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Presídio feminino é instalado nas caladas da noite

Foto: Hélder Carvalho

Depois de muitas críticas, debates, cobranças, promessas e ações na justiça, o presídio feminino de Garanhuns, instalado no bairro da Várzea, virou repentinamente uma realidade. A cadeia foi ocupada por seis detentas, à meia noite do último domingo, dia 12, por ordem do secretário de Justiça do Estado, Humberto Vieira. A medida pegou de surpresa a comunidade local e gerou indignação entre personalidades e políticos que discordavam da instalação do presídio na cidade.

No dias seguintes a ocupação da cadeia, que já tem até diretora nomeada pelo Governo, o assunto dominou os noticiários das rádios Jornal, Marano e Sete Colinas. O promotor público Alexandre Bezerra, o coordenador do movimento "Amigos de Garanhuns", Alberto Flávio, políticos de oposição condenaram a forma como o presídio foi posto em funcionamento e anunciaram a intenção de lutar a luta contra a unidade penitenciária.

Na Câmara Municipal, até o vereador Daniel Brasileiro, do PMDB, mesmo partido do governador criticou duramente o secretário de Justiça e o desembargador Etério Galvão, que concedeu liminar favorável ao Estado, facilitando a ocupação da cadeia do bairro da Várzea. No Poder Legislativo se falou até em cassação do título de cidadão de Garanhuns concedido no passado a Etério Galvão.

Para o promotor Alexandre Bezerra, a luta contra a unidade penitenciária não é provinciana e Garanhuns não é o lugar ideal para o funcionamento dessa cadeia feminina. Segundo eles, municípios como Canhotinho, aqui no Agreste, e Itamaracá, na Região Metropolitana, enfrentam uma série de problemas por conta de sediarem penitenciárias.

Os argumentos do representante do Ministério Público são uma resposta à diretora do presídio da Várzea, Maria Goretti, que não acha que a unidade vai trazer prejuízos ao município. "Recife e Itamaracá têm vários presídios e nem por isso deixam de ser cidades turísticas", disse Goretti em entrevista a uma emissora de rádio da cidade.

O Secretário de Justiça, Humberto Vieira, em entrevista a uma emissora de rádio da cidade, procurou minimizar a questão e lembrou que o Governo está instalando presídios maiores em cidades como Petrolina e Limoeiro. Quanto aos movimentos que protesto realizados na Suíça Pernambucana, disse que no Recife ninguém tem conhecimento deles. "A única nota que saiu na imprensa da capital foi há três ou quatro meses atrás, e mesmo assim o colunista defendeu a posição do Governo", desdenhou.