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Monsenhor Adelmar fala de Garanhuns e das mudanças no Colégio Diocesano

Em 1994, quando ainda iniciava seu trabalho jornalístico em Garanhuns, o então diretor do jornal O Monitor, Roberto Almeida, realizou com a colaboração de Jardane Lu uma entrevista exclusiva com o monsenhor Adelmar da Mota Valença. O religioso estava então com 86 anos de idade, lúcido como foi até praticamente o final da vida. Cuidava então do internato e da escrituração do colégio.

Nesta entrevista o monsenhor falou abertamente de Garanhuns, das mudanças ocorridas na cidade, na educação de modo geral e no Colégio Diocesano, que ele dirigiu durante quatro décadas. Na época o religioso acompanhava com muita atenção os fatos que aconteciam no município, principalmente através da imprensa.

Agora, quando Garanhuns perde a sua maior referência no campo da religião e da educação, o CORREIO SETE COLINAS republica este material, que certamente tem importância histórica. Curiosamente, a entrevista ocorreu no início de agosto de 94, há exatos oito anos

JORNAL - O que o Sr. está achando do Colégio Diocesano atualmente?
MONSENHOR ADELMAR - Muito bom. Com muita moça, mas muito bom. O Colégio Diocesano tem um excelente diretor, que é o professor Albérico Fernandes, acima de tudo um grande amigo. Não sei dizer a diferença, por não visitar muito. Não tenho muito tempo disponível. Quando deixei a direção do colégio, fiquei fazendo escrituração e cuidando do internato.

- Qual a diferença do Colégio Diocesano de hoje e do seu tempo?
MONSENHOR - No meu tempo era um pouco mais sério, mas as coisas mudam, cada época tem seu sistema. Eu seguia o sistema "liberdade vigiada" de Dom Bosco. Era um sistema preventivo.

- Como o senhor vê Garanhuns atualmente?
MONSENHOR - Garanhuns vai muito bem, merece elogios por seu crescimento e progresso. Tem progredido muito nos últimos anos.

- Qual a sua opinião sobre o Festival de Inverno que está trazendo milhares de pessoas para a cidade todos os anos?
MONSENHOR - Para Garanhuns é uma coisa boa. O jornal comentou bastante e eu tenho acompanhado cada reportagem a respeito do assunto. Não tomo parte nesses eventos, mas pelo que ouço dizer foi de muito bom proveito.

- Como o senhor está vendo a política brasileira atual e a eleição para presidente?
MONSENHOR - Eu não entendo de política, mas vejo com bons olhos. Não tenho candidato, deixei de votar há muitos anos. Os candidatos Cid Sampaio e Miguel Arraes, vieram me visitar com suas equipes, mas eu não sou político, apesar disso fiquei muito comovido com essas visitas.

- Emília Calado é sua sobrinha. O que o senhor acha da candidatura dela? Tem seu apoio?
MONSENHOR - Ela tem o sangue do pai. É política como ele, bem disposta, corajosa e muito serviçal. Sempre visou o progresso de Garanhuns, por isso acho uma boa escolha. Porém não faço política.

- Sua palavra final.
MONSENHOR - A minha palavra final é pedir ao povo de Garanhuns que nunca se afaste de Deus, mas sim, que procure se aproximar cada vez mais.