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Crime na Garanheta ainda sem solução

Ao contrário do que muita gente pensa e do que foi divulgado a Garanheta, carnaval fora de época de Garanhuns, que aconteceu no início deste mês, não rendeu só bons frutos. Pelo menos para a família do estudante Ricardo Alexandre Barros Dantas, 18 anos, que foi covardemente espancado e depois assassinado com um tiro de revólver no abdome, na madrugada do último dia 06. Um dos seguranças do Bloco Bicho é acusado pelo crime que revoltou familiares, bem como grande parte da população da cidade.

Para Ivo Gomes de Barros, tio da vítima, além da dor que a família está passando, ainda tem que suportar o fato do advogado do Bloco, Paulo Couto, ter dito que a vítima fazia parte de galera. "Ricardo foi muito bem criado e nunca fez parte de galera. Ele tinha grande facilidade de fazer amizades, e amizades saudáveis. Prova disso está no grande número de jovens que lotaram o velório e o sepultamento dele, a maioria muito emocionada. Antes de fazer qualquer acusação, o advogado deveria procurar outra estratégia para defender seu cliente. Embora não tem como tirar a culpa dos seguranças do Bloco Bicho nesse crime bárbaro", ressalta o Ivo Barros.

Segundo informações de um amigo da vítima, que não quer se identificar temendo represália, o crime foi mesmo praticado por um dos seguranças do Bloco Bicho. Ele conta que o Bloco já estava no final do percurso, nas proximidades do Hiper Pérola, na Rua XV de Novembro, quando Ricardo e outros amigos pediram aos rapazes que seguravam o cordão de isolamento para atravessar para o outro lado da rua. Então, os mesmos disseram que eles passassem rápido. Já quando todos ultrapassaram, Ricardo ficou por último e foi puxado e agredido com um soco no rosto por um dos seguranças (ele usava uma touca preta na cabeça), revidando em seguida. Nesse momento, os amigos tiraram Ricardo e saíram, ultrapassando o estacionamento do Hiper, que dá acesso a Rua Dr. José Mariano. "Todos nós retornamos para festa pela descida do Hiper, e para nossa surpresa seis seguranças (Bloco Bicho) estavam à espera, e vieram ao nosso encontro já batendo muito em Ricardo. Quando ele (Ricardo) caiu deram um tiro nele e correram para dentro do bloco. Ricardo ainda conseguiu se levantar e correr um pouco. Ele disse que estava baleado e que avisasse a sua família e desmaiou", esclarece emocionado.

A vítima foi socorrida ao Hospital Regional Dom Moura, submetido a uma cirurgia, que durou cerca de quatro horas, mas depois de removido a Caruaru veio a falecer. Seu corpo foi levado ao IML de Caruaru, onde através da autopsia foi constatado que além do tiro Ricardo tinha sido bastante espancado. "Ricardo era um menino educado, que sabia entrar e sair de qualquer lugar. E se ele incomodou de alguma forma, tivessem algemado ele e não cometido essa terrível violência", diz César Dantas, irmão de Ricardo. O caso está sendo investigado pelo delegado Jorge Cordeiro, da 2ª DP de Garanhuns, mas infelizmente ainda não existe nenhuma pista dos criminosos. Quem souber algum fato que possa elucidar este crime, por favor, procurar a 2ª DP (fone: 3762 1124) ou Dr. Alexandre Bezerra, no Ministério Público (fone: 3761 3723).

GARANHETA- Muitos dos foliões que participaram dos Blocos, na Garanheta, reclamaram de que os seguranças eram muito agressivos, pois além de passarem dentro do bloco empurrando quem estivesse na frente, empurravam também que estava perto da cordão de isolamento. "Estava olhando com minha família, bem próximo da corda, quando um daqueles homens meteu a mão no meu tórax, e quase cai", conta Edson.

Outro ponto muito criticado foi o fato da ambulância não poder sair dentro do bloco para socorrer qualquer dos seus integrantes. Este fato aconteceu com Alessandra Florêncio, que participava do Bloco Bicho, e não pode ser levada pela ambulância depois de fraturar o pé. "Minhas amigas foram buscar socorro e disseram que a ambulância não poderia sair para me levar. Então, para que é que ela serve? Tive que pegar um táxi", explica.

Núbia Kênia