CULTURA

 

Museu supera crise e enaltece cultura em Garanhuns

A força de vontade e determinação de um professor universitário está mudando a cara da cultura em Garanhuns. Mesmo enfrentando dificuldades e sem nenhum apoio da Poder Público, Josevaldo Araújo de Melo, dirige o Museu de Cultura Latino- Americana, instalado no 3º andar do Shopping Center Brasil, Centro da cidade, e neste sábado, inaugura a estátua do Mons. Ademar da Mota Valença, em tamanho natural (1.72 cm), feita pelos artesões de Garanhuns, Saraiva e Valter, ambos com ateliê no Pólo Heliopólis. Com mais essa aquisição o museu chega a um acervo de mais de 1 300 peças.

Porém não fica por aí, no próximo mês de junho, durante o São João, será inaugurada a estátua do cantor Garanhuense Dominguinhos, também em tamanho natural.

Mais a maior surpresa está reservada a partir de julho, quando o museu vai receber a cada mês, duas ou três peças dos apóstolos que compõem a Santa Ceia, sendo a única Ceia do mundo em tamanho natural. A peça composta por 13 personagens tem previsão para ser completada, e assim inaugurada em Novembro. Para que o trabalho seja custeado, pois todas as peças adquiridas são compradas com muito esforço pelo proprietário, o mesmo artesão fez 40 réplicas menores da Santa Ceia, que já estão à venda, no museu, ao preço de R$ 220,00. Para ajudar nas despesas, além dessas réplicas outras peças são vendidas no museu, ao exemplo de santos, carros de boi (pequeno) e um tamanho normal que está exposto no térreo do Shopping Center Brasil.

"Cerca de 11 empresas nos ajudam com um patrocínio mensal de R$ 20,00, que é usado para pagar o condomínio do prédio que é de R$ 200,00. As dificuldades aumentam a partir desse mês, porque terei que pagar o aluguel da sala, que é de R$ 400,00, o qual nos seis primeiros meses não era pago, segundo acordo com a proprietária, que nos ajudou muito. Já procurei a Prefeitura várias vezes, mas "eles" nunca puderam contribuir com a quantia de 30 ou 20 reais mensais. Só tive respostas gentis, educadas, porém evasivas", afirma Josevaldo Araújo.

MUSEU- Com o objetivo de mostrar aspectos da cultura popular, enfocando principalmente o Brasil, o museu tem, hoje, um vasto acervo com grande variedade, compreendendo várias culturas e estilos, a exemplo de peças de artesanato em madeira, cerâmica, pedra, couro, sisal, porcelana, osso, metal, lã e junco. O Museu expõe também quadros, fotos, painéis, instrumentos musicais, cédulas, moedas, postais, mapas de todos os continentes e uma biblioteca com mais três mil livros de diversas áreas, que inclusive podem ser locados. "Estou tentando descobrir todos os artesões possíveis em Garanhuns e redondeza, catalogando, e comprando peças para mostrar que na cidade existe um artesanato, ao contrário do que muitas pessoas pensam", revela.

A cultura indígena também está bastante ressaltada no museu, representado por 20 etnias (tribos) do Brasil, como: Borôro (MT), Caiapós (PA), Fulni-ô (PE), Guajaiára (MA), Ianomâmi (MS), Kaingáng (PR), Kalapalo (MT), Kapinawá (PE), Karajá (GO), Kariri- Xocó (AL), Koripaco (AM), Krenák (MG), Kuikúro (MT), Mehináku Xingu (MT), Nabinkuára Xingu (MT), Pataxó (BA), Wai-Wai (PR), Xukurú Karirí (AL), Xukurú Pesqueira (PE), Zoró (GO).

CRIAÇÃO- A idéia de criar o museu nasceu quando, em 1995, Josevaldo fez uma viagem ao Peru, e se apaixonou pela cultura Peruana. Então, nos anos seguintes viajou mais três vezes, e fez visitas aos países circunvizinhos como Venezuela, Colômbia, Argentina, Uruguai, Paraguai, Cuba e Bolívia. Depois viajou para o México para trazer peças de cultura asteca, nessa época já era aluno do curso de história da Faculdade de Formação de Professores de Garanhuns (FAFIGA). Ao regressar das viagens, foi convidado para fazer palestras sobre cultura peruana e mostrar o material adquirido.

Assim, todo início de ano fazia exposições para os alunos que ingressavam na faculdade, sobretudo das áreas de história e geografia. "Como o fato de montar as exposições era muito trabalhoso, pois além de ter que dispensar um dia para montar e desmontar o acervo, eu tinha outra atividade no comércio. Daí então, surgiu à idéia de expor todo material num local, e colocá-lo não só para visitação universitária, mas também pública. Aí em 28 de dezembro de 1999 abri o Museu na Rua Dom José, só com a cultura de dez países da América Sul e Central", conta Josevaldo.

Hoje, o Museu dispõe de um acervo de cultura popular de onze países da América latina, sendo 90% do Brasil, priorizando o folclore de Garanhuns, depois Pernambuco, Nordeste e demais Estados do Brasil. O próximo objetivo do professor Josevaldo é viajar para o México, Guatemala, Belízia e Honduras, abrangendo nesses quatro Países as culturas Asteca e a Maia, para complementar as três grandes culturas da América. O museu tem um acervo que abrange do México até o Uruguai.

"Temos um projeto de desmembrar o museu, montando um museu de cultura de Garanhuns. Na medida em que for aumentando o número de peças e se houver a ajuda financeira, mais a frente pretendo, montar outro só com a cultura Pernambucana, ou seja museus temáticos, em cada área". Quem quiser contribuir financeiramente (patrocínio) com o museu deve ir ao museu ou procurar professor Josevaldo pelo fone: (87) 9988 7123.