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Médicos e enfermeiros do Dom Moura pedem melhores condições de trabalho

Os profissionais se queixam que estão sobrecarregados e enfatizam que o Dom Moura é voltado para urgência e não ambulatório.


Aumento do número de médicos e enfermeiros plantonistas, segurança para os profissionais, volta da residência médica, implantação de um Instituto de Medicina Legal (IML), colocar os municípios como responsáveis pelo atendimento ambulatorial, recursos matérias para realização do trabalho, falta de credenciamento de algumas especializações, melhoramento do laboratório, condições humanas para o trabalho, rever a carga horária do médico de 24 h, comunicação com o Corpo de Bombeiro e PM. Estas foram algumas das reivindicações dos cerca de 40 médicos e enfermeiros do Hospital Regional Dom Moura (HRDM) que participaram de uma reunião, na noite da última quarta, no auditório da V Dires, com o promotor Alexandre Bezerra, com o novo diretor do HRDM, Dr. Wagner Portela, o vice, Dr. Saulo Rocha, e o diretor da V Dires, Dr. Neilson Falcão.

De acordo com o promotor, o objetivo principal da reunião foi estabelecer uma grande parceria entre o Ministério Público (MP) e a equipe de médicos e enfermeiros do Dom Moura, para assim buscar soluções para melhorar o atendimento na unidade hospitalar, que é responsável pela emergência de 21 municípios do Agreste Meridional. O HRDM, antes vinculado a V Dires, agora está subordinado diretamente ao gabinete do Secretário Estadual de Saúde, Guilherme Robalinho. "Isso aumenta ainda mais a responsabilidade do Estado na melhoria da qualidade e eficiência do hospital. E a Promotoria da Cidadania, a qual estou vinculado, irá cobrar providências do Estado para que os profissionais do Dom Moura possam ter condições humanas de trabalho", afirma Alexandre Bezerra.

Segundo o promotor a reunião será a primeira de muitas necessárias para se detectar as deficiências no hospital. Ele informa que ao apurar as diversas denúncias que o MP recebe dos usuários da unidade, foi constatado as grandes dificuldades que os profissionais encontram dia a dia para executar a prestação do serviço. Assim, resolveu reunir todos, e ouvir deles suas queixas, para encontrar em conjunto as soluções. Essa afirmação da promotoria foi endossada várias vezes pelos médicos que participaram da reunião, como é o caso da pediatra Maria do Carmo. Ela enfatizou bastante o fato do hospital ser uma unidade para atender a urgências e não a ambulatório. "Eu e meus colegas sempre somos agredidos e ameaçados de morte pelos pacientes ou familiares, que muitas vezes nos procuram para fazermos consultas, porém, é necessário que a população compreenda que o Dom Moura é hospital de urgência e não ambulatório" enfatiza a médica.

Outro assunto bastante discutido durante o encontro foi a sobrecarga que médicos e enfermeiros enfrentam nos plantões. "Muitas vezes, estamos socorrendo algum paciente na enfermaria, chega alguém na emergência, e não aceita o fato que esperar um pouco para ser atendido. Isto é lamentável, pois estamos fazendo o melhor que podemos, muitas vezes sobrecarregados nos plantões, pois é um médico sozinho para dá conta que todos os doentes internados e os demais que chegam na urgência", diz a médica Clínica Geral, Socorro Sampaio. Ontem, o Ministério Público se reuniu mais uma vez com a direção do Dom Moura e da V Dires para dá início as primeiras providências para melhoria do hospital, dentre elas a contratação de novos médicos e enfermeiros pra reforçar os plantões. "Se a Secretária Estadual de Saúde não nos ajudar a melhorar o Dom Moura, pois muitas coisas dependem do Estado, o MP entrará com uma Ação Civil Pública contra ele, quantas vezes for necessário", finaliza o promotor Alexandre Bezerra. (Núbia Kênia)