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Monsenhor Bené lembra Dom Tiago Postma

Natural de Angelim, no Agreste do Estado, monsenhor Benevenuto Sátiro, 56 anos, trabalhou durante mais de 20 anos em Garanhuns como cristão leigo, padre, vigário geral da Diocese e administrador diocesano. Nas duas décadas de atuação pastoral na cidade, esteve sempre ao lado de Dom Tiago Postma, bispo da Suíça Pernambucana até seis anos atrás e falecido há pouco mais de um mês.

Ex-estudante do Colégio Diocesano, monsenhor Bené, como também é carinhosamente conhecido, formou-se no Seminário Regional do Nordeste, no Recife, e voltou para Garanhuns ainda moço. Foi paróco da catedral de Santo Antônio, vigário geral da cidade 10 anos e administrador da Diocese durante três anos e cinco meses. Saiu somente quando foi indicado o novo bispo, Dom Irineu Roque Scherer.

Atualmente, por conta do rodízio dos padres feito por Dom Irineu, Monsenhor Benevenuto está na paróquia de Palmeirina, onde trabalha com a mesma dedicação que o tornou um religioso querido e respeitado em Garanhuns.

Nesta entrevista exclusiva ao CORREIO SETE COLINAS, Benevenuto Sátiro recorda Dom Tiago Postma, admite que muitos padres do Agreste sentem saudades do antigo bispo, que no seu entender era sobretudo uma pessoa de diálogo, um cristão no sentido exato da palavra, um pastor. Com esse material jornalístico, esperamos estar contribuindo para a preservação da memória de Dom Tiago, que tanto fez pela Igreja de Garanhuns e da região. O texto e a edição da entrevista são de Roberto Almeida.

CORREIO - Qual o legado de Dom Tiago Postma para Garanhuns e o Agreste Meridional?
MONSENHOR BENÉ- Eu acho que o legado de Dom Tiago para Garanhuns e região foi a sua vida de simplicidade, o seu testemunho como pastor, como bispo da pastoral, como era conhecido por todos nós. A sua capacidade de saber ouvir e escutar, a sua amizade, principalmente no meio do clero e das pessoas pobres. Era um homem assim, muito dado, que tinha aquele gosto, aquela alegria e aquele prazer de sentir-se à vontade com o povo, notadamente os mais humildes. Ele era um homem amigo. Foi um grande amigo dos padres.

CORREIO - O Sr. que trabalhou com ele 20 anos ou mais poderia dizer como era a convivência com Dom Tiago, revelar o seu estilo de atuar na Diocese?
MONSENHOR - O estilo dele era o de deixar as pessoas livres. Dom Tiago não impunha nada. Queria que as pessoas procurassem sentir-se à vontade para dizer o que pensavam, para dar sua opinião, deixando todos em total liberdade.

CORREIO - Era uma pessoa de diálogo...?
MONSENHOR - Um homem de diálogo. Sem dúvida nenhuma era um homem de diálogo. Ele não procurava forçar nada, apenas propunha e a partir das opiniões conversava até chegar a uma conclusão, a um consenso.

CORREIO - Por conta dessa maneira dele trabalhar, ainda existem em Garanhuns e no Agreste muitos padres saudosos desse estilo de Dom Tiago Postma?
MONSENHOR - Eu creio que sim. Sobretudo aqueles que conviveram mais diretamente com ele. Sei dessa saudade de um diálogo maior, de um acolhimento maior. Porque realmente ele como bispo tinha essa característica própria de dialogar, saber ouvir e saber atender.

CORREIO - Existe muita diferença entre Dom Tiago e Dom Irineu, nessa maneira de trabalhar, ou o atual bispo também é uma pessoa de diálogo?
MONSENHOR - Cada um, a gente sabe, tem o seu jeito, a sua maneira, o seu modo de agir, de ser e de trabalhar. Dom Irineu tem a sua característica própria, que a gente não poderia e nem pode comparar com ninguém, não podemos fazer comparações, até porque Dom Irineu vem de uma outra região diferente e tem o seu jeito próprio de agir. Dom Tiago teve o seu mérito, assim como Dom Irineu tem os seus méritos na maneira como conduz a Igreja aqui em Garanhuns.

CORREIO - As homenagens feitas ao antigo bispo da Diocese estiveram à altura do trabalho do que ele fez pela Igreja Católica local?
MONSENHOR - Eu acho que a gente poderia ter feito mais. Eu não sei como, mas acho que dava pra ter feito mais por Dom Tiago, que afinal de contas foi bispo e pastor da Diocese durante 21 anos, além do tempo que ele foi padre aqui, pois quando chegou aqui tinha apenas cinco anos de sacerdócio. Então, foi toda uma vida dedicada a esta região do Agreste Meridional.

CORREIO - Que mensagem final o Sr. deixaria a respeito de Dom Tiago?
MONSENHOR - A mensagem que eu deixo é a seguinte: que nós possamos aprender com Dom Tiago a ser humildes, ser simples, saber ouvir, saber dialogar. Simplesmente isso, porque eu acho que ele foi um homem assim. A vida dele era essa: de simplicidade, de humildade, um homem aberto, um verdadeiro cristão. Um bispo pastor, é como podemos resumir o que foi Dom Tiago Postma.