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CORREIO CULTURAL

Carlos Janduy


Política e Cidadania

Mais uma vez eles estão aí precisando de voto e é lamentável que um número significativo de eleitores brasileiros não consiga detectar que a maioria deles é politiqueira e sempre encontra crédito para continuar alimentando a corrupção em nosso país. E mais lamentável ainda é ter a certeza de que muitos manifestam a sua vontade, consciente de que sua escolha é infeliz. Mas por que fazem isso? Gratidão? "Voto comprado"? Miséria?

Os atos de políticos com vista à captação de votos de eleições próximas e não de interesse da comunidade estão escritos e muito bem escritos em suas testas, afinal, eles não estão nem aí para o que o povo pensa deles, pois acreditam que o desvirtuamento dos conceitos ou métodos da política em benefício pessoal ou de um grupo no Brasil, é uma enorme bola de neve que esfria e até congela a transmissão ao povo da sua consciência em relação aos deveres e direitos políticos.

Pensando assim, aproveito a oportunidade para transcrever boa parte de uma matéria sobre política e cidadania, publicada recentemente no jornal Mundo Jovem. Espero estar contribuindo com este momento em que a reflexão se faz muito mais necessária.

"A palavra corrupção tem um significado muito forte. É sinônimo de deterioração, putrefação. Uma matéria corrompida é matéria morta. Uma sociedade em que existe corrupção está se desfazendo, morrendo".

A corrupção política, ou a corrupção na política de uma determinada sociedade deteriora as próprias estruturas da sociedade, uma vez que a política é o cuidado com o que é coletivo, de todos, é a busca de solução para os problemas que a sociedade como um todo enfrenta. A corrupção na política é aproveitar-se, apropriar-se do que é coletivo, em benefício próprio. É roubar. Se os agentes públicos - os políticos - são corruptos, e/ou se associam a agentes privados corruptores, a saúde da sociedade corre sérios riscos. Faltando o respeito pelo que é de todos, prevalece no comportamento de cada um o vale-tudo, "levar vantagem" em tudo, o enganar para escapar ileso de eventuais punições".

"A corrupção está muito espalhada pelos diferentes setores e níveis da atividade política: no Executivo, no Legislativo e no Judiciário, do nível federal ao nível municipal. Faz parte também dos comportamentos das empresas privadas que trabalham para o governo - em obras e serviços - ou que dependem para autorizações e legalizações de suas atividades.

No Executivo e no Legislativo ela é pior do que no Judiciário, porque estes Poderes mexem diretamente com o dinheiro e com as legalizações. Os Legislativos costumam ser comparados com balcões de negócios. O Executivo nacional já chegou até a criar mecanismos para lavagem de dinheiro sujo - obtido com o narcotráfico ou com a corrupção - como as contas CC5 autorizadas pelo Banco Central".

Por outro lado, acredito que, aos poucos, vem ocorrendo uma mudança que busca se ter mais consciência de que a corrupção não deve ser aceita, e também de se poder denunciá-la mais amplamente. Nos tempos da ditadura ela corria solta, mas ninguém podia falar nada. Hoje a imprensa tem mais coragem para denunciar - quando não se deixa comprar pelos interessados em manter tudo às escuras, corrompendo-se ela mesma.

"Há também progressos na punição. Já conseguimos até destituir um Presidente da República por corrupção. Mas ainda há um longo caminho a percorrer. Há muito mais podridão sob o nosso céu azul do que se consegue imaginar".

A corrupção política faz a sociedade se corromper através do exemplo que os políticos dão, ainda mais se conseguem ficar impunes.

Há quem diga que um terço do que se gasta nos governos se esvai pelos ralos da corrupção. É o dinheiro coletivo que se perde, deixando-se de atender, com ele, uma grande quantidade de necessidades sociais.

A exclusão social é o resultado da lógica de funcionamento do sistema econômico vigente no país, orientado para a acumulação sem fim do capital. Este sistema é hegemônico hoje no mundo e está levando à exclusão de cada vez mais populações e até países inteiros. Esse sistema se relaciona com a corrupção na medida em que na sociedade capitalista as pessoas não são vistas como cidadãos, mas como consumidores".

"Para mudar este quadro, em primeiro lugar é preciso que cada um de nós, na sua vida cotidiana e na sua vida de cidadão, atue de forma limpa, pensando nos outros, alertando todos que pudermos, para os males da corrupção e a verdadeira função do político, trabalhando para que sejam eleitas pessoas dignas de exercer mandatos políticos, denunciando toda improbidade que chegue ao nosso conhecimento, etc.

Uma ação que é imediatamente possível é a luta contra a corrupção eleitoral, que visa a afastar da atividade política candidatos mal-intencionados que, para se eleger, exploram a miséria do povo, comprando seus votos".

Na página da Internet www.lei9840.org.br é possível ver em detalhe que luta é essa e como criar "Comitês" para atuar nestas próximas eleições.