempo, com a sua moderna visão de educação. Fez do seu querido internato, um templo para formação de homens, na sua verdadeira acepção da palavra. Das suas lições de Moral e Cívica, fez uma canção constante e saudosa, nos ouvidos e corações daqueles que tiveram a alegria de ser seus alunos. Do Diocesano, fez o Gigante. Do Ginásio do Arraial, hoje com seu nome, o filho amado e de cada aluno um eterno amigo.

Por isso não morreu o Pe. Adelmar. Ele está vivo e muito vivo nas suas ações e nos corações daqueles que o amavam. Ele nos ensinou tudo, ou melhor, quase tudo, pois a lição para saber viver sem a sua presença, essa ele não nos ensinou.

Assim fica a saudade do verdadeiro Gigante da Praça da Bandeira.

Editorial - Diocesano Sempre


 

O Padre e o Ginásio

Um Padre de batina preta e gestos enérgicos,
Que foi um educador perspicaz e atuante.
Um Ginásio que ergueu-se
Sobre um lema: "Ciência e Fé"
E sobre a efígie deste homem reto
Em toda a sua trajetória,

Sempre coerente, fiel à Igreja
E a sua missão de educar.
Decerto a história os confundirá;
É que são um só, em sua grandeza.
O Ginásio foi o lar eleito pelo Padre,
Foi a sua paróquia.
O Padre foi a alma do Ginásio;
Foi ele quem forjou os Homens, no Ginásio.
Um no outro, serão eternos.
E ainda que já não haja o Padre,
E ainda que já não houvesse o Ginásio,
Ainda assim, seriam eternos nos Homens
Que saíram para o mundo, do Ginásio.
Não há o que os separar,
Porque o amor do Padre fez o Ginásio,
Porque o Ginásio era o coração do Padre
E porque aqueles Homens eram filhos do Padre
E os filhos daqueles Homens
Também serão filhos do Padre,
Porque herdarão suas lições.
E pelos anos que ainda virão,
Jamais será esquecida a história de amor
(ou melhor, a história de doação)
Que fez a unidade entre o Padre e o Ginásio,
E que os transformou numa expressão respeitada,
Que prova os versos do Hino que vem ecoando
Pelos céus de Garanhuns,
Desde o 12 de outubro de 1938
E que assumiu uma nota triste
Aos 8 de agosto de 2002.
A cidade chorou.
Um vazio estranho ficou
No peito daqueles Homens
(aqueles a quem ele forjou,
ou mesmo aqueles que anos depois,
ao cruzarem com o Padre
nos corredores do Ginásio,
incontinente, lhe dirigiam um respeitoso
e alegre "A 'bença', Padre!").
Abençoados fomos, mesmo, todos nós,
Pela graça de o termos
Por todos estes anos em nosso convívio.
Abençoados não só por sermos os seus alunos,
"Os Meninos do Padre",
Mas abençoados também porque ele,
Com Deus, está pedindo pela sua família,
Que é também o Ginásio.
Não se acabará a história do Padre e do Ginásio.

Marília Jackelyne Nunes
Aluna do Colégio Diocesano
3º Ano - Ensino Médio