CIDADE

 

Programação do Festival de Inverno é considerada regular

Divulgada desde o último dia 20, como sempre a programação do Festival de Inverno gerou discussões, análises e debates apaixonados na cidade. No geral os artistas convidados para esta décima segunda edição do FIG não chegaram a empolgar os garanhuenses, que sempre esperam novidades no palco da Praça Guadalajara, muito mais visível no evento do que os espaços do Parque Euclides Dourado, Pau Pombo e Avenida Santo Antônio.

Uma semana após a divulgação da programação do Festival, a maioria dos internautas que participaram de uma enquete na Bluenet classificaram as atrações do FIG como fracas (39,2%), ou apenas regulares (30,1%). Apenas 20,5% dos votantes disseram que a programação estava boa, enquanto 10,2% consideraram ótimas as atrações divulgadas pela direção da Fundarpe.

Entre os comunicadores de Garanhuns e profissionais que acompanham o Festival desde 1991, a programação do FIG foi analisada com cautela. Para o publicitário Marcelo Jorge, escolhido mais uma vez para apresentar o evento, a própria cidade, o clima frio de julho, garante o sucesso da festa, independente das atrações.

Marcelo ressalta, no entanto, que o Festival deste ano tem grandes atrações, espalhadas pelos vários pólos culturais. Embora pondere que pessoalmente não goste de bandas como Calipso e Capim com Mel, que classifica como bregas, o publicitário defende que a festa seja realizada de modo a atender todos os gostos e não apenas um público mais intelectualizado.

"Não sei o critério para se colocar o artista na praça Guadalajara ou no Parque Euclides Dourado. Acredito que artistas como Lobão e Arnaldo Antunes foram escalados para o parque porque hoje já não estão na mídia", observa Marcelo, defendendo que o morador da cidade e o visitante precisam olhar o todo da programação do FIG.

POPULISMO - O radialista Jonas Lira, da Rádio Sete Colinas, elogia a programação do 12º no geral, pois segundo ele a proposta de descentralização foi mantida, com boas atrações no Pau Pombo e no Parque Euclides Dourado, assim como na Avenida Santo Antônio e no Centro Cultural.

Jonas acha, no entanto, que a grade de programação da Guadalajara, justamente a vitrine do evento, foi descaracterizada com a inclusão de bandas como Pisa na Fulô, Calipso e Capim com Mel. Na opinião do profissional esta foi uma medida populista, por conta da proximidade das eleições de outubro.

"Ora, para encher a praça não precisa trazer esse tipo de atração, presente em qualquer vaquejada por aí", critica Jonas, assegurando que a sua opinião não é isolada. "Há uma repercussão negativa em relação a isso não somente em Garanhuns, mas também no Recife. Muitos turistas não vão querer sair da capital pernambucana ou de Maceió para ver esse tipo de atração", completa o radialista.

Tony Duran, gerente de programação da Rádio Marano, também acha que as bandas de forró descaracterizam o Festival. "A proposta do FIG sempre foi outra", observa Tony, que, no entanto, vê muita coisa boa na programação e não tem dúvidas do sucesso da festa.

O professor Carlos Janduy, que está apresentando na Rádio Marano FM o programa "No Clima do Festival", gostou da programação, principalmente das oficinas, dos espetáculos de teatro e das atrações dos parques Ruber van der Linden e Euclides Dourado. Embora não goste das bandas de forró estilizado, está convencido de que nos dias de Capim com Mel e Calipso a praça vai lotar.

Enquanto comunicadores, estudantes, amantes da MPB e outros setores reclamam, moradores da cidade que nunca gostaram muito da programação de conteúdo cultural do Festival de Inverno estão exultantes. É o caso de Márcia Arruda, 17 anos, estudante de escola pública. "Até que enfim começaram a pensar na gente e trouxeram coisa boa", disse a estudante, que não pôde assistir o show de Calipso na Metroplaza e agora vai poder ver a banda na praça, sem gastar nada.